FLÁVIO MELO, O VISIONÁRIO QUE PARTIU ANTES DE VER A HISTÓRIA QUE AJUDOU A ESCREVER

Por Stênio Fonsêca
(Coordenador de campanha das RPAs 5 e 6 do Recife)

Há pessoas que passam pela nossa vida. E há pessoas que deixam marcas tão profundas que, mesmo depois de partirem, continuam presentes em tudo.

Flávio Melo | In Memoriam

Flávio Melo era assim.

Diretor fundador e proprietário do Bezerros Hoje, um dos mais tradicionais e de maior audiência veículos de comunicação de Bezerros e de toda a região, Flávio não era apenas um jornalista, comunicador ou empresário. Era um homem que enxergava além.

E talvez essa seja uma das coisas que mais fazem falta.

Faz falta abrir o celular e não encontrar sua análise. Faz falta ouvir sua opinião. Faz falta uma conversa sobre política. Faz falta aquele comentário certeiro, muitas vezes antes de todo mundo perceber o que estava acontecendo.

Faz falta no Carnaval, que ele tanto amava. Fez falta no São João. Faz falta nas ruas de Bezerros. Faz falta no cotidiano.

Mas, acima de tudo, faz falta saber que existe alguém do outro lado da mesa capaz de enxergar o que nós ainda não conseguimos ver.

Flávio era um dos homens mais inteligentes que tive a oportunidade de conhecer. Tinha um conhecimento profundo de política e comunicação, mas seu maior talento talvez fosse outro: a capacidade de antecipar os acontecimentos.

Flávio tinha visão.

E foi justamente essa visão que me ensinou uma das maiores lições que carrego até hoje.

Quando quase ninguém falava em Raquel Lyra, quando poucos acreditavam que aquela caminhada poderia se transformar no que se transformou, Flávio foi um dos primeiros a enxergar.

Foi ele quem criou, motivou e reuniu um pequeno grupo para acreditar naquela ideia ainda na eleição passada.

Enquanto muitos esperavam para ver para onde o vento sopraria, Flávio já estava olhando para onde a história poderia chegar.

Ele não precisava esperar as pesquisas apontarem. Não precisava esperar as multidões chegarem. Não precisava esperar a maioria acreditar.

Ele simplesmente enxergava.

E hoje, diante da reeleição de Raquel Lyra no primeiro turno, eu não consigo olhar para essa vitória sem lembrar dele.

Flávio não está aqui para comemorar.

Não está aqui para fazer aquela análise depois da apuração. Não está aqui para dizer o que acertamos ou onde erramos. Não está aqui para fazer uma nova leitura do cenário político.

Mas, de alguma maneira, ele está.

Porque uma pequena semente plantada por ele cresceu.

Aquele pequeno grupo que ele motivou ganhou novos rostos, ganhou novas forças, atravessou desafios e chegou até aqui.

E hoje eu quero dedicar a Flávio Melo um pequeno pedaço dessa vitória.

Não porque ele precise de homenagem para ser lembrado.

Mas porque nós precisamos lembrar de onde algumas coisas começaram.

Talvez Flávio, com sua capacidade de enxergar antes dos outros, já soubesse que aquele caminho poderia chegar até aqui.

E eu gosto de imaginar que, onde quer que esteja, ele esteja olhando para tudo isso com aquele jeito tranquilo de quem pensa:

“Eu avisei.”

Flávio partiu cedo demais.

Partiu antes de ver muitos dos capítulos que ajudou a construir. Partiu antes de acompanhar tantas histórias que certamente ainda teria opinião para dar.

Mas deixou algo que nenhum acidente consegue apagar: legado.

Deixou o Bezerros Hoje. Deixou amigos. Deixou ensinamentos. Deixou histórias. Deixou uma forma diferente de enxergar a política, a comunicação e a vida.

E deixou saudade.

Uma saudade que aparece nos grandes acontecimentos, mas principalmente nos pequenos momentos.

Porque é quando acontece alguma coisa importante que a gente pensa:

“Flávio precisava estar aqui para ver isso.”

Hoje, diante da vitória de Raquel Lyra, foi exatamente isso que pensei.

Flávio precisava estar aqui.

Mas como não podemos trazê-lo de volta, fazemos o que aqueles que amam alguém que partiu podem fazer: mantemos sua memória viva.

E se existe uma forma bonita de agradecer a quem nos ensinou tanto, é reconhecer sua importância enquanto seguimos caminhando.

Obrigado, Flávio.

Obrigado pelas conversas, pelos ensinamentos, pela confiança, pelas provocações, pelas análises e, principalmente, por ter sido um daqueles homens que enxergam o futuro quando quase todos ainda estão olhando para o presente.

A política perdeu um grande leitor de cenários.

A comunicação perdeu um grande nome.

Bezerros perdeu um dos seus grandes comunicadores.

E nós, que tivemos o privilégio de conviver com você, perdemos um amigo.

Mas a sua voz continua.

Continua em cada notícia do Bezerros Hoje.

Continua nas histórias que você ajudou a contar.

Continua nas pessoas que você incentivou.

Continua nas ideias que você plantou.

E continua, inclusive, em uma vitória que você não pôde testemunhar, mas para a qual, de alguma forma, também contribuiu.

Raquel Lyra foi reeleita governadora de Pernambuco no primeiro turno.

E hoje, Flávio, eu queria poder sentar ao seu lado, olhar para você e dizer:

“Você estava certo mais uma vez.”

Essa vitória também tem um pedacinho seu.

Descanse em paz, meu amigo.

Você fez falta no Carnaval. Fez falta no São João. Fez falta durante toda essa caminhada. E continuará fazendo falta todos os dias.

Mas enquanto houver alguém contando sua história, enquanto houver alguém lembrando dos seus ensinamentos e enquanto houver alguém disposto a continuar os sonhos e as ideias que você ajudou a plantar, Flávio Melo continuará presente.

E nós continuaremos olhando para frente.

Como você sempre fez.

Com visão. Com coragem. E alguns passos à frente de todo mundo.

Saudades eternas, Flávio.

Stênio Fonsêca

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