Olhar Feminino, por Michelle Silvestre

Por que ainda questionam mulheres que entendem de futebol?

Nos últimos dias, um episódio envolvendo uma jornalista esportiva voltou a chamar a atenção para uma realidade que muitas mulheres enfrentam diariamente: a necessidade constante de provar sua competência em espaços tradicionalmente ocupados por homens.

Embora o futebol seja uma paixão nacional compartilhada por milhões de brasileiros e brasileiras, ainda é comum que mulheres que atuam na cobertura esportiva tenham seus conhecimentos questionados antes mesmo de serem ouvidas. Enquanto homens são reconhecidos como especialistas, mulheres frequentemente precisam demonstrar repetidas vezes que entendem do assunto para conquistarem o mesmo respeito.

Essa situação não afeta apenas jornalistas. Ela alcança comentaristas, árbitras, treinadoras, dirigentes e até mesmo torcedoras que, muitas vezes, escutam que “não entendem de futebol” simplesmente por serem mulheres.

O problema não está no esporte, mas em uma cultura que durante décadas associou determinados espaços exclusivamente ao universo masculino. Felizmente, essa realidade vem mudando. Hoje, as mulheres ocupam cada vez mais funções no futebol e contribuem para tornar o esporte mais diverso, democrático e representativo.

Questionar a presença feminina nesses ambientes não fortalece o futebol. Pelo contrário, limita seu crescimento. O conhecimento não tem gênero, assim como a paixão pelo esporte também não.

Em tempos de competições internacionais e grande mobilização dos torcedores, vale lembrar que futebol é lugar de quem gosta, acompanha, estuda, trabalha e vibra com o esporte. E isso inclui, sem qualquer dúvida, as mulheres.

Respeitar a presença feminina no futebol não é um favor. É reconhecer uma realidade que já existe e que merece ser valorizada.

Michelle Silvestre é Assistente Social e Podóloga. Através da escrita, propõe reflexões sobre direitos das mulheres, saúde emocional e os desafios enfrentados pelas mulheres no cotidiano.

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