Doença renal em gatos: os primeiros sinais podem passar despercebidos

Na coluna Causa Animal em Foco, o médico-veterinário Dr. Edvaldo Montenegro explica quais mudanças devem chamar a atenção dos tutores e a importância do acompanhamento preventivo.

Os gatos são conhecidos por esconder muito bem quando alguma coisa não vai bem. Muitas vezes, continuam seguindo sua rotina mesmo quando uma doença já está se desenvolvendo.

Isso acontece com frequência nas doenças renais, especialmente na doença renal crônica, uma condição importante em gatos adultos e idosos. No início, as alterações podem ser discretas e facilmente confundidas com mudanças do envelhecimento.

Por isso, conhecer os sinais e manter o acompanhamento preventivo pode fazer diferença.

Qual é a função dos rins?

Os rins são responsáveis pela filtração do sangue e eliminação de resíduos pela urina, além de participarem do equilíbrio de água e eletrólitos, do controle da pressão arterial e de outras funções importantes do organismo.

Na doença renal crônica, a perda da função dos rins ocorre de maneira progressiva e, geralmente, não é reversível. Com diagnóstico, acompanhamento e tratamento adequados, porém, muitos gatos conseguem manter uma boa qualidade de vida por bastante tempo.

Beber muita água pode ser um sinal

Um dos sinais que o tutor pode perceber é o aumento do consumo de água e da quantidade de urina.

Quando os rins perdem parte da capacidade de concentração, podem produzir uma urina mais diluída. Para compensar a maior perda de água, o animal tende a beber mais.

Essas mudanças podem passar despercebidas, principalmente em casas com vários gatos. Uma caixa de areia com torrões de urina maiores ou que precisa ser limpa com mais frequência pode ser uma pista importante.

Outros sinais merecem atenção

Com a progressão da doença, podem surgir perda de peso, redução do apetite, vômitos, náuseas, desidratação, fraqueza, alterações no pelo e menor disposição.

Às vezes, o tutor percebe apenas que o gato está mais magro ou “mais quieto” e atribui isso à idade. No entanto, emagrecimento, perda de apetite e indisposição frequente merecem investigação.

Mesmo nas fases iniciais, quando o animal aparenta estar saudável e continua se alimentando normalmente, alterações podem estar presentes. Por isso, consultas preventivas são especialmente importantes para gatos mais velhos.

Como avaliar o funcionamento dos rins?

A avaliação renal não depende de apenas um resultado.

Exames de sangue podem fornecer informações importantes, incluindo creatinina, ureia, fósforo e SDMA. A análise da urina ajuda a avaliar sua concentração e outras alterações.

A investigação também pode incluir aferição da pressão arterial, avaliação de proteína na urina e exames de imagem, quando indicados.

O médico-veterinário reúne esses resultados com o histórico e o exame clínico do animal, já que uma alteração isolada não deve ser interpretada fora do contexto.

Diagnóstico precoce faz diferença

Esperar que o gato apresente sintomas intensos pode fazer com que a doença seja descoberta em uma fase mais avançada.

Quando as alterações são identificadas mais cedo, é possível acompanhar sua evolução e estabelecer estratégias individualizadas. Dependendo do quadro, o tratamento pode envolver adequações na alimentação, estímulo à ingestão de água, controle da pressão arterial, manejo de alterações urinárias e outras medidas específicas.

Não existe uma receita única para todo gato com doença renal.

A hidratação merece atenção

Os gatos naturalmente tendem a ingerir relativamente pouca água. Algumas estratégias podem ajudar a aumentar o consumo, como disponibilizar vários recipientes pela casa, manter água limpa e fresca, testar fontes e, quando adequado para o animal, incluir alimentação úmida na rotina.

Mas atenção: se o gato começou subitamente a beber muito mais água, essa mudança pode ser um sinal clínico e merece investigação.

Dica do Veterinário

Observe a caixa de areia. Mudanças no tamanho ou na quantidade dos torrões de urina podem fornecer informações importantes sobre a saúde do gato.

Também fique atento ao consumo de água, peso, apetite e comportamento. Pequenas mudanças na rotina podem ser os primeiros sinais de um problema.

Na dúvida, não espere que o gato pare de comer ou fique muito debilitado para procurar atendimento veterinário.

Na próxima edição

Na próxima sexta-feira, a Causa Animal em Foco vai abordar outro problema comum entre os felinos e que pode se transformar rapidamente em uma emergência:

Obstrução urinária em gatos: quando a dificuldade para urinar pode colocar a vida do animal em risco?

Vamos explicar os principais sinais, por que os machos são especialmente vulneráveis e por que um gato que entra repetidamente na caixa de areia sem conseguir urinar precisa de atendimento veterinário imediato.

Dr. Edvaldo Montenegro
Médico Veterinário – CRMV-PE 7431

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