Fogo Cruzado -por Inaldo Sampaio

O governador eleito de Minas, Romeu Zema, não está conseguindo sequer formar o time

Os ventos da mudança que levaram Bolsonaro à Presidência da República chegaram também a alguns estados, além do Distrito Federal. Empunhando o discurso mudancista, elegeram-se Eduardo Leite no Rio Grande do Sul, Ratinho Júnior no Paraná, Comandante Moisés em Santa Catarina, Romeu Zema em Minas Gerais, Wilson Witzel no Rio de Janeiro, Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte e Ibaneis Rocha no Distrito Federal. Salvo Eduardo Leite, que já foi prefeito de Pelotas, nenhum dos outros tem experiência de governo e por isso estão mais sujeitos a erros do que a acertos. Ratinho Júnior ostenta no currículo o fato de ser filho do apresentador de TV Ratinho pai, e nada mais. Comandante Moisés é apenas um militar da reserva que pegou carona no discurso bolsonarista e Romeu Zena o dono de um rede de lojas em Minas com 450 unidades e 5 mil empregados. Wilson Witzel é um juiz aposentado que pensa que resolverá os problemas do Rio matando bandidos, Fátima Bezerra foi impulsionada pela força de Lula no Nordeste e Ibaneis Rocha é apenas um advogado bem sucedido, em Brasília, que declara possui um patrimônio de 100 milhões de reais. Há em comum entre o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Norte o fato de serem estados quebrados, cuja folha de aposentados e pensionistas é superior à dos servidores da ativa. E seus problemas não serão resolvidos apenas com discursos. Para terem idéia de como governador é uma atividade complexa, Zema não está conseguindo sequer formar o secretario. Não quer políticos no primeiro escalão e os empresários que ele convidou recusaram o convite.

Pelo entendimento

Embora Bolsonaro tenha sido derrotado em todos os estados do Nordeste, os governadores já fizeram aceno ao presidente eleito de que pretendem colaborar com o Palácio do Planalto. Os primeiros que estenderam a mão ao novo presidente foram Camilo Santana (CE), Wellington Dias (PI), Renan Filho (AL) e Belisário Chagas (SE). Paulo Câmara (PE) ainda está calado.

Pau a pau – A família Ferraz, de Floresta, lançou a candidatura do tenente-coronel Fabrizio Ferraz a deputado estadual, de última hora, para evitar que Rodrigo Novaes (PSD) estourasse de votos no município. Os dois foram eleitos. Mas Rodrigo já esperava e Frabrízio, não.

O traidor – João Doria, governador eleito de SP, já fala como dirigente máximo do PSDB. Passou a perna em FHC, Alckmin, Serra e Alberto Goldman e já fala em antecipar a convenção nacional do partido para mandar Alckmin embora para casa. Traição em política é isto.

Como fazer? – Bolsonaro e seu futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, deixaram a nova safra de governadores animada com a promessa de que o próximo governo terá “menos Brasilia e mais Brasil”. Há uma grande curiosidade dos governadores para saber como isto será feito.

Briga feia – Caso o presidente eleito decida mesmo extinguir o Ministério do Trabalho, estará comprando, desnecessariamente, uma briga com as centrais sindicais. A pasta está totalmente esvaziada mas tem uma simbologia muito grande por ter sido criada por Getúlio Vargas.

Sem noção – O Governo de Pernambuco ainda não fez o cálculo de quanto será o impacto na folha em decorrência do reajuste de 16% aprovado pelo Senado para os ministros do STF. O “efeito cascata” desse aumento vai dos ministros do STF aos juízes de primeiro grau.

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Prefeito Branquinho entre as 50 personalidades pernambucanas homenageadas pelo TCE

O prefeito de Bezerros, Severino Otávio (Branquinho), está sendo homenageado nesta quinta-feira (8), por fazer parte dos 50 anos de história do Tribunal de Contas do Pernambuco.

