O sistema educacional brasileiro é incompatível com o funcionamento do cérebro e contrário à proposta do ENEM

Pierre Pessôa, 37 anos. Professor, empresário (proprietário do Smart Fluent e da Deu Fome Delivery), palestrante, escritor, coach e pai de Rafael (risos), quero usar esse espaço para partilhar com você meus conhecimentos, experiências vividas e claro dicas de como progredir: pessoalmente, financeiramente e principalmente espiritualmente.

Os brasileiros conhecem mais um computador do que o modo como nosso cérebro funciona. Isso, inevitavelmente, afeta nosso desenvolvimento cognitivo e no resultado das nossas avaliações. Diferentemente de um computador, que é rápido na forma de processar as informações, mas um perfeito idiota comparado com o cérebro humano, nossa mente processa as coisas lentamente, mas em compensação, tem capacidade de armazenamento extremamente superior a do computador. Cientistas alegam que, para um computador atingir a capacidade de armazenamento de um cérebro humano, seria necessário colocar 1.500 computadores interligados. Se a neurociência comprova isso, por que continuamos imprimindo um sistema educacional onde prioriza o conteúdo em vez do conhecimento, e não nos ajuda subir à escala da inteligência?

Erramos quando matamos a curiosidade e interesse do aluno, ao passo que empurramos, literalmente, de “goela abaixo” uma infinidade de assuntos – muitas vezes uma verdadeira “cultura inútil”- sem dar ao nosso cérebro o tempo necessário para assimilar o que foi apresentado. Quantas vezes estávamos na sala de aula e perguntávamos: professor, quando vou usar isso na minha vida? Pior ainda, nossa forma de avaliação, onde estimula o aluno estudar apenas para a prova, e não para reter o conhecimento durante toda sua vida.

Comprovadamente quando o aluno foca sua energia para apenas passar em uma determinada prova, ele, além de não arquivar o conhecimento, vai entender que a escola é um lugar para “tirar” notas e se livrar dela o mais rápido possível. Acredito que esse é um dos motivos da nossa média ser tão baixa no ENEM, e de termos tantos profissionais com baixa qualificação, pois só visam o diploma e deixam o conhecimento de lado.

Quando nascemos, trazemos conosco uma capacidade nata de aprender e experimentar tudo ao nosso redor, mas ao passo que a escola força os alunos a estudarem coisas que não estimulam seu interesse e sua curiosidade, essa capacidade vai morrendo ao ponto de deixar os jovens completamente apáticos e desmotivados nos últimos anos escolares. Sem falar nos problemas psicológicos tão presentes nas pessoas nas últimas décadas.

Por que a escola não busca motivar e incentivar os desejos e curiosidades individuais de cada aluno? Deixe-me relatar um fato próximo. Tenho um aluno de 9 anos. Esse é o segundo ano dele estudando inglês no Smart Fluent da cidade de Bonito. Quase que inexplicavelmente, essa criança, antes de completar 2 anos de curso, já fala fluentemente em inglês. Sem mencionar que ele “manja” muito bem em geografia e política. Chega até a assustar a desenvoltura dele nessas áreas. Pois bem, você poderia alegar: “ele dever ser um gênio, superdotado ou até um garoto prodígio”. Bem, sem querer negar sua capacidade e inteligência, preciso dizer também que essa mesma criança vai hesitar bastante, e talvez errar na resposta ao ser perguntada: “quanto é 30 mais 40”. Alguém diria: certamente ele precisa focar mais em matemática. Já eu diria totalmente o contrário! Por que deveríamos “podar” esse aluno nas áreas que ele mais se interessa e forçá-lo estudar aquilo que não traz prazer ou faz sentido pra ele? Logicamente essa criança precisará dominar as quatro operações matemáticas. Entretanto, se ele mirar seu tempo de estudo para se tornar um grande diplomata e poliglota, ou até um respeitado político, será que a fórmula de bhaskara da equação 2º grau fará diferença na sua vida? Eu acho que não.

Se Albert Einstein tivesse seguido os padrões da sua escola, ele não se tornaria o gênio que foi. Se Steve Jobs não tivesse largado a faculdade, talvez ele não obtivesse o sucesso que ele teve na Apple. Se Neymar não tivesse dedicado tempo suficiente para se tornar um gênio no futebol, ele não teria o sucesso e o dinheiro que tem.

Não quero e não posso negar a importância da escola e da formação tradicional. Totalmente o contrário disso. Acredito que a maneira mais fácil de atingir o sucesso pessoal e financeiro é seguindo a educação regular. Contudo, nem todos nasceram ou encontram o conhecimento necessário para seu o sucesso financeiro e pessoal seguindo um padrão educacional. Tenho um primo extremamente inteligente que abandonou a escola ainda no ensino médio, mas aprendeu programação e inglês como autodidata. Hoje ele está com 19 anos, mora na Europa e ganha uma “baita” de uma grana. Também tenho um primo que fez 2 faculdades, é concursado da Caixa Econômica e tem um ótimo salário também. Ou seja, os dois buscaram o conhecimento de maneira diferente, contudo, obtiveram o tão esperado e cobrado sucesso.

Voltando para a questão do ENEM. Ano após ano, fica evidenciado que, o mais importante para o aluno se sair bem na prova ENEM será sua capacidade de interpretar os textos. É sabido que, quase todas as questões são respondidas dessa maneira, ou seja, interpretando. Uma pessoa que sabe identificar uma frase que foi escrita no pretérito mais que perfeito, ou sabe resolver uma equação do 2º grau, mas não consegue interpretar um simples texto, não obterá um bom resultado. Contudo, aquele que não sabe o que é um verbo conjugado no pretérito mais que perfeito, e não entende a fórmula de bhaskara, mas interpreta e lê bem os textos, possivelmente ele vai se sair bem na avaliação.

Quando entendermos a maneira correta de estudar. Quando buscarmos despertar o prazer de ler nas crianças. Quando pararmos de podar e padronizar os alunos e principalmente resgatar disciplinas que humanizam mais as pessoas, tenho certeza que o nosso resultado não só no ENEM, mas também no PISA será outro. Acredito que devemos seguir os modelos educacionais dos países que têm melhores resultados: Finlândia, Japão, Canadá e Coréia do Sul, onde as disciplinas de: arte, música, meio ambiente, ética, educação moral, tecnologia, ciência doméstica e empreendedorismo não são marginalizadas, mas têm o mesmo peso das outras disciplinas que são vistas como mais importante no Brasil. Incluiria uma disciplina que se chamaria “Amor”, pois sem respeito e integração consigo mesmo, com o meio ambiente e com os outros a humanidade se acaba. Não vai adiantar de nada passar no ENEM, mas sermos reprovados na disciplina: “equilíbrio emocional, ambiental e social”. Se lá no fundo o que vai contar é a felicidade e o sucesso pessoal, combinado com uma vida ecologicamente sustentável, não estaria na hora de começarmos a formar crianças e adultos mais felizes? Por uma escola nova já!

Pierre Pessôa.

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