Nutricionista explica como estresse, cansaço e emoções podem aumentar a vontade de comer e orienta como equilibrar prazer e alimentação sem transformar determinados alimentos em vilões

“Eu mereço um chocolate.” “Hoje foi tão difícil que vou pedir uma pizza.” “Depois de um dia desses, eu mereço um hambúrguer.” Se essas frases parecem familiares, a comida pode estar exercendo uma função que vai além de matar a fome.
Segundo a nutricionista Giovana Torres, da Hapvida, momentos de estresse, cansaço, ansiedade ou frustração podem aumentar a procura por alimentos associados ao prazer e ao conforto. Isso, por si só, não representa necessariamente um problema. O ponto de atenção surge quando a comida passa a ser praticamente a única forma utilizada para enfrentar emoções difíceis.
“Comer algo gostoso depois de um dia complicado não é, por si só, um comportamento problemático. A diferença está no padrão”, explica a nutricionista.
A alimentação também está relacionada a memórias, cultura e afetos. Um doce pode lembrar uma comemoração, uma pizza pode estar associada a momentos em família e determinados alimentos podem acabar ligados à ideia de recompensa.
Uma das formas de compreender melhor essa relação é observar como a vontade de comer aparece. De acordo com Giovana, a fome física costuma surgir gradualmente e pode ser satisfeita por diferentes tipos de alimentos. Já uma vontade relacionada às emoções pode aparecer de maneira mais repentina e direcionada para algo específico, como chocolate, pizza ou outro alimento mais palatável.
A nutricionista ressalta, porém, que isso não significa que toda vontade específica precise ser evitada.
“Comer por prazer também é legítimo. O objetivo não é transformar a alimentação em uma matemática de ‘certo e errado’, e sim desenvolver percepção e autonomia”, orienta.
Outro comportamento comum acontece depois de um dia corrido: a pessoa chega em casa com muita fome, come rapidamente alguma coisa e, pouco tempo depois, volta a procurar comida.
Segundo a profissional, isso pode ocorrer quando o lanche não apresenta uma combinação suficiente para proporcionar saciedade ou quando a pessoa permaneceu muitas horas sem se alimentar.
Uma estratégia é combinar proteínas, fibras, carboidratos e fontes de gordura. Uma fruta, por exemplo, pode ser acompanhada de iogurte e aveia. Já um pão pode ser combinado com ovo, frango ou queijo.
Entre as opções sugeridas estão iogurte com frutas e aveia, banana com cacau e pasta de amendoim, pão com ovo e queijo, tapioca com ovo e sanduíche com frango, queijo e tomate.
Para Giovana, buscar uma alimentação equilibrada também não significa excluir completamente alimentos associados ao prazer. Chocolate, pizza, hambúrguer e sorvete podem fazer parte da alimentação. A orientação é observar frequência, quantidade e composição das refeições, deixando de lado a lógica de alimentos totalmente “permitidos” ou “proibidos”.
Uma pergunta simples também pode ajudar no fim de um dia desgastante: “Do que eu estou precisando agora?”
A resposta pode ser comida, mas também pode ser descanso, uma pausa, companhia, carinho ou alguns minutos de lazer. Identificar essa necessidade ajuda a ampliar as possibilidades sem retirar da comida o espaço que ela também pode ocupar.
Evitar passar longos períodos sem se alimentar é outra orientação. Isso pode reduzir a chance de chegar ao fim do dia com fome intensa e com a sensação de que é preciso comer imediatamente e em grande quantidade.
“Comer bem não significa comer perfeitamente, mas construir uma relação possível, prazerosa e sustentável com a alimentação”, reforça Giovana Torres.
Fonte: informações da Hapvida, com orientações da nutricionista Giovana Torres.