Candidatos discutiram responsabilidade fiscal, interiorização da saúde, violência contra a mulher, relação entre os Poderes, emendas parlamentares e mudanças climáticas e enchentes

O g1 realizou, na tarde desta quarta-feira (2), um debate ao vivo com candidatos ao Senado por Pernambuco. O encontro foi mediado pelo jornalista Márcio Bonfim e teve formato de mesa-redonda.
Participaram Mendonça Filho (PL), Túlio Gadelha (PSD), Humberto Costa (PT), Eduardo da Fonte (PP), Paulo Rubem Santiago (Rede) e Marília Arraes (PDT).
Durante o debate, os candidatos discutiram seis temas: responsabilidade fiscal, interiorização da saúde, violência contra a mulher, relação entre os Poderes, emendas parlamentares e mudanças climáticas e enchentes.
Pelas regras do debate, os candidatos tiveram um banco de 15 minutos para discutir os temas, com a ordem das intervenções organizada pelo mediador. Ao final, cada participante teve espaço para as considerações finais.
O Bezerros Hoje acompanhou o debate e reuniu, de forma resumida, os principais posicionamentos apresentados pelos candidatos em cada um dos temas.
Responsabilidade fiscal
O primeiro tema apresentou diferentes posições sobre equilíbrio das contas públicas, juros, gastos sociais e tributação.
Eduardo da Fonte defendeu a organização das contas públicas como forma de reduzir os impactos dos juros na vida da população. “Nós precisamos organizar as contas públicas porque ela tem impacto direto na sua vida.”
Marília Arraes afirmou que “responsabilidade fiscal não é sinônimo de gastar menos” e defendeu justiça tributária e uma economia fortalecida pelo aumento da renda e do consumo.
Paulo Rubem criticou o atual modelo e fez uma referência à cultura de Bezerros: “A expressão responsabilidade fiscal […] é igual a um papangu de Bezerros: por fora é uma coisa e por dentro é outra coisa.” O candidato também afirmou que pretende apresentar uma nova Lei de Responsabilidade para o Desenvolvimento.
Humberto Costa defendeu equilíbrio fiscal sem redução dos investimentos sociais. “O equilíbrio tem que ser buscado não simplesmente em cima dos mais pobres, mas olhando fim de privilégios.”
Túlio Gadelha citou as administrações do presidente Lula e da governadora Raquel Lyra e afirmou que a gestão estadual economizou recursos com a retirada de contratos e despesas consideradas desnecessárias, direcionando-os para investimentos.
Mendonça Filho relacionou desequilíbrio fiscal, inflação e juros e criticou a política econômica do governo federal. Ao defender redução de despesas, afirmou: “Não é cortando os mais pobres, não. É cortando nos privilégios do Judiciário, do Legislativo e do próprio Poder Executivo.”
Interiorização da saúde
Na saúde, os candidatos defenderam, por diferentes caminhos, a ampliação do atendimento à população do interior.
Eduardo da Fonte destacou ações na oncologia, cirurgias cardíacas, atendimento a crianças autistas e a proposta de unificação do prontuário eletrônico do SUS. “Levar saúde para perto das pessoas tem sido uma meta importante do nosso mandato.”
Túlio Gadelha destacou investimentos do Governo de Pernambuco, redução de filas para exames, reformas hospitalares e ações voltadas à saúde da mulher.
Humberto Costa relembrou sua atuação como ministro da Saúde e citou SAMU, Farmácia Popular, Brasil Sorridente e Hemobrás. Ao falar sobre prevenção e atendimento especializado, afirmou: “Não é uma coisa contra a outra. As duas coisas são importantes.”
Paulo Rubem concentrou sua participação na prevenção, alimentação, saneamento, esporte e educação para a saúde. “Quem se alimenta mal e passa fome adoece.” Também questionou a concentração do debate na construção e estruturação de hospitais e defendeu maior investimento em políticas preventivas.
Marília Arraes apontou a concentração dos serviços de média e alta complexidade na Região Metropolitana do Recife como um dos gargalos e defendeu hospitais regionais mais estruturados, especialistas no interior e políticas específicas para a saúde da mulher.
Mendonça Filho defendeu descentralizar serviços como hemodiálise e tratamento contra o câncer. O candidato também citou Bezerros ao mencionar: “Defendo a interiorização e pratico ela, inclusive viabilizando apoio para a Casa de Saúde Hospital São José, em Bezerros, um novo hospital regional em Belo jardim, apoio às prefeituras com relação às unidades básicas de saúde e um programa amplo de cirurgias eletivas, que é uma das demandas mais importantes da população pernambucana.”
Violência contra a mulher
No terceiro tema, os candidatos apresentaram propostas envolvendo prevenção, punição dos agressores, acolhimento às vítimas e independência financeira.
Humberto Costa destacou o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e defendeu assistência social, psicológica e financeira. “Muitas vezes a mulher está numa relação abusiva e não sai porque ela não tem como se sustentar.”
Mendonça Filho defendeu o endurecimento das punições para autores de crimes contra mulheres. Sobre feminicidas, afirmou: “Tem que cumprir a pena na sua integralidade.” Também defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos.
Paulo Rubem defendeu educação e prevenção e afirmou: “Ninguém nasce feminicida, estuprador.” Também propôs ampliar a estrutura de atendimento às mulheres e destinar mais recursos para políticas de proteção.
Marília Arraes defendeu Delegacias da Mulher funcionando 24 horas, salas Lilás, atendimento psicológico, qualificação profissional e independência econômica. “Nenhuma mulher pode buscar o Estado e encontrar a porta fechada.”
Eduardo da Fonte defendeu o uso de tornozeleira eletrônica para agressores e ações de profissionalização das mulheres. “Nós temos que fortalecer também as mulheres. Nós temos que deixá-las independentes.”
Túlio Gadelha destacou a ampliação dos recursos estaduais destinados às políticas de enfrentamento à violência contra a mulher e defendeu assistência psicológica, jurídica e social às vítimas.
Relação entre os Poderes
A relação entre Executivo, Legislativo e Judiciário gerou alguns dos principais contrapontos entre os candidatos.
Eduardo da Fonte defendeu a independência entre os Poderes e propôs limitar a oito anos o mandato de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Túlio Gadelha discordou da proposta, argumentando que mudanças frequentes poderiam gerar instabilidade. “Atacar as instituições é um risco grande à democracia.”
Paulo Rubem defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas independentemente do Poder envolvido. “Qualquer indício de corrupção, irregularidade, de ilícito ou de privilégio […] tem que ser literalmente investigado.”
Humberto Costa defendeu a autonomia entre os Poderes e afirmou que poderia votar pelo impeachment de ministro caso crimes ou quebra de decoro fossem comprovados dentro do devido processo legal.
Mendonça Filho criticou a atuação do STF e afirmou existir desequilíbrio entre os Poderes. “Uma democracia não há intocáveis, não há poder acima do outro.” Também defendeu respeito ao devido processo legal.
Marília Arraes defendeu a separação dos Poderes e afirmou que eventuais processos contra ministros devem ser analisados individualmente, com respeito ao devido processo legal e sem transformar o tema em uma disputa política generalizada.
Emendas parlamentares
No debate sobre emendas parlamentares, os candidatos abordaram transparência, critérios para destinação dos recursos e o papel das emendas no orçamento público.
Eduardo da Fonte defendeu a manutenção das emendas com foco em resultados para a população. “É com muita transparência que eu defendo a indicação das emendas parlamentares.”
Paulo Rubem propôs suspender por dois anos a apresentação de emendas e criar um “Código de Ética do Orçamento Público”.
Túlio Gadelha defendeu o modelo de emendas participativas adotado por seu mandato, com consulta pública para definição de projetos. “As pessoas decidem prioridade do orçamento.”