(Inaldo Sampaio) Poucas instituições em Pernambuco têm 50 anos e uma delas é o Tribunal de Contas, completados em outubro último. Nascido de um projeto de lei de autoria do então governador Nilo Coelho, o TCE substituiu a precária fiscalização do Estado e dos Municípios que era exercida por servidores da Secretaria da Fazenda. Hoje, é uma das instituições mais modernas e bem equipadas do país, com técnicos de altíssimo nível recrutados por concurso público. Continue lendo aqui

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Fogo Cruzado – por Inaldo Sampaio

O TCE entregará hoje a medalha dos seus 50 anos a 50 personalidades pernambucanas

Poucas instituições em Pernambuco têm 50 anos e uma delas é o Tribunal de Contas, completados em outubro último. Nascido de um projeto de lei de autoria do então governador Nilo Coelho, o TCE substituiu a precária fiscalização do Estado e dos Municípios que era exercida por servidores da Secretaria da Fazenda. Hoje, é uma das instituições mais modernas e bem equipadas do país, com técnicos de altíssimo nível recrutados por concurso público. Tem uma respeitada Escola de Contas para capacitar gestores públicos, uma Ouvidoria para receber reclamos da população, particularmente denúncias que geralmente são procedentes e se transformam em processos para serem enviados ao Ministério Público, um Núcleo de Engenharia com 100 profissionais da área para a fiscalização de obras públicas e cinco Inspetorias Regionais de Controle Externo no interior para deixá-lo mais perto do cidadão. Muitas de suas auditorias se tornaram emblemáticas, entre elas a que foi realizada no processo de venda da Celpe, que culminou com a elevação do preço mínimo do leilão em R$ 623 milhões. Hoje, graças ao avanço da informática, o TCE presta uma gama de serviços à sociedade que muitas vezes passa despercebida pelo cidadão. Além do seu trabalho de rotina, que é fiscalizar as contas do Governo do Estado, da Assembleia Legislativa, do Tribunal de Justiça, das Prefeituras e Câmaras Municipais, elabora o “ranking” dos municípios pelo critério da transparência e do respeito à legislação ambiental, faz levantamento de obras inacabadas, da saúde financeira dos fundos próprios de previdência, etc. O seu Jubileu de Ouro será comemorado nesta quinta-feira, às 17h, com a entrega de uma medalha a 50 personalidades pernambucanas, vivas ou já falecidas, que de maneira direta ou indireta deram sua contribuição para o aprimoramento do controle externo.

A heterogeneidade do PSB

A ministra da Agricultura do governo Bolsonaro será a deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS). Ela é fazendeira naquele Estado, filiada à UDR (União Democrática Ruralista) e um dos principais porta-vozes do agronegócio. Mesmo assim, integrou os quadros do PSB até 2017, tendo vencido Tadeu Alencar (PE) na disputa pela liderança da bancada na Câmara Federal.

O quarteto – A oposição petistas no Senado a partir de 2019 será comandada por um quarteto que tem história no partido e proximidade com Lula: Humberto Costa (PE), Jaques Wagner (BA), Zeca do PT (MS) e Paulo Paim (RS). O 5º seria Dilma, mas ela foi derrotada em MG.

A visita – Presidida por Aluísio Lessa (PSB), a Comissão de Desenvolvimento Econômico da Assembleia Legislativa fará hoje uma visita aos estaleiros do Porto de Suape, que estão na iminência de fechar por falta de encomendas. Já empregaram 18 mil pessoas e hoje empregam apenas 3 mil.

A emenda – Eduardo da Fonte (PP) destinou uma de suas emendas ao OGU de 2019, no valor de R$ 5 milhões, para o Hospital do Câncer de Pernambuco. O dinheiro será destinado à compra de um aparelho de radioterapia de última geração. O que tem lá foi adquirido em 1963.

A bomba – Mais de 90% dos municípios pernambucanos estão com seus fundos próprios de previdência deficitários,  mas é como se não estivesse acontecendo nada. Essa “bomba” ficará mais clara depois que o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, empenhar-se pela aprovação da reforma previdenciária.

O esquecido – Até agora, não se ventilou o nome de nenhum nordestino para o ministério de Bolsonaro. O presidente eleito foi derrotado nos 9 estados da região e não tem interlocução com nenhum de seus governadores. Mas Renan Filho (AL) já sinalizou que pretende aproximar-se dele.

