Um novo tempo

Nivaldo Santino é advogado

O presidente Temer foi enfático ao declarar que não renunciaria. Muitos, inclusive da base aliada, esperavam um gesto seu para apaziguar o país.

Os últimos acontecimentos revelaram definitivamente que o sistema ruiu. A constitucionalidade está comprometida. O presidente perdeu as condições de governabilidade e certamente não se manterá no cargo. Seja pela renúncia (hipótese não descartada) pelo impeachment ou pela cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE. Aliás, se o TSE tivesse acelerado esse julgamento teria evitado todo esse tormento. Certamente os últimos episódios concorrerão para a cassação da chapa.

Com baixíssima popularidade e bombardeado por todos os lados o presidente vai continuar sangrando, apenas escorado na base aliada que, atônita, não sabe ainda o que fazer. Mas vai desembarcar logo se achar uma saída ‘honrosa’.

Apesar da justificada indignação de muitos, o momento é de serenidade. O desmonte da classe política aconteceu, era o que muitos esperavam. Caiu a máscara dos que se colocavam como ‘arautos da moralidade’. Tá todo mundo no mesmo barco. Tem ainda uma ingênua felicidade de uns que se vangloriam porque seus adversários também estão envolvidos. Ora, o fato de um grupo está também envolvido não absolve o outro. O processo zerou. A saída não é retroagir, mas avançar. E não substituir estes por aqueles…

Se o presidente cair, o que deve acontecer, tem-se a oportunidade de se eleger um novo mandatário para a nação. A constituição diz que a menos de dois anos das eleições é o Congresso que elege indiretamente. Mas os políticos têm condições de eleger um presidente neste momento, com grande percentual de seus membros denunciados e também envolvidos?

Muitos defenderão a legalidade e que se cumpra a Constituição. Mas é fato que o sistema representativo faliu e os políticos do Congresso andam, há muito tempo, divorciados do sentimento das ruas.

É na crise que surgem as oportunidades. Pois bem. Essa é uma grande oportunidade de zerar o processo, instalar uma nova ordem e se livrar de vez das práticas espúrias com que se fez política até agora. E o meio mais legítimo é através de uma eleição direta, aprovando a emenda constitucional que já está na Câmara, apresentada pelo deputado Miro Teixeira.

A crise é grave, mas a saída tem que ser pela via democrática. Nada é mais democrático do que devolver ao verdadeiro dono do poder, o povo, o seu destino.

Eleições diretas e gerais é a oportunidade que o país tem de se livrar dos políticos atuais e estabelecer uma nova ordem institucional. Resta saber se muitos dos diletos eleitores não vão se iludir com os salvadores da pátria de ultima hora ou também se subornarem trocando seus votos por favores ou alguns trocados.

Por Nivaldo Santino

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