NOVA POLÍTICA
Convicto de que a maioria dos brasileiros aspira a um país com uma “nova política”, o ex-governador Eduardo Campos lançou-se na campanha presidencial com um compromisso ousado: mandar para casa ou representantes da “velha”, ou, caso isso não seja possível agora, empurrá-los à oposição. Lembre-se que essa era também a aspiração de FHC e Lula quando se elegeram presidente. Porém, como a realidade se sobrepôs ao desejo, FHC teve que dar a vice ao PFL (Marco Maciel) e oferecer dois ministérios a ACM para garantir a “governabilidade”. Lula empurrou, de fato, o PFL para a oposição. Mas para formar maioria no Congresso teve que dar cinco ministérios ao PMDB. Dilma também agiu assim pela simples e óbvia razão de que, com o apoio solitário do PT que tem apenas 13 senadores e 80 deputados federais, não se consegue governar. É o que também fará Eduardo Campos se porventura eleger-se presidente.
Em nome da governabilidade
Dilma é tão dependente do PMDB para garantir a “governabilidade” que se obrigou a nomear para ministérios pessoas filiadas a esse partido que sequer conhecia. Além disso, mantém o pernambucano (eleito por Roraima) Romero Jucá Filho (PMDB) como “líder de fato” do governo no Senado, após ele ter exercido esse mesmo cargo nos governos de FHC e Lula. E no Senado é refém de Renan Calheiros e, na Câmara, de Henrique Alves, ambos peemedebistas.
Meio apoio – Em visita a Campinas (SP), Eduardo Campos foi recebido pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) que vota nele para presidente e em Geraldo Alckmin (PSDB) para governador. É uma “taxa de solidariedade” maior que a do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), que vota em Aécio para presidente e em Pimenta da Veiga (PSDB) para governador.
Oferta – Se o PSB lhe der passagem e hospedagem, a vereadora Célia Cardoso (Arcoverde) topa ficar em SP até setembro fazendo campanha para Eduardo Campos em pontos de ônibus.
Defecção – A perda do prefeito de Gravatá, Bruno Martiniano (PTB), para o palanque de Paulo Câmara (PSB) já era esperada há muito tempo por aliados do senador Armando Monteiro.
Timing – Mendonça Filho (DEM) está demorando tanto a declarar seu apoio à candidatura de Paulo Câmara (PSB) que quando marcar a data para oficializá-lo não terá mais graça nenhuma.
Conforto – Cria política de Miguel Arraes, o deputado Odacy Amorim (foto) foi obrigado a trocar o PSB pelo PT por conta da política de Petrolina. Mas está tão bem em seu novo partido que será um dos coordenadores da campanha de Armando (PTB) no São Francisco.
Liderança – Pelos dados cruzados pelo Datafolha, Dilma (PT) lidera hoje a corrida presidencial nos dois extremos: tem 31 de “eleitores convictos” (que não admitem mais mudar o voto) e 42% de “causa perdida” (que dizem não votar nela de jeito nenhum).
Tem mais – Para quem acha que o Brasil já tem partidos políticos em excesso (31), outros 20 estão em processo de coleta de assinaturas para requerer registro no TSE. Estão nessa lista a Rede Sustentabilidade (de Marina Silva), o PN (Partido Novo), o PEC (Partido Educação e Cidadania), o PGT (Partido Geral do Trabalho) e o PLD (Partido Liberal Democrata).
Marcação – Escalado por Aloízio Mercadante (Casa Civil) para bater em Eduardo Campos na campanha presidencial, Ciro Gomes (PROS-CE) está calado por entender que ainda não é hora de fazê-lo. A duras penas está conseguindo conter a língua porque suas atribuições como secretário de saúde do irmão, Cid, governador do Ceará, estão lhe consumindo 18h de trabalho por dia.