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Fogo Cruzado – Por Inaldo Sampaio

Moro tem prestígio popular e poderá ser convocado para disputar as eleições de 2022 

O juiz Sérgio Moro tem recebido criticas do PT e de outros partidos por ter aceitado o convite de Jair Bolsonaro para ser seu ministro da Justiça. Figuram entre os seus críticos o ex-ministro Ciro Gomes e o senador Romero Jucá, para os quais ele deixou de ser magistrado há muito tempo. Teria virado “político”, na acepção literal do termo, desde que passou a julgar os processos da Operação Lava Jato. Moro parece incomodado com a acusação e cada vez que dá explicações fica mal na fita. Alegou inicialmente que vai assumir um “cargo técnico”, a convite do presidente eleito, para pôr em prática uma política de estado de combate à corrupção, esquecido de que o cargo é “político” e que ficará subordinado à caneta do presidente. Mais recentemente, numa palestra feita em Curitiba, afirmou não pretender, “jamais”, disputar cargo eletivo, o que foi outro erro de sua parte, dado que tem prestígio popular e poderá ser convocado para disputar a Presidência da República em 2022, caso Bolsonaro cumpra a promessa de não disputar a reeleição. A propósito do “jamais”, em 1982, ao disputar o governo de Minas, Tancredo Neves declarou que não havia “força humana” capaz de convencê-lo a renunciar ao mandato para disputar a sucessão do general João Figueiredo. Um ano de quatro meses depois, questionado por que estava rasgando a promessa de cumprir integralmente o mandato de governador, respondeu mineiramente: “Eu realmente disse que não renunciaria ao  mandato de governador, mas não tenho como recusar uma convocação da Pátria”. A Pátria realmente o convocou para ser presidente da República e ele curvou-se à convocação. Moro nasceu no interior do Paraná e por estar na magistratura há 22 anos, desconhece os meandros da política.

Gol contra

Pegou mal para o governo Paulo Câmara a extinção da Delegacia de Crimes contra a Administração Pública (DECASP) e sua substituição por outro órgão, cujo ocupante estará diretamente subordinado ao gabinete do governador. Até o procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol, que costuma meter-se em tudo, solidarizou-se com a delegada Patrícia Domingues.

O perfil – Quem leu o perfil de Paulo Guedes, publicado na revista “Piauí” de 20/09, deve está-se perguntando como um economista de temperamento desagregador, como o dele, irá comandar o Ministério da Economia. Bolsonaro, até agora, o considera “um presente de Deus”.

O carão – Ex-deputado federal pelo PFL de São Paulo, quando se ligou muito a Marco Maciel, o economista Marcos Cintra levou um carão público de Bolsonaro por ter escrito um artigo em defesa do imposto único sem combinar com Paulo Guedes, de quem será subordinado.

A seca – Quando governador, Arraes sempre se negou a decretar “situação de emergência” em municípios castigados pela seca, desacompanhada de ações para enfrentar o problema. Hoje, há dezenas de municípios pernambucanos nessa situação sem ter sequer um carro-pipa para levar água a quem não tem.

Os gastos – Um Estado como Alagoas estar gastando 61% de sua receita corrente líquida com a folha de pessoal é um escândalo. Mas escândalo ainda maior é o Paraná e Santa Catarina estarem gastando esse mesmo percentual. Pela Lei de Responsabilidade Fiscal, o limite é 54%.

Viva Rafael! – Morreu em São José do Egito o agricultou Rafael Marçal, que fundou o MDB local em 1972 em companhia do médico José Augusto, que viria a ser prefeito de Diadema (SP). Na Câmara Municipal, o vereador Rona Leite (PT) o homenageou com essas palavras: “Viva Fidel, Che Guevara e Rafael Marçal!”.

