A TV Globo cancelou o debate entre os candidatos à Presidência da República que seria realizado na noite desta quinta-feira (1º). O encontro seria o último debate presidencial antes do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4).
Nos últimos dias, a composição do debate passou por mudanças após questionamentos levados à Justiça.
Na terça-feira (29), o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou que Romeu Zema (Novo) tivesse participação assegurada. O Novo havia recorrido à Justiça para questionar o critério utilizado na definição dos participantes.
A legislação eleitoral assegura a participação em debates aos candidatos de partidos que tenham representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. No pedido, o Novo argumentou que deveria ser considerada a composição atual de sua bancada, com cinco parlamentares. Nunes Marques acolheu o entendimento e assegurou a participação de Zema.
A situação de Renan Santos (Missão) foi diferente. O partido não alcançava a representação mínima que garante participação obrigatória. O caso passou a ser discutido após Lula (PT) informar que não participaria do debate.
Pelas regras estabelecidas pela Globo, em caso de desistência, a emissora poderia convidar outro candidato seguindo critérios definidos para o programa. Renan recorreu à Justiça sustentando que atendia aos requisitos previstos para ser chamado.
Inicialmente, Nunes Marques entendeu que o regulamento dava à Globo a possibilidade de fazer o convite, sem obrigá-la. Posteriormente, nesta quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a participação de Renan fosse assegurada, considerando o critério previsto no regulamento do debate.
Outra decisão, também nesta quinta-feira, tratou da ausência de Lula. A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a Globo não poderia manter no cenário um púlpito identificado com o nome do candidato ausente nem permitir a simulação de perguntas direcionadas a ele.
Em meio às mudanças, Flávio Bolsonaro (PL), que anteriormente havia confirmado presença, também informou que não participaria do encontro.
Ao anunciar o cancelamento, a Globo afirmou que as sucessivas decisões judiciais tomadas pouco antes do programa causaram “insegurança jurídica”. A avaliação é da própria emissora, apresentada no comunicado em que anunciou a decisão de não realizar o debate.
Com isso, não será realizado o encontro que seria o último debate entre os candidatos à Presidência antes da votação deste domingo (4).
Fontes: TV Globo, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lei nº 9.504/1997 e decisões judiciais citadas na matéria.