Toxoplasmose e gatos: conheça a verdade e desmistifique um dos maiores mitos sobre os felinos

Todos os dias, milhares de gatos convivem com suas famílias sem representar qualquer risco à saúde. Ainda assim, basta alguém falar em toxoplasmose para que esses animais sejam apontados como os principais responsáveis pela doença.
Esse é um dos maiores mitos relacionados aos felinos.
Infelizmente, a desinformação faz com que muitos gatos sejam rejeitados, abandonados e até retirados de suas casas, principalmente quando uma mulher engravida. A boa notícia é que a ciência já esclareceu há muito tempo como a toxoplasmose realmente é transmitida e mostra que o gato está longe de ser o grande vilão dessa história.
Conhecer a verdade é importante não apenas para proteger a saúde das pessoas, mas também para evitar injustiças contra animais que, na maioria das vezes, são vítimas da falta de informação.
O que é a toxoplasmose?
A toxoplasmose é uma doença causada pelo protozoário Toxoplasma gondii. Grande parte das pessoas que entram em contato com esse parasita sequer percebe, pois a infecção costuma ser assintomática ou provocar sintomas leves.
Entretanto, ela merece atenção especial durante a gestação e em pessoas com imunidade comprometida, pois pode causar complicações importantes.
Como as pessoas realmente se infectam?
Muitas pessoas acreditam que basta conviver com um gato para contrair toxoplasmose. Mas isso não é verdade.

A principal forma de infecção ocorre por meio do consumo de carne crua ou malcozida contaminada, da ingestão de frutas e verduras mal higienizadas, da água contaminada ou do contato com solo contaminado durante atividades como jardinagem.
Ou seja, uma pessoa pode adquirir toxoplasmose mesmo nunca tendo tido contato com um gato.
Qual é o papel do gato?
O gato participa do ciclo do Toxoplasma gondii, mas isso não significa que transmita a doença continuamente.
Quando um felino se infecta pela primeira vez normalmente ao ingerir presas contaminadas ou carne crua ele pode eliminar oocistos nas fezes durante um curto período, geralmente entre uma e três semanas.
Além disso, esses oocistos não oferecem risco imediato. Eles precisam permanecer no ambiente entre um e cinco dias para se tornarem infectantes.
Por esse motivo, a limpeza diária da caixa de areia reduz de forma significativa qualquer possibilidade de transmissão.
Outro fator importante é que gatos criados exclusivamente dentro de casa, alimentados com ração e sem acesso à caça apresentam um risco muito baixo de adquirir a infecção.
Gestantes precisam abandonar seus gatos?
Não.
Essa é uma recomendação antiga que não encontra respaldo nas orientações atuais.
Com alguns cuidados simples, é perfeitamente possível manter o convívio com o gato durante toda a gestação.
Sempre que possível, outra pessoa deve realizar a limpeza diária da caixa de areia. Caso isso não seja possível, a gestante deve utilizar luvas e higienizar bem as mãos após o procedimento.
Também é fundamental cozinhar bem as carnes, lavar frutas e verduras e consumir água tratada.
Esses hábitos são muito mais importantes para prevenir a toxoplasmose do que afastar o animal da família.
Informação também protege os animais
O preconceito contra os gatos ainda provoca consequências graves.

Muitos animais são abandonados simplesmente porque seus tutores receberam informações incorretas.
Além de ser um ato cruel, o abandono é crime e não reduz os principais riscos de infecção pela toxoplasmose.
Quanto mais conhecemos sobre a doença, mais percebemos que a prevenção depende principalmente de hábitos de higiene e alimentação, e não da presença de um gato em casa.
Dica do Veterinário
Os gatos não são inimigos da saúde pública.
Quando recebem alimentação adequada, vivem dentro de casa e passam por acompanhamento veterinário, eles representam um risco muito pequeno para a transmissão da toxoplasmose.
Antes de tomar qualquer decisão baseada no medo, procure orientação de profissionais de saúde e de um médico-veterinário.
A informação correta protege as pessoas e também salva a vida de muitos gatos.
Até a próxima sexta!

Na próxima edição da coluna Causa Animal em Foco, vamos falar sobre um problema que cresce silenciosamente entre os animais de estimação: a obesidade em cães e gatos.
Entenda por que o excesso de peso vai muito além da estética e descubra como ele pode comprometer a saúde e a qualidade de vida do seu melhor amigo.
Dr. Edvaldo Montenegro
Médico-Veterinário – CRMV-PE 7431