Caso a candidatura seja confirmada, a base governista enfrentará um desafio adicional na estratégia de eleger seus dois candidatos ao Senado

A entrada do deputado federal Mendonça Filho (PL) na disputa por uma vaga ao Senado deve alterar o desenho da corrida eleitoral em Pernambuco e criar um novo polo de competitividade no campo da centro-direita. Embora a oficialização da candidatura esteja marcada apenas para esta terça-feira (4), durante a convenção estadual do Partido Liberal, dirigentes da legenda já tratam o movimento como definido.
A candidatura, articulada em conjunto com o Podemos, fortalece o palanque do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) no Estado e tende a provocar uma redistribuição dos votos conservadores, especialmente na Região Metropolitana do Recife.
As informações foram obtidas pelo Blog Dellas, junto a fontes estaduais do PL, que afirmam que o partido já trabalha internamente com projeções eleitorais considerando Mendonça como candidato ao Senado. A expectativa é de que sua entrada represente uma das principais mudanças no tabuleiro político pernambucano desde a definição das chapas majoritárias.
O movimento ganha ainda mais relevância por envolver o Podemos, partido que integra a base da governadora Raquel Lyra (PSD) e permanece alinhado ao governo estadual. Na prática, a candidatura de Mendonça amplia a presença de nomes ligados ao mesmo campo político na disputa pelas duas vagas ao Senado.
Há dois dias, um gesto político reforçou os rumores da aliança. O ex-ministro do Turismo Gilson Machado, que recentemente deixou o PL para se filiar ao Podemos, publicou nas redes sociais uma fotografia ao lado de Mendonça Filho acompanhada da legenda: “Você quer um senador da direita?”. A postagem foi interpretada nos bastidores como um sinal claro de apoio ao deputado e uma antecipação da estratégia eleitoral que será oficializada na convenção desta terça-feira (4).
A movimentação ocorre em um momento em que a Federação União Progressista já confirmou o deputado federal Eduardo da Fonte como seu candidato ao Senado. Até então, a avaliação predominante era de que ele reuniria praticamente sozinho o eleitorado de centro-direita ligado à base governista. Com Mendonça na disputa, esse segmento passa a contar com duas candidaturas competitivas, modificando as projeções feitas até aqui.
Segundo informações apuradas pelo Blog Dellas, Mendonça comunicou a familiares e aliados, há cerca de duas semanas, que somente colocaria seu nome na disputa caso o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho não fosse o escolhido da federação para integrar a chapa da governadora Raquel Lyra.
Com a definição de que Miguel permaneceria fora da disputa, o cenário mudou. O ex-prefeito passou a declarar apoio à candidatura de Mendonça, juntamente com sua família. Os dois conversaram antes da convenção da governadora.
Caso a candidatura seja confirmada, a base governista enfrentará um desafio adicional na estratégia de eleger seus dois candidatos ao Senado: Túlio Gadelha (Rede) e Eduardo da Fonte (PP).
Ainda assim, especialistas ponderam que o desempenho da chapa majoritária costuma exercer forte influência sobre a eleição para o Senado.
Reprodução | JC | Larissa Aguiar