“Governo Temer: na lona vai a nocaute outra vez”

O (des)governo Temer não tem freios morais para buscar o aumento de tributos, incompatíveis com o altíssimo índice de desemprego. Há pouco tempo, puniu a todos com a alta nos impostos sobre os combustíveis, comprometendo todo o sistema produtivo e o cotidiano dos cidadãos.

De outro lado, desde julho de 2017, houve mudança na política de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras (empresa mais valiosa do país) priorizando o lucro de empresas estrangeiras e dos grandes acionistas. Desde então, os preços da gasolina e do diesel estão sendo alterados, às vezes, de um dia para o outro.

Outras consequências dessa política é a redução da produção nas nossas refinarias para aumentar a exportação do petróleo bruto, que privilegia o mercado externo e não o nacional. Lembrando que esse petróleo volta para o Brasil refinado e bem mais caro.

A paralisação dos caminhoneiros nasceu do descontentamento real de autônomos com os aumentos do diesel que leva a aumentos no custo do frete e reduz a margem que fica para o caminhoneiro, mas também atinge as famílias brasileiras em itens tão ou mais relevantes para a vida do país quanto o diesel: a gasolina e o gás de cozinha.

O Palácio do Planalto, porém, não pode ser acusado de ter sido surpreendido. Recebeu avisos de entidades representativas da categoria do setor pedindo reunião emergencial e informando sobre a grave crise que afeta o setor. Mas preferiu, como sempre, ignorar.

Após uma frustrada tentativa de acordo, o presidente Michel Temer (MDB) anunciou nesta sexta-feira (25) que vai empregar as forças federais, a Polícia Rodoviária Federal, em ação conjunta com as polícias militares dos estados, para liberar as estradas do país, bloqueadas há cinco dias pela greve dos caminhoneiros em protesto contra a alta no preço do diesel.

Ao autorizar o uso das Forças Armadas contra caminhoneiros, o governo Michel Temer mostra mais uma vez que prefere enfrentar as consequências e não as causas de um problema. Neste caso, usar o Exército sobre grevistas ao invés de encontrar uma solução para as demandas – não apenas desta categoria, mas das outras que sofrem com a atual política de preços de combustíveis da Petrobras.

O problema é que mexer com as causas é, em qualquer circunstância, é comprar briga com o mercado, o poder econômico, a velha política. É mexer em estruturas antigas de desigualdade. Coisa que Temer não faz, pois foram eles que o colocaram lá. É mais fácil comprar guerra contra um país.

É fato que o governo não possui políticas claras para aumentar a eficiência do Estado, notadamente em áreas fundamentais como educação, saúde e segurança.

O bolso do cidadão deveria ser sempre a última opção dos gestores. Em vez de tirar mais dinheiro do povo, o governo deveria gastar melhor os expressivos recursos que arrecada, combatendo a corrupção e a ineficiência.

Enquanto o Estado for gerido para beneficiar aliados políticos em detrimento das boas práticas, não haverá solução para os problemas que hoje fazem o Brasil menor do que deveria.

Eládio Fonseca – Advogado

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