Saúde Mental em Foco

Você não tem o poder de mudar o outro. E isso pode ser libertador

Quantas vezes você já acreditou que, se encontrasse as palavras certas, tivesse mais paciência ou demonstrasse mais amor, a outra pessoa finalmente mudaria?

Essa é uma expectativa comum nas relações humanas. Afinal, quando nos importamos com alguém, desejamos vê-lo crescer e fazer escolhas melhores. Mas existe uma diferença importante entre influenciar e controlar. Podemos inspirar reflexões, oferecer apoio e servir de exemplo. No entanto, ninguém muda apenas porque outra pessoa deseja. A mudança só acontece quando faz sentido para quem decide mudar.

Essa é uma das descobertas mais significativas da psicoterapia. Muitas pessoas chegam ao consultório buscando uma forma de mudar o comportamento do parceiro, de um familiar ou de alguém que amam. Com o tempo, percebem que a terapia não ensina a controlar o outro, mas amplia a consciência sobre si mesmo.

Todos nós mudamos ao longo da vida. A diferença é que muitas mudanças acontecem de forma automática. Na psicoterapia, essa transformação pode se tornar consciente. Ao compreender seus padrões, emoções e comportamentos, a pessoa passa a fazer escolhas mais alinhadas aos seus valores.

Mas a consciência, sozinha, não basta. A mudança acontece quando ela é acompanhada de responsabilidade e ação.

Quando você muda sua forma de agir, a relação também muda. Algumas pessoas se aproximam, outras se afastam e outras até escolhem mudar. Mas essa decisão nunca estará sob o seu controle.

Talvez uma das maiores liberdades seja compreender que você não é responsável pela transformação de ninguém. Você não pode mudar o outro, mas pode escolher transformar a maneira como vive, se posiciona e constrói suas relações.

Psicóloga | CRP 02/32872

Natascha Fernanda é psicóloga clínica, com atuação fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Acredita que acolhimento e ciência caminham juntos, oferecendo um espaço seguro de escuta, cuidado e desenvolvimento emocional. Seu trabalho é voltado para adolescentes, adultos, mães e pessoas neurodivergentes, respeitando a singularidade de cada história e promovendo saúde mental com ética, empatia e responsabilidade.

Share