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Fogo Cruzado -Por Inaldo Sampaio

Da prisão, Lula determinou ao PSB e ao PCdoB como deveriam se comportar nessas eleições

Apesar de preso em Curitiba, o ex-presidente Lula foi o principal personagem da última eleição presidencial até a confirmação pelo PT de que o candidato não seria ele, porquanto enquadrado na Lei da Ficha Lima, e sim o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Lula liderou as intenções de voto até agosto e enquanto era o primeiro nas pesquisas, dava-se ao luxo de pautar a imprensa da cela onde se encontrava recolhido, e até seus próprios adversários. Escreveu dezenas de cartas para correligionários, determinou que o PSB ficasse neutro na eleição para evitar que o partido caísse nos braços de Ciro Gomes e ordenou ao PCdoB que desistisse da candidatura própria de Manuela D’Áviila em troca da candidatura dela a vice de Haddad. Como esse repertório se esgotou com a vitória de Jair Bolsonaro, Lula tenta se manter na mídia, como vítima, às custas do juiz Sérgio Moro. Solicitou ontem ao STF que reconheça a suspeição do juiz paranaense para julgá-lo e que decrete a nulidade de todos os atos processuais relativos ao tríplex do Guarujá, motivo de sua condenação por parte do magistrado. Teria ficado “indignado”, segundo versão da senadora Gleisi Hoffmann, pelo fato de Moro ter aceitado o convite de Bolsonaro para ser seu ministro da Justiça. Ora, o magistrado pode até ter-se excedido na condução desse processo mas todas as sentenças que prolatou foram confirmadas pelos tribunais superiores nos quais o ex-presidente impetrou recurso. Bem verdade que Moro sempre revelou um “viés político”, assim como seus colegas procuradores da Lava Jato. Mas pedir a nulidade de todos os atos processuais que praticou só porque será ministro de Bolsonaro é um exagero. Se Moro cometeu erros, Lula continua errando mais que o juiz que o condenou.

Carne de pescoço

O relator do habeas corpus de Lula no STF, relativamente ao pedido para que declare Moro “suspeito” para julgá-lo, é o ministro Édson Fachin, também conhecido como “carne de pescoço”. Seu único voto favorável a Lula na Lava Jato foi quando reconheceu como válido um parecer de dois membros do comitê de Direitos Humanos da ONU a favor de sua elegibilidade.

O xerifão – Se Raul Jungmann não fosse ministro de Michel Temer, tinha chance de trabalhar com Sérgio Moro no Ministério da Justiça. Os dois se relacionam bem e já trocaram diversos telefonemas em razões dos cargos que ocupam. O time de Moro será basicamente da Lava Jato.

Sem acordo – Se quiser o apoio da CUT para sua reforma previdenciária, Bolsonaro terá que esquecer a de Michel Temer e enviar outro projeto ao Congresso. A afirmação foi feita no Recife pelo deputado federal eleito Carlos Veras (PT), presidente da CUT estadual.

A exceção  – Militares e pastores foram categorias bem votadas este ano para o Congresso Nacional. Uma das exceções foi o coronel Luiz Meira, que não se elegeu deputado federal em Pernambuco. Entrou tarde na campanha e não houve tempo para se tornar conhecido.

 O campeão – Na Bahia, o campeão de votos para a Câmara Federal foi o Pastor Sargento Isidório (Avante). Unindo a farda e a religião, ele obteve 323.264 votos.

A confusão – Diferentemente do que se disse ontem na coluna, a mulher de Fernando Haddad (PT) chama-se Ana Stela e não Ana Amélia (PP). Esta última foi a vice de Alckmin (PSDB).

Na mídia – Crateús, no interior do Ceará, passou a ser presença constante nas redes sociais depois que se soube ser a terra de Vicente Paulo Reinaldo, “Paulo Negão”, sogro do presidente eleito Jair Bolsonaro. Mas a filha Michelle não nasceu lá, e sim em Ceilândia (DF).

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Fogo Cruzado – por Inaldo Sampaio

Superministro Paulo Guedes também terá prazo de validade

Após admitir, com humildade, em sua campanha eleitoral, que nada entendia de economia, o presidente eleito Jair Bolsonaro deu “graças a Deus” por ter encontrado um economista independente para orientar-lhe os passos na área em que se confessa analfabeto. Trata-se do economista Paulo Guedes, que costuma dizer que ficou rico sem nunca ter trabalhado para nenhum governo. Muito pelo contrário, tem sido crítico inveterado de todos os planos econômicos lançados no Brasil nos últimos 30 anos, do Cruzado de Sarney à nova matriz econômica do governo Dilma. Guedes conseguiu convencer o presidente eleito a juntar no superministério da Economia os Ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Desenvolvimento Economico, que terá ele no comando e mais ninguém. Nesse primeiro momento, é natural que Bolsonaro tenha lhe conferido superpoderes porque o ministro alega que precisa deles para colocar o Brasil nos eixos. No entanto, sua presença no governo terá prazo de validade. Um ou no máximo dois anos. Se sua política ultraliberal não der resultado, ele vai arrumar a sacola e voltar para seus fundos de investimentos. Bolsonaro não o bancará se o Brasil não voltar a crescer a partir de 2020.

