
Outubro. Mês escolhido para ser “rosa” e lembrar da importância da prevenção e do tratamento do câncer de mama. Mas também é o mês de lembrar de alguém que a gente perdeu para a doença, ou que viu sofrer, porque a dor de um câncer nunca doi só no paciente. Vendo por esse lado, é um mês de revisitar dores.
Pra escrever essa coluna, como mulher, mãe, filha, pensei em trazer as estatísticas sobre uma doença que mata, e mata muito. Mas seria mais um texto falando de números. Resolvi falar então de processo de cura.

Para além de ser o mês de lembrar a dor, é ocasião de lembrar que qualquer dor tem um propósito, principalmente se puder inspirar outras pessoas à esperança que as lutas de um câncer muitas vezes escondem. Resolvi falar do ponto de vista de quem acompanhou três entes queridos nessa jornada que é a busca da cura.
O câncer a princípio nem sempre dói. Ele às vezes é até bem covarde. No caso do de mama, a covardia começa por a gente imaginar que só acomete mulheres, o que não é verdade: homens de qualquer idade podem desenvolver câncer de mama, embora em menor ocorrência. Outra covardia do câncer é nos fazer crer que chegará com aviso, pra determinada idade e só pra pessoas que têm casos na família. Mas apesar de ocorrer mais frequentemente nesses casos e numa faixa etária específica, pode chegar a qualquer tempo, tirando você ou uma pessoa amada da rotina normal.

De repente, a notícia chega como um balde de água gelada, tira o chão e preocupa – às vezes desespera – todo mundo. Ele vem sorrateiro, um inchaço ali, uma indisposição, um carocinho que depois a gente vê como faz, porque, afinal, “temos uma saúde de ferro” ou “não temos tempo pra ir ao médico”. “Como eu posso parar a minha vida tão movimentada?” “E como eu vou trabalhar, estudar, viver?” “Como vou cuidar da casa, do negócio, do emprego, da família?”
Acredito que todo mundo já se fez esses questionamentos ou conhece quem já disse ou diz exatamente isso. Aí, “do nada”, um carocinho, um mal estar, perda de peso sem motivo aparente, uma febre, um tal de Outubro Rosa onde alguém propôs uma ação preventiva e a gente participou só porque já tava passando mesmo, e… olha aí: “apareceu alguma coisa, vamos fazer mais exames pra confirmar”. Após um tempo interminável o resultado chega: “você está com câncer de mama”. E aí, todas as desculpas e justificativas perdem o sentido. “Como cuidar do outro, da casa, do negócio, se eu não cuidei de mim?”.
Culpa. Medo. Negação. Dor, em você e na família.
Mas também esperança. União. Aprendizado. Cura.
No Brasil, estima-se que deverão ocorrer mais de 70.000 novos casos de mama até o fim deste ano. Infelizmente, a maioria dos casos é diagnosticada em estágio avançado, diminuindo a chance de cura.

Mas é possível virar o jogo. É verdade que a gente não pode lutar contra a genética, mas pode dificultar – e muito – a vinda de um câncer, e é tão simples que tenho certeza que você já sabe o que fazer:
- Adotar hábitos saudáveis de alimentação e atividade física regular podem diminuir em quase 30% o risco de desenvolver câncer de mama e outros cânceres.
- Se você tem maior risco devido à genética de sua família, aí sim é que deveria levar a sério reduzir as chances fazendo o que está ao seu alcance. Isso inclui observar e tocar os seios com regularidade. Você conhece seu corpo melhor do que ninguém. Se um nódulo não estava ali e de repente aparece, você vai perceber.
- Fumar e consumir álcool em excesso também aumentam muito o risco não só pra este tipo de câncer, mas para todos. Não seja conivente com o cigarro: corte de vez, e, pelo menos, reduza o álcool.
- E se movimente, antes que o câncer te impeça de fazer isso. Vale caminhada, musculação, dança, esportes… Quanto mais você se mexe, mais ele tende a paralisar.
- Cuide da saúde mental. Setembro Amarelo passou, mas não é só num mês do ano que devemos cuidar do que temos de mais precioso: nosso equilíbrio. Vale trabalhar a religiosidade, participar de grupos terapêuticos, procurar ajuda profissional ou simplesmente adotar outras perspectivas diante da vida. A fé na cura ajuda no tratamento.
- Ajude quem passa por uma situação assim, seja o paciente ou a família. Não sinta pena, mas acolha. Uma palavra ou presença respeitosa, divulgar uma informação consciente e verdadeira, estar junto e apoiar fazem sim a diferença.
- Incentive o autocuidado, a prevenção e o tratamento. Combata informações falsas e não dissemine “correntes” enganosas ou maldosas. Compartilhe positividade. Seja veículo de cura e luz na vida do outro.
- Se desconfiar que está com câncer, cuide em procurar um posto de saúde ou médico. Não brinque com o tempo. A demora pra começar o tratamento é o maior fator de risco dessa doença. Busque, inclusive, meios legais para garantir isso o quanto antes. Nós temos direito de iniciar o tratamento rapidamente. Isso está previsto em lei.
E lembre-se que a cura existe e o diagnóstico de câncer não é uma sentença de morte. Em estágio inicial, é possível curar até mais de 95% dos casos. Dê a si este presente. Fazendo a nossa parte, um dia, o câncer não passará de uma etapa que venceremos.
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