J.Borges está na moda praia, em capa de livros e em roupas infantis

Maior xilogravurista do Brasil, artesão de Bezerros é homenageado do Galo da Madrugada – Adriana Guarda – Jornal do Commercio

“Eu quero continuar minha vida assim: trabalhando, conversando com as pessoas e indo tomar uma dose de uísque com água de coco no Bar da Asinha quando terminar o expediente na sexta-feira”, gargalha J.Borges. Prestes a completar 84 anos em dezembro, o cordelista e xilogravurista pernambucano mantém a rotina de acordar às 6h, tomar café da manhã e descer para trabalhar no Memorial J.Borges, construído entre a sua casa e a do filho Pablo. Desde 2018, o artista tem reforçado a parceria com empresários interessados na sua obra. Dessa vez não são apenas compradores querendo distribuir xilogravuras com clientes ou fornecedores, mas uma nova tendência que poderia ser chamada de “J.Borges para consumo”. Marcas de moda praia, fabricantes de vestuário com proteção UV, grife de moda feminina e marca de roupa infantil estão lançando coleções com estampas do Patrimônio Vivo de Pernambuco.

“Fico feliz porque estou sendo procurado por empresas que valorizam o trabalho do artista popular, que pagam corretamente o valor cobrado pelo desenvolvimento das matrizes e pelo direito autoral. Mas sabemos que tem gente usando nossos desenhos por aí sem permissão e fico muito aborrecido com isso”, comenta Borges. O artesão também comemora uma característica comum a maioria das empresas que têm encomendado estampas para as suas coleções: o conceito de sustentabilidade. São marcas em busca de uma identidade com a cultura brasileira e de responsabilidade socioambiental.

As empresas não tiveram dificuldade de chegar a Borges porque ao longo de seus 63 anos de trajetória artística ele soube administrar a carreira ao lado da família e dos amigos e conquistar projeção nacional e internacional. “Atribuo o fato de meu trabalho estar no mundo inteiro a meu amigo Ariano (Suassuna) e a nunca ter me iludido pela fama e não ter cobrado preços exorbitantes pelas minhas peças. Sempre quis que minhas xilogravuras estivessem nas casas de deputados, de senadores e até de presidentes, como Fernando Henrique Cardoso me disse que tem na casa dele; mas também na casa do pedreiro, do carpinteiro e do agricultor”, assevera.

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