Homenagem póstuma

O advogado Antonio Campos foi ontem com a mãe, Ana Arraes, ao cemitério de Santo Amaro, no Recife, colocar flores nos túmulos do avô, Miguel Arraes, do pai, Maximiano Campos, e do irmão, Eduardo.

Agenda – O PT está chegando à conclusão que tem de mudar a agenda para fazer oposição a Bolsonaro. Martelar apenas no “Lula livre” não sensibiliza mais nem o ex-presidente.

A terra – Araripe, no cariri cearense, onde nasceram o ex-governador Miguel Arraes e o ex-deputado Alencar Furtado (PR), deu mais de 90% dos votos a Haddad no 2º turno.

Tá fora – A poderosa máquina do PT baiano, que reelegeu com mais de 60% dos votos o governador Rui Costa, deixou pelo caminho o deputado federal e ex-presidente da Chesf, José Carlos Aleluia (DEM), que não conseguiu reeleger-se.

O difícil – Do ex-ministro Mailson da Nóbrega sobre o futuro governo Bolsonaro: “Mais difícil do que construir uma maioria no Congresso é manter essa maioria”.

O pessimista – “No geral, não estou otimista”, disse o ex-embaixador Rubens Ricupero, que foi ministro dos governos Collor e Itamar Franco, sobre o futuro governo de Bolsonaro.

O terror – Bolsonaro já avisou que toda ação do MST ou do MTST, durante o seu governo, será tratada como “terrorista”. Mas vamos ver se o futuro ministro Sergio Moro (Justiça) vai concordar com esse enquadramento.

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Fogo Cruzado – por Inaldo Sampaio

Ser secretário de Paulo Câmara nada acrescentaria à biografia do deputado eleito João Campos

Continuam as especulações no PSB sobre se o primogênito de Eduardo Campos, João, deve exercer o mandato de deputado federal para o qual foi eleito com 460 mil votos ou se deve ficar em Pernambuco como secretário de Paulo Câmara. Só os que torcem para que o rapaz não tenha futuro defendem esta última solução. Ele tem que ir para Brasília, desempenhar o mandato que o povo lhe outorgou, até para conhecer os meandros do Congresso, os bastidores da política, o jogo para a eleição dos membros da mesa diretora, dos líderes de bancada e dos presidentes das comissões, a briga por relatorias de projetos importantes, os freios que o Poder Legislativo terá que impor ao futuro governo de Bolsonaro, enfim, a política como ela realmente se revela na pele dos seus atores do governo e da oposição. É isso que o jovem João Campos tem que fazer a fim de tornar-se um verdadeiro homem público como o foram seu pai, Eduardo Campos e seu bisavô, Miguel Arraes. Ser secretário do governo Paulo Câmara, independente da pasta que viesse a ocupar, acrescentaria o que à biografia dele? Nada. Pelo contrário, teria o gabinete cheio de prefeitos, de segunda a sexta, atrás de obras ou de recursos que não terá como oferecer. Sendo assim, que vá logo para Brasília para não decepcionar os milhares de eleitores que o sufragaram nas urnas exatamente para estar na Câmara.

Pauta policial

Moro aceitou ser ministro da Justiça de Bolsonaro para daqui a dois anos ser nomeado por ele para a vaga de Celso de Mello (STF). Até a gestão do pernambucano Fernando Lyra à frente dessa pasta (governo Sarney), a principal responsabilidade dela era fazer a coordenação política do governo. Hoje, tem contornos policiais. Vai cuidar da PF, tráfico de drogas, violência, etc.

Três em um – O Governo do Estado está contando tostões para juntar o dinheiro necessário ao pagamento do 13º salário dos servidores públicos estaduais. O esforço que está sendo feito é no sentido de que sejam pagam três folhas no período de 30 dias: novembro, dezembro e o 13º.

