A tradicional feira natalina que ocorrerá na próxima quarta-feira (24), véspera do feriado de Natal, tem causado muita insatisfação e indignação entre uma grande parte dos feirantes, por serem impedidos de negociarem na respectiva data.

A situação de revolta se agravou no último sábado (20), quando os feirantes ficaram sabendo da “impossibilidade” de colocarem seus bancos na próxima quarta-feira (24), que será a feira considerada “feira de Natal”, pois antecede o feriado, e geralmente é a feira de grande movimentação, tendo em vista que, a maioria das pessoas deixam para fazer suas compras em cima da hora, até mesmo no dia.
O grande agravante é que por se tratar de uma feira que não acontecerá nos dias tradicionais (sexta e sábado), nem todos os feirantes poderão colocar seus bancos, para não interditarem a passagem de veículos e motos, e isso já ocorre geralmente, pois na quarta-feira, realmente só alguns bancos tem permissão do setor responsável para serem colocados.

Todavia, essa é uma situação especial, em que a gestão pública do município deve ter um olhar de empatia para os trabalhadores feirantes, que precisam vender suas mercadorias para sua sobrevivência. Considerando, sobretudo, que há algum tempo, os feirantes vem sofrendo altos prejuízos, pois quem de fato frequenta a feira de Bezerros, pode notar nitidamente que esse setor do comércio local vem diminuindo bastante, e muitos espaços já não tem bancos funcionando.
A questão é que, com a chegada de grandes redes de supermercados em Bezerros, o que foi muito positivo para os consumidores e como geração de emprego, pois essas redes além de oferecer uma grande demanda de emprego, também conseguem ofertar produtos, especialmente, carnes, frutas, verduras e legumes, a preço muito baixo. Por outro lado, essa realidade de preços baixos e promoções das grandes redes, tem afetado diretamente os comerciantes “feirantes”, que não conseguem concorrer com esses supermercados, e vender seus produtos com valores menores.

As últimas feiras de sexta (19) e sábado(20), tiveram provavelmente, o maior indicador de prejuízos para os feirantes, pois foi quase que unânime a opinião de que houve pouca movimentação na área de comercialização da feira, resultando em baixas vendas, e sobra de muitas mercadorias perecíveis, causando enorme perda financeira, para aqueles que já vivem sufocados tentando driblar as dificuldades para se manterem atuantes na feira, tendo em vista que esse é o único meio que a maioria dos feirantes tem como fonte de renda e trabalho.

Muitos feirantes buscaram no último final de semana a redação do Bezerros Hoje como uma forma de socorro mediante a mídia, para expressar a indignação e preocupação com futuros prejuízos, e sobre o descaso que sofrem por parte do setor responsável pela organização da feira de Bezerros, que não lhes repassam nenhuma informação clara e nem há nenhuma preocupação em olhar com empatia e respeito para o feirante. E vale ressaltar que o feirante é parte muito importante do município, pois sem eles não existiria guardas e seguranças da feira, nem o administrador e setor administrativo da feira, nem os produtores de frutas, verduras e legumes, sem falar da economia local que eles movimentam anualmente, e da geração de tributos.

Grande parte dessa revolta se deu na última feira do final de semana, especialmente porque, não foi autorizado que todos os feirantes possam colocar seus bancos, alegando-se justamente o fato de interdição do transito na quarta-feira, porém, há de se convir que o dia 24 é uma data importante para o comércio, inclusive para os feirantes que investiram também em produtos natalinos, artigos para presentes, roupas, brinquedos, além das frutas, verduras e legumes. Nessas respectivas últimas feiras, muita indignação foi gerada porque não havia alguém da administração da feira para se reunir com os feirantes e negociar e explicar as condições de comercialização, e quando foram perguntados, alguns fiscais e armadores de bancos também não sabiam de informação concreta nenhuma, ao contrário das gestões passadas, que comunicavam o calendário da feira com antecedência, contendo as mudanças, pontos facultativos e regras de comercialização.

Em resumo, não adianta uma cidade realizar grandes festas, interditar o trânsito para roteiros festivos, e discursar sobre o espírito natalino, se parte de sua população vem sendo tratada com descaso e desrespeito.
A empatia e o cuidado com os outros é uma das chaves que demonstra o verdadeiro significado do Natal, e que a gente espera, porque ainda há tempo, de que a gestão administrativa de nossa cidade possa contemplar o feirante bezerrense com o direito de comercializarem suas mercadorias na feira de Natal, a véspera que comemoramos o dia do nascimento do Cristo, que nos deixou como ensinamento: amai aos outros como a ti mesmo.