CENÁRIO

A partir de hoje, o bezerroshoje estará republicando a coluna do jornalista Inaldo Sampaio, que traz uma leitura importante do cenário político estadual e nacional.

Do ponto de vista formal, o maior partido de oposição ao governo Dilma ainda é o PSDB, que controla Estados importantes como São Paulo, Minas, Paraná e Goiás. Mas do ponto de vista real o espaço da oposição foi ocupado por Eduardo Campos e Marina Silva, ou seja, pelo PSB e a Rede Sustentabilidade. O PSDB “dormiu no ponto”, como diz o prefeito Elias Gomes, deixando que o espaço que lhe pertencia fosse ocupado por dois ex-ministros do governo Lula.

Basta dar uma olhada nas páginas dos jornais dos últimos sete dias para se chegar a essa conclusão. O noticiário político foi todo ocupado pela movimentação de Marina e de Eduardo Campos. Até uma palestra feita por Aécio Neves, em Nova York, na última terça-feira, para investidores estrangeiros, mereceu uma nota de canto de página no mais influente jornal do país, que é a Folha de São Paulo. A mídia perdeu interesse pelo que ele diz e também pelo que faz.

Daí a preocupação de Lula e seus seguidores com o governador de Pernambuco, recomendando às direções regionais do PT que não façam aliança com o PSB nas próximas eleições. O ex-presidente sabe, por experiência própria, que quem ameaça a reeleição de Dilma não é o senador mineiro, que não consegue empolgar sequer o seu próprio partido, e sim o PSB e a Rede.

Decreto – Se vingar a ordem de Lula, os governadores Camilo Capiberibe (AP) e Renato Casagrande (ES), ambos do PSB, não terão mais na vice um membro do PT.

Calma! – Lula, segundo petistas de PE, está doido para bater em Eduardo Campos. Mas como já reconheceu em público a legitimidade da candidatura dele, está impedido.

Friboi – Donos do grupo JBS, que detém a marca “Friboi”, os irmãos Joesley e Wesley Batista estiveram anteontem no Recife, mas não viram Eduardo Campos. Joesley chegou a se filiar ao PSB para disputar o governo de GO, mas depois correu para o PMDB.

Tronco – De Cid Gomes (CE) sobre o apoio de Marina Silva à candidatura de Eduardo Campos: “Os dois têm raízes aqui. Marina é filha de cearenses e Eduardo é neto (do cearense Miguel Arraes)”. Foi mais elegante com o ex-colega de partido do que o irmão, Ciro, que o chamou de “zero” numa entrevista tresloucada que deu à imprensa cearense.

Programa – A média de opiniões nas rodas políticas de Pernambuco sobre o programa do PSB que foi ao ar anteontem à noite, em cadeia de rádio e TV, é a seguinte: os cinco primeiros minutos foram desperdiçados com depoimentos “feijão com arroz”. Mas os últimos cinco foram nota 10.

Xiita 1 – Marina Silva deu novo verniz à candidatura presidencial de Eduardo Campos, mas ainda vai dar trabalho ao governador se não contiver o seu “xiitismo”. É louvável a defesa que ela faz da “nova política”, mas é preciso ter cuidado para não desmanchar as alianças que o PSB já tinha feito.

Xiita 2 – A ex-senadora não acha absurdo um candidato a presidente da República dialogar com banqueiros, grandes empresários, dirigentes de multinacionais, etc. Mas se opôs à aliança dele com Ronaldo Caiado (DEM-GO) que representa legitimamente, na Câmara, os interesses do agronegócio.

Cargos – Diplomática e elegantemente, como é o seu estilo, o senador Armando Monteiro devolveu ontem a Eduardo Campos os cargos que o PTB detinha no governo estadual e na PCR. O PT ainda não marcou data para devolver a Secretaria de Cultura, mas não passará do mês de novembro.

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