As grifes – Bolsonaro colocou até agora duas “grifes” em seu ministério: Sergio Moro (Justiça) e Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia). Ônyz Lorenzoni (Casa Civil) é brigão e Paulo Guedes (Economia) gosta de dizer que é o único economista que ficou rico sem trabalhar para governos.

Lula livre – Depois das eleições, nem o PT está falando mais no “Lula livre”. O ex-presidente continua quieto no seu canto, em Curitiba, cumprindo a pena a que foi condenado, parou de escrever carta para os correligionários e, pela vontade de Bolsonaro, “vai mofar na cadeia”.

O dialogo – Bolsonaro não teve o apoio de nenhum dos 9 governadores do Nordeste mas vai precisar de interlocutores na região para abrir diálogo com os governos estaduais. Não se sabe ainda quem poderia cumprir esse papel nem se haverá algum nordestino no ministério dele.

Meta futura – De um assessor do prefeito Geraldo Júlio (PSB) após o 2º turno da eleição presidencial: “Pronto, cumprimos o nosso papel que era virar o jogo no Recife. Haddad ganhou de Bolsonaro. Agora é hora de trabalhar para elegermos em 2020 o sucessor do atual prefeito”.

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Fogo Cruzado -por Inaldo Sampaio

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, fez toda sua carreira no setor privado

Bolsonaro elegeu-se presidente da República prometendo fazer mudanças no país. Mudança nos critérios de composição do ministério, mudança no tamanho da máquina pública, mudança na qualidade dos homens que comporão o governo, mudança no Estatuto do Desarmamento para que a compra de armas em nosso país seja flexibilizada. Mudanças, enfim, em todas as áreas de todos os setores para que o Brasil se transforme rapidamente num país próspero e justo. Entretanto, não se muda um país como o Brasil apenas com vontade política, ou através de um “tiro só” como Collor prometeu fazer com a inflação em 1989. A vontade é importante, mas serão necessários vários tiros, e necessário também que o atirador acerte o alvo. A fusão dos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Desenvolvimento Econômico em torno do super Ministério da Economia, por exemplo, não foi bem recebida pelas classes produtoras, especialmente porque o futuro ministro Paulo Guedes não tem experiência no setor público. É economista formado pela UFMG, com doutorado na Universidade de Chicago, mas fez toda sua carreira no setor privado – Banco BTG Pactual, Ibmec, Instituto Millenium, Bozzano Investimentos, etc. É certo que o presidente eleito prometeu fazer um “governo de ruptura”. Mas o Brasil talvez não esteja preparado para ter no Ministério da Economia alguém que, mesmo antes de assumir, já partiu para o confronto com setor industrial dizendo que “vamos salvar a indústria brasileira, apesar dos industriais brasileiros”. A indústria representa 24% do PIB nacional e não é interessante iniciar o governo comprando uma briga com esse setor. Se o futuro ministro acha que pode, aguardemos para conferir.

Presidente sem porta-voz

Bolsonaro fez a campanha e ganhou a eleição sem um “porta-voz” de imprensa para se comunicar com os jornalistas. Seu partido tem um assessor, a jornalista pernambucana Érika Siqueira, mas ele, não. Tanto que coube a Luciano Bivar anunciar a extinção do Ministério das Cidades e a Ônix Lorenzoni a fusão dos Ministérios da Agricultura com Meio Ambiente.

Barata tonta – Partidos de esquerda que apoiaram Haddad (PT) estão feito “barata tonta” no pós eleições. Cada qual diz uma coisa e não se sabe exatamente como será organizada a oposição. Melhor seria deixar a “poeira abaixar” para depois elaborar um plano de trabalho.

Em todos – O único Estado em que Bolsonaro ganhou em todos os municípios foi Rondônia. Já Haddad venceu em todos do Ceará, Piauí e Sergipe. Em São Paulo, o candidato do PT só ganhou em 13 e em Pernambuco perdeu para Bolsonaro apenas em Santa Cruz do Capibaribe.

Jogo duro – O deputado Bruno Araújo (PSDB) foi próximo de Serra em 2014, de Aécio em 2014 e de Alckmin em 2018. Agora, no pós eleições, já se aliou ao governador eleito de SP, João Doria, para tirar Alckmin da presidência nacional do partido. Joga duro e sem emoção.

Sem trauma – Paulo Câmara não está preocupado com a eleição da mesa diretora da Assembleia Legislativa. A maioria que o governo tem lá o tranquiliza, seja para deixar Eriberto Medeiros ((PP) na presidência, seja para substituí-lo por Waldemar Borges ou Aluisio Lessa (PSB).

E depois? – Representantes da Frente Nacional dos Prefeitos, presidida por Jonas Donizette (PSB), de Campinas (SP), insurgiram-se ontem contra a extinção do Ministério das Cidades. Querem saber quem vai cuidar das políticas de habitação, saneamento, drenagem e transportes.

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Fogo Cruzado – por Inaldo Sampaio

Cabe ao PCdoB e aos outros partidos de oposição respeitar a vitória de Jair Bolsonaro

Jair Bolsonaro obteve vitória incontrastável nas eleições do último domingo, derrotando o candidato do PT, Fernando Haddad, por mais de 10 milhões de votos. A campanha teve muito radicalismo do inicio ao fim devido às posições polêmicas do capitão sobre democracia, direitos humanos, respeito às minorias e o golpe militar de 64. Mas não se pode acusá-lo de ter escondido o pensamento para ganhar a eleição. Ele disputou dentro das regras do jogo, por um partido nanico que tinha apenas oito segundos de televisão e, sem nenhuma aliança relevante, chegou ao segundo turno e sagrou-se vitorioso. Até aí, nada demais! Há que se respeitar a vontade da maioria do eleitorado como fizeram, entre outros, Marina Silva, Ciro Gomes e Fernando Haddad. O surpreendente nessa história foi nota infantil divulgada pelo PCdoB, mais para grêmio estudantil do que para partido político com quase um século de existência. A nota assinada pela presidente nacional do partido, Luciana Santos, vice-governadora eleita de Pernambuco, não faz jus à sua inteligência e nem à história dos comunistas. Ela contém uma série de obviedades sobre a influência das “fake news” no processo eleitoral, diz que Bolsonaro é uma ameaça à democracia e à soberania nacional, que foi eleito pregando a violência e o ódio, e que a “lisura” do pleito foi comprometida “para favorecer o candidato da extrema direita”. Ora, se a lisura do pleito estava comprometida, por que o PCdoB participou dele como a candidata a vice Manoela D’Ávila? O país não está à beira do caos como se diz e nem vai acabar-se por causa da vitória de Bolsonaro. Houve um processo normal de alternância de poder e cabe ao PCdoB curvar-se ao resultado das urnas. É assim que as democracias funcionam.

O gás derrotou Bolsonaro

Formado em marketing nos EUA, o engenheiro João Sombra tem uma explicação para Bolsonaro ter vencido a eleição no grande Recife no 1º turno, e perdido no 2º: a promessa de Haddad de baixar o preço do gás para R$ 49,00. Sombra diz que enquanto as elites estavam preocupadas com o “futuro da democracia”, o povão colocou o “bolso” em primeiro lugar.

Sem perfil – É normal que Bolsonaro coloque o senador não reeleito Magno Malta (PR-ES) em algum cargo no governo, mas no Ministério da Educação seria uma afronta à inteligência nacional. Se o presidente eleito deseja convidar um “técnico competente”, há nomes de sobra.

Voto duro – Era tão acentuado o desejo de uma parcela dos brasileiros de derrotar o PT nessas eleições que nem os absurdos ditos por Bolsonaro sobre minorias e direitos humanos mexeram nesses votos. O objetivo era impor uma derrota ao ex-presidente Lula e ele foi alcançado.

Guerra fria – Em nenhum outro estado do Brasil o “comunismo” foi tão discutido nessas eleições como em SP. O governador eleito, João Doria (PSDB), ganhou a eleição pegando carona em Bolsonaro e acusando seu adversário, Márcio França (PSB), de ser “comunista”.

Ponta a ponta – Em seu 2º mandato, Paulo Câmara poderia se inspirar no governador reeleito Camilo Santana (PT-CE), que através do programa “Ceará de ponta a ponta” fez 1.600 km de estradas entre restaurações e duplicações. Nesse particular, Pernambuco leva desvantagem.

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Bezerros terá representante nas eleições do CREF12

No dia 6 de Novembro acontecerá as eleições de 14 membros para o Conselho Regional de Educação Física – CREF12. Pode-se dizer que o CREF equivale-se a entidades como: OAB, CREMEPE, CREA entre outras que regulamentam as profissões.
Pela primeira vez em 20 anos de regulamentação e 18 anos de CREF em Pernambuco a eleição terá mais de uma chapa concorrendo. Sendo a CHAPA 1 composta por profissionais da “situação” e a CHAPA 2 que representa a Oposição, da qual faz parte o Bezerrense Diego Lima (único concorrente domiciliado no interior doestado).
A duas semanas integrantes da CHAPA 2 estiveram em Bezerros e conversaram com a imprensa e visitaram as academias. Uma das principais propostas da CHAPA 2 é a descentralização e interiorização do CREF12 criando subseccionais em várias cidades do interior de Pernambuco.
Ressalta-se a importância do CREF para a Educação Física e sociedade, pois para atuar em academias, escolas, clubes ou qualquer atividade relacionada à Educação Física o formado em educação física deve se inscrever junto ao CREF de seu estado. Sendo ainda este órgão o responsável por fiscalizar os espaços de prática e a atuação de falsos profissionais nas atividades privativas do Profissional de Educação Física.

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Fogo Cruzado – Inaldo Sampaio

Sul e Sudeste entendem que o discurso de Bolsonaro encarna melhor interesses dessas regiões

O Nordeste tinha tudo para embarcar no discurso messianista do presidente eleito Jair Bolsonaro, mas se manteve fiel à pregação de Haddad que se apresentou aos eleitores como continuador da obra de Lula. Todo mundo sabe que Lula não é santo. Até porque se o fosse não estaria preso em Curitiba. Todavia, a maioria dos nordestinos não o vê como “presidiário corrupto”, como o define a grande mídia, e sim como um governante que olhou para os mais pobres, inserindo seus interesses na agenda social do governo. Do contrário, o Nordeste não teria sido um ponto fora da curva no 2º turno da eleição presidencial. Bolsonaro foi derrotado em todos os Estados da região, onde sete governadores eleitos cerraram fileiras com o candidato do PT logo no primeiro turno: Flávio Dino (MA), Wellington Dias (PI), Camilo Santana (CE), João Azevedo (PB), Paulo Câmara (PE), Renan Filho (AL) e Rui Costa (BA). Espera-se após a posse do novo presidente que a região não seja retaliada, dado que em seu primeiro pronunciamento à nação, na noite do domingo, Bolsonaro prometeu que será o presidente de “todos os brasileiros”, e que seu futuro governo terá “mais Brasil e menos Brasília”. Não se imagine que o Nordeste virou agora uma “região de esquerda” por ter dado a vitória a Fernando Haddad. Do mesmo jeito que o Sul/Sudeste deram ampla maioria a Bolsonaro por achar que o discurso dele encarna melhor os interesses dessas regiões, o Nordeste entendeu o contrário.

Vitória na Suprema Corte

Quando requereu registro de sua candidatura a deputado estadual, o ex-prefeito de Caruaru, José Queiroz (PDT), que conseguiu se eleger, foi surpreendido por uma impugnação do Ministério Público Eleitoral. Ganhou a batalha por 7 x 0 no TRE, mas o MPE recorreu para o TSE. Ontem, finalmente, em decisão monocrática, o ministro Édson Fachin confirmou a sentença do TRE.

Até quando? – Brasília deu impressionantes 70% dos votos a Bolsonaro, ante 30% a Fernando Haddad, mas esse namoro com o presidente eleito deve durar pouco. Se o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, cortar privilégios no serviço público, como promete, o DF se rebelará.

Quem te viu? – Minas, que já foi o maior celeiro de políticos do país, mandou para o Palácio da Liberdade nessas eleições o dono de uma rede de lojas (Romeu Zema) por falta de coisa melhor. Tancredo Neves, Benedito Valadares e Afonso Arinos devem estar tremendo no túmulo.

Day after – Pelo menos 4 novos governadores irão herdar estados financeiramente quebrados: Eduardo Leite (RS), Wilson Witzel (RