
Os fardos de João
Parece que não tem sido fácil para o candidato do PSB a prefeito do Recife, João Campos (PSB), botar no colo, ou seja, na telinha da sua propaganda eleitoral, os dois puxadores da sua campanha para baixo, que atendem pelo nome de Paulo Câmara e Geraldo Júlio, que por acaso estão – e nada é para sempre – governador do Estado e prefeito do Recife, respectivamente. O primeiro ganhou o campeonato do pior gestor da República Pernambucana dos últimos 50 anos.
O segundo não fica muito atrás. Tem mais da metade da população recifense reprovando a sua gestão, algo beirando a casa dos 60%. Na verdade, para ser mais preciso, chega a exatos 56% de péssimo e ruim. Querer apadrinhar um candidato com tamanha rejeição é muita pretensão, é jogar o aliado na jaula dos leões. Pressionado pelo vaidoso Geraldo, que se acha a última Coca Cola do deserto recifense, João até cedeu em botar a carinha do bola murcha na TV, mas seus marqueteiros, sabidos, resistiram. E com razão!
Já Câmara Lenta, nem pensar. Sequer foi cogitado. Também pudera: não há na história recente do Estado um governador tão ruim de serviço. No seu Governo, nada funciona. Xodó do ex-governador Eduardo Campos, o Pacto pela Vida virou letra morta, matado, literalmente, pela sua incompetência. O Estado voltou a ser um dos mais violentos do País. A saúde virou um caos. Não paga em dia sequer o salário dos profissionais da área, que arriscam a vida na pandemia do coronavírus.
O Hospital Regional do Agreste é o exemplo mais recente desse desastre administrativo. Ali, médicos, enfermeiros e técnicos há quatro meses não veem a cor do dinheiro para pagar suas despesas mensais. As estradas, a maior piada da gestão socialista de mentirinha, viraram passaporte para a morte. Esburacadas, sem sinalização e sem conservação, mais para tábua de pirulito, do litoral ao Sertão são um horror, um filme de assombração.
Se Geraldo e Câmara Lenta estivessem em sintonia com a sociedade, João não os transformaria em estrelas do seu guia eleitoral? A resposta é óbvia e tem parâmetros: foi Eduardo que elegeu Geraldo com a piada de mau gosto “foi Geraldo que fez”, todo dia no guia. Foi João Paulo, lá atrás, que elegeu o poste João da Costa. Foi Lula que elegeu e reelegeu Dilma. Governante bem avaliado elege sucessor e postes também. Dilma e João da Costa foram dois postes sem luz.
Geraldo e Paulo são dois fardos.