Olhar Feminino, por Michelle Silvestre

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL TAMBÉM PODE PROTEGER MULHERES E COMBATER A DESINFORMAÇÃO

Quando se fala em inteligência artificial, muita gente ainda pensa apenas em tecnologia distante, difícil e restrita a grandes empresas. Mas a realidade já é outra. A IA também está sendo usada para proteger direitos, combater a violência e enfrentar a desinformação, especialmente quando se trata da vida das mulheres e de grupos historicamente vulneráveis.

No Brasil, já existem iniciativas que utilizam inteligência artificial com um propósito diferente daquele que normalmente aparece nas grandes plataformas digitais. Em vez de reforçar desigualdades, essas ferramentas são desenvolvidas com foco em direitos humanos, inclusão e enfrentamento à violência digital.

Essas tecnologias surgem em um cenário preocupante. Milhões de mulheres brasileiras relatam já ter sofrido algum tipo de violência no ambiente digital, como ameaças, perseguição, difamação e ataques de ódio nas redes sociais. Esse tipo de violência afeta a saúde emocional, a segurança e até a participação das mulheres na vida pública.

Diante dessa realidade, algumas iniciativas têm mostrado que a tecnologia também pode ser uma aliada. A Quitér.IA, por exemplo, monitora projetos de lei relacionados aos direitos das mulheres e de grupos historicamente vulnerabilizados. Já a Sentinela auxilia na identificação de padrões de violência política contra pessoas LGBTQIAPN+, enquanto o Chatbot Maria Valente oferece informações sobre direitos das mulheres de forma simples e acessível.

Mais do que ferramentas digitais, essas iniciativas representam novas formas de proteção, informação e participação social. Elas demonstram que a tecnologia pode ser utilizada para fortalecer direitos e ampliar o acesso ao conhecimento.

Por isso, discutir inteligência artificial também é discutir cidadania, inclusão e democracia. Em um mundo cada vez mais conectado, compreender essas ferramentas se torna fundamental para que mais pessoas possam participar das transformações que já estão acontecendo.

A tecnologia pode ser um espaço de exclusão, mas também pode ser um caminho de proteção, autonomia e fortalecimento de direitos. O desafio é garantir que ela esteja a serviço das pessoas e da construção de uma sociedade mais justa.

Michelle Silvestre é Assistente Social e Podóloga. Através da escrita, propõe reflexões sobre direitos das mulheres, saúde emocional e os desafios enfrentados pelas mulheres no cotidiano.

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