Na última quinta-feira (5) faleceu José Severino da Silva, conhecido popularmente como Zezé de Areias, Zezé dos oito baixos, da dupla “Zezé e Zezita”, um ícone de nossa cultura e propagador do autêntico forró pé-de-serra.

Em meios as tantas homenagens que circulam nas redes sociais e blogs de notícias, o Bezerros Hoje prestou também seu tributo a esse grande bezerrense. E hoje publicamos o relato da Professora e Arte-Educadora Mileide Santos, que abriu o baú do seu coração e seus álbuns fotográficos mais antigos para falar da importância e vivência com o saudoso e inesquecível “Zezé dos oito baixos”. Confira!
Zezé e o grupo Folcpopular:
Minhas últimas visitas fazem algum tempo. Batíamos papo na garagem de sua casa. Nós três, eu, Zezita e ele. Às vezes alguns familiares ouviam admirados as risadas e as lembranças de um tempo que se foi e não volta mais.
ZEZÉ de Areias ou Zezé de Zezita era um homem simples, admirável, um artista amado e respeitado por todos. Eu o admirava demais, trabalhamos juntos nos palcos dessa vida, no asfalto, nas praças, no terreiro de barro, em cima de caminhão, onde fosse.

Conheci ZEZÉ no final dos anos 90, fomos apresentados num estúdio na casa do ex-prefeito Lucas Cardoso. Ele gravou conosco o PASTORIL, nossa raiz, cantado ao vivo e com roupas de papel. Ele coordenava até o tom da nossa voz, corrigia cada detalhe com toda paciência do mundo. Afinal tinha que sair bonito, pra poder sua sanfona ritmar o bailado das pastoras nas igrejas em festas de fim de ano, e no dia do padroeiro.

ZEZÉ, com seu trio autêntico pé-de-serra, acolhia no auditório da Estação da Cultura o famoso TREM DO FORRÓ, que vinha de Recife a Caruaru. Além dos turistas desembarcarem naquela animação, a população bezerrense fazia questão de participar da festa também. O Folcpopular apresentava a “Bonequinha do Forró” ao som da sua tão estimada sanfona, e finalizava com uma grande roda de ciranda envolvendo as pessoas num momento muito prazeroso.
ZEZÉ e Zezita a uns 28 anos atrás num Carnaval ficaram bem em frente a nossa barraca do Angu. A fim de vender seus CDs ali ao lado da praça de táxi, havia uma árvore que podia proteger do sol, e a calçada alta para servir de palco. Zezé com um pequeno caixa, de som, Zezita ao microfone não imaginavam que estavam dando inicio ao tão famoso “FORRÓ DO PAPANGU”. A rua ficava interditada por horas, quem passava parava pra dançar. O mais impressionante é que não tinha como parar, sempre que o coitado parava para descansar os braços, o povo gritava em uma só voz: mais um, mais um, mais um.

O dia mais engraçado pra nós foi uma festa junina numa escola na zona rural, 23 pessoas dentro de uma Toyota da prefeitura, debaixo de chuva, foi tanta lama que ao sair da escola tínhamos que segurar no muro e ajudar uns aos outros para sair com lama até o joelho. Nunca esqueci disso, porque nesse dia eu queria até chorar pois nosso figurino era novo.
O dia mais incrível da nossa história: Folcpopular com Zeze e Zezita foi a inauguração do Polo de Serra Negra.
Se você leu esta história até aqui, tenho certeza que agora já sabe, o valor do meu carinho, consideração e amor por esse casal de amigos. O melhor disso tudo é que ele sabia disso, sempre falei pessoalmente, quanto o admirava e o quanto sou agradecida por tudo.
A cultura bezerrense está de luto.
Vai com Deus ZEZÉ!
Texto por: Mileide Santos.
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