“O cenário que se desenha é de desmonte de tudo que conquistamos a custo de muito sangue”

Esta semana tive o enorme prazer de participar da 275ª REUNIÃO ORDINÁRIA do CNAS – Conselho Nacional de Assistência Social. O cenário que se desenha é de desmonte de tudo que conquistamos a custo de muito sangue. A luta não é mais por garantir novos direitos, mas de manter os que conquistamos
As instâncias de controle social como as conferências, fóruns e em especial os conselhos de direitos, ainda são espaços que nos proporcionam democraticamente direito à voz, mas já existe a tentativa de extinguir esses espaços. É Fragilizar pra governar, isso já ficou claro.
Não temos tempo a perder, nossa luta é por um espaço que foi garantido desde a Constituição Federal de 1988 e que prevê entre os direitos fundamentais, a participação e controle social para o exercício pleno da cidadania.
É preciso reconhecermos nossas falhas, nossas fragilidades, deixar o ego de lado, a vaidade e aproveitarmos o pouco espaço de tempo que temos para discutirmos democraticamente a questões que nos são apresentadas e que como via de consequência negligencia ou garante alguns direitos.
Prezarmos pela transparência, na fala e na prática em respeito a todos e todas que se deslocam para este espaço chamado conselho. Quantas vezes pedimos o diálogo na tentativa de articular algo, e navegamos por águas turbulentas que não sabemos onde vai dá, a preocupação é a mesma de sempre: vamos convencer alguém? Como vamos conseguir vencer tal pauta? Ter tal conquista, ter garantido um direito que é do povo, e para todo esse processo nós emprestamos nosso conhecimento e não somos reconhecidos.
Não somos pessoas que oneram. Quando me disponho a participar eu estou deixando minha base, pra fazer um trabalho de extrema relevância, nada de nós pode ser discutido sem nós, sem nossa participação, nenhuma política pública poderá ser, verdadeiramente, pública se não contar com as pessoas.
“Quanto maior a participação social, mais qualificada e próxima dos anseios da população será a atuação do governo para a construção de um desenvolvimento economicamente inclusivo, socialmente justo e ambientalmente sustentável e de uma sociedade livre e pacífica”.
Faço dessa experiência um aprendizado, e do aprendizado força para dar continuidade a luta, seja qual for sua representatividade faça jus dignamente do espaço que você ocupa e que lhe foi confiado.
Democracia é dar a cada um e a cada uma de nós o direito de sermos sujeitos das nossas próprias vidas.

Michelle Silvestre – conselheira Municipal do CMAS – Bezerros, representante da Sociedade Civil através CRESS/PE na categoria de Trabalhadores do SUAS.

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