Por Michelle Silvestre

Nós, mulheres, somos maioria do eleitorado brasileiro. Mas, quando chega a hora de escolher quem vai governar o país, uma pergunta precisa ser feita: o que cada candidatura está propondo para melhorar as nossas vidas?
Um levantamento publicado pelo Nexo Jornal analisou as propostas para as mulheres de seis candidaturas à Presidência que estavam entre as mais bem colocadas nas pesquisas naquele momento.
E o que encontramos?
Lula propõe igualdade salarial, ampliação de creches e criação de cuidotecas, conclusão de 30 Casas da Mulher Brasileira, ampliação das Salas Lilás, fortalecimento do planejamento reprodutivo no SUS e oportunidades econômicas para as mulheres.
Flávio Bolsonaro propõe as Centrais da Mulher, uma plataforma de inteligência artificial para acesso a serviços públicos, integração do Ligue 180 com canais de emergência, creches e voucher-creche, além de cursos de tecnologia e finanças.
Augusto Cury aposta em botões de alerta com geolocalização, autonomia econômica, transparência salarial, maior presença de mulheres nas indicações ao STF e ações educativas contra a chamada “tirania da beleza”.
Ronaldo Caiado propõe renda temporária e auxílio-aluguel para mulheres sob medida protetiva, formação profissional, combate à violência política de gênero, políticas de saúde ao longo da vida e medidas de igualdade salarial.
Renan Santos não apresenta propostas específicas para as mulheres em seu plano. Já Romeu Zema concentra suas propostas em Delegacias da Mulher 24 horas, Patrulha Maria da Penha, casas de abrigo, creches e acompanhamento pré-natal.
Diante de tudo isso, deixo uma pergunta para nós, mulheres: precisamos de um projeto em que a mulher apareça como sujeito de direitos, com uma atuação mais centrada na capacidade do Estado de produzir proteção e reduzir desigualdades? Ou de um presidente que aposta também em uma “amiga virtual” de inteligência artificial para auxiliar mulheres diante de problemas que continuam sendo tão concretos, como a falta de creche, acesso a contraceptivos, transporte público, segurança e outros serviços públicos?
São perguntas que merecem ser feitas.
Porque falar sobre políticas para as mulheres não é falar somente sobre violência. É falar sobre quem cuida, quem trabalha, quem recebe salário menor, quem consegue acessar saúde, quem tem autonomia para decidir sobre a própria vida e quem consegue ocupar espaços de poder.
No fim, a pergunta talvez seja simples: qual projeto de governo contempla as diferentes dimensões da vida das mulheres que conhecemos, inclusive as mulheres negras, pobres, periféricas, trabalhadoras, quilombolas, mães e tantas outras?
É olhando para as propostas, e não apenas para os discursos, que podemos compreender o que cada candidatura pretende fazer com aquilo que mais importa: a nossa vida.
Michelle Silvestre é Assistente Social e Podóloga. Através da escrita, propõe reflexões sobre os direitos das mulheres, saúde emocional e os desafios enfrentados pelas mulheres no cotidiano.