Humberto Costa afirmou que as emendas podem ajudar os municípios, mas defendeu critérios e “absoluta transparência” sobre a origem, o destino e a aplicação dos recursos.
Mendonça Filho resumiu sua posição em dois requisitos: “transparência e limitação”, defendendo prioridade para áreas como saúde e saneamento básico.
Marília Arraes criticou o uso das emendas como instrumento de negociação política e afirmou que pretende manter diálogo com as prefeituras pernambucanas, independentemente do alinhamento político.
Mudanças climáticas e enchentes
No último tema sorteado, os candidatos abordaram prevenção de desastres, preservação ambiental, barragens e preparação das cidades para eventos climáticos extremos.
Humberto Costa defendeu políticas de combate ao desmatamento, transição energética e a construção de uma barragem na Mata Norte para ajudar na prevenção de enchentes.
Túlio Gadelha defendeu cidades mais resilientes e investimentos em obras estruturantes. Também criticou as políticas de prevenção aos alagamentos adotadas no Recife durante as gestões do PSB.
Marília Arraes chamou atenção para a desigualdade nos impactos dos eventos extremos. “As vítimas das tragédias climáticas elas têm CEP, têm cor, têm classe social e têm gênero.” A candidata defendeu recursos para a conclusão de cinco barragens na Mata Sul e obras contra alagamentos no Recife.
Paulo Rubem defendeu integrar habitação, saneamento, drenagem, Defesa Civil e mobilidade urbana em um mesmo planejamento. “Quem morre em cima e embaixo das barreiras tem pressa, quem vê sua casa alagada perdendo patrimônio também tem pressa.”
Eduardo da Fonte defendeu investimentos em preservação ambiental e obras estruturantes, incluindo uma barragem na Mata Norte para reduzir os riscos de alagamentos em municípios da região.
Mendonça Filho citou sua atuação no projeto Viva o Morro e defendeu proteção de encostas, matas ciliares e construção de barragens, incluindo a do Engenho Maranhão, na bacia do Rio Ipojuca.
Considerações finais
Nas considerações finais, os seis candidatos tiveram espaço para reforçar suas prioridades, trajetórias e posicionamentos antes do encerramento do debate.
Mendonça Filho destacou sua experiência política, afirmou ter ficha limpa e defendeu independência no exercício do mandato. Reforçou a aliança com a governadora Raquel Lyra e apontou saúde, educação e segurança pública entre suas prioridades.
Túlio Gadelha defendeu a continuidade dos investimentos realizados em Pernambuco e citou ações nas áreas de infraestrutura, educação, segurança e geração de empregos. Reafirmou seu apoio à governadora Raquel Lyra e ao presidente Lula.
Humberto Costa ressaltou sua experiência em funções públicas e sua atuação no Senado em defesa de Pernambuco. Destacou sua proximidade política com o presidente Lula e reafirmou apoio à candidatura de João Campos ao Governo do Estado.
Eduardo da Fonte afirmou que pretende enfrentar no Senado temas relacionados às redes sociais para menores de 14 anos e aos impactos das apostas on-line sobre as famílias. Também voltou a defender a interiorização da saúde, citando o atendimento oncológico no Sertão do Araripe e investimentos em hospitais que atendem pelo SUS.
Paulo Rubem destacou sua trajetória na educação e no movimento sindical e defendeu pautas relacionadas à educação pública, agricultura familiar, reforma agrária e direitos dos trabalhadores. Também voltou a criticar as apostas on-line e abordou questões ambientais.
Marília Arraes apresentou sua trajetória como advogada, vereadora e deputada federal e destacou projetos relacionados aos direitos das mulheres, entre eles a distribuição de absorventes e a prioridade no atendimento pelo SUS para vítimas de violência doméstica. Também ressaltou ser a única mulher entre os candidatos presentes e reafirmou apoio ao presidente Lula e a João Campos.
Assista ao debate na íntegra pelo canal do g1 no YouTube. Clique no link e confira.
Fonte: debate promovido pelo g1 | Texto adaptado pela Redação do Bezerros Hoje