MINHA CRÍTICA A JAIR BOLSONARO

Muitos eleitores de Bolsonaro são, sem dúvidas, brasileiros bem-intencionados, preocupados com os rumos do país, e que apenas divergimos nas ideias e projetos de como resolver os problemas da nação e viver bem aqui, que é objetivo comum. Estas pessoas ouviram e assimilaram o discurso do candidato, mas vejam que esse discurso, na prática, não “bate” com a conduta dele ao longo do tempo.

Não digo isso pra tentar mudar seu voto (se for o caso), mas só pra constatarmos juntos: o que credencia Jair Bolsonaro, na sua história, que justifica esta aspiração pelo cargo máximo do Poder Executivo?

Bolsonaro sempre teve uma atuação medíocre como deputado, há quase trinta anos. Suas propostas de políticas públicas são estabanadas, reducionistas que simplificam problemas graves e complexos. Uma dessas propostas, defende que armar os cidadãos é solução, mas ele mesmo teve sua pistola roubada em um assalto, nos anos 1990, no Rio. Ele foi treinado pela AMAN, uma das escolas militares mais respeitadas do mundo. Imagina um comerciante, ou um trabalhador no ônibus?

Na política, acomodou-se na Câmara Federal e acumulou pouca experiência prática sobre outros cargos e outras formas de conhecer este país continental. Defende o estado mínimo (via Paulo Guedes) e privatizações (e se diz nacionalista?!) mas nunca recebeu um tostão da iniciativa privada. Sempre viveu às custas do governo, dinheiro público, como militar e político. Não bastasse ele, lançou três filhos na política: que também não empregam ninguém, não têm um balcão de comércio, uma empresa, e vivem de propagar redução do Estado e preconceitos.

Bolsonaro é do Rio de Janeiro. O Rio, antiga capital federal, é o segundo estado mais rico do país, perdendo só para São Paulo. Hoje está quebrado, atrasa salário de servidores públicos e aposentados. Sede de organizações criminosas poderosas e MILÍCIAS com envolvimentos de policiais, e: NUNCA SE OUVIU UMA PALAVRA DE BOLSONARO SOBRE ISSO. Que avaliação ele faz do estado e da política do Rio? O que pensa sobre o Comando Vermelho, ADA, ou o chefe “daquele morro”? Quando ele denunciou uma falcatrua do sistema? Quantas vezes denunciou Michel Temer, o único presidente da história denunciado duas vezes pela PGR no exercício do mandato, e que COMPROU O PARLAMENTO COM DINHEIRO PÚBLICO para rejeitar o prosseguimento da investigação.

Ele é mestre em falar de bandido, mas o conceito de bandido dele se restringe a estuprador, assaltante, pobre e favelado. Prefere caricaturar, fingindo que sabe como vai resolver o problema, logo após ter preferido se omitir.

Ainda sobre o Rio de Janeiro, temos o exemplo da Intervenção Militar Federal, que demonstra ter sido um fracasso de planejamento e orçamento. E o pior de tudo: O sistema político do Rio apodreceu. Dois ex-governadores presos, Eduardo Cunha preso, Conselheiros do Tribunal de Contas do RJ (de seis, prenderam cinco!), empresários presos (ex: Eike Batista).

Pergunto: Por que Jair Bolsonaro não submeteu ao povo carioca suas ideias, seus projetos e lançou-se candidato à Prefeitura do Rio, ou ao Governo do Estado, de maneira a contribuir com sua honestidade e afirmação? Se tivesse o feito, e sido eleito, teríamos como avaliar sua gestão, sua condução, seus resultados e sua capacidade de entregar o que promete. Bolsonaro se omitiu na política do Rio de Janeiro, assistiu seu estado entrar em colapso e não denunciou absolutamente ninguém. Com estas credenciais, lidera as pesquisas.

Nunca se ouviu uma palavra de Bolsonaro sobre essa gente que afundou o Rio de Janeiro. Não basta não roubar: um homem público decente, como ele se apresenta, tem que fazer mais que isso, tem que denunciar quem está roubando. Dar nome aos bois, constrangê-los publicamente e sofrer as consequências do isolamento, por quebrar o pacto de silêncio da máfia brasileira, os políticos, banqueiros e uma dúzia de empresários.

Ele já disse que não fala de banqueiro, mesmo sabendo que o sistema financeiro é um oligopólio que drena dezenas de bilhões de reais por ano da economia brasileira, nessa de “vender dinheiro” e cobrar taxas. Banco não produz nada, e no Brasil não vende nada a não ser dinheiro a juros desmoralizantes. Quem usa cartão de crédito, cheque especial, desconta uma duplicata ou pega empréstimo, sabe.

Bolsonaro, invés de denunciar os verdadeiros criminosos do estado dele e do país, há dois anos estava enaltecendo e parabenizando Eduardo Cunha, naquela sessão memorável na Câmara Federal, a votação do impeachment. Vejam https://www.youtube.com/watch?v=LrXRc3VmnMw

Cunha foi preso no ano seguinte, e das duas, uma: Ou Bolsonaro não sabia dos trambiques de Eduardo Cunha (que os registros datam de 1993, onde foi pego em esquemas de corrupção na TELERJ), ou ele silenciou ao invés de denunciar. Em ambos os casos, ele não serve. Se não sabia foi ingênuo, e se sabia foi omisso.

Para quem se autoproclama ético, honesto e Salvador da Pátria, na prática observo que não passa de um personagem inflamado e demagogo, que encarna o moralista antissistema, mas que na prática nada fez para enfrentá-lo. Nem no discurso de campanha, nem em sua atuação parlamentar. Resumiu-se a atacar o PT.

Bolsonaro, se vencer, será uma continuação desajeitada do governo Michel Temer. A mesma base política, os mesmos interesses duvidosos, estrangeiros e nacionais, a mesma política econômica liberal e, provavelmente, o mesmo desatino e consequente desmoralização da Presidência da República por mais quatro anos.

As empresas, os trabalhadores, os estudantes e as famílias vão aguentar?

Morghan Pontes é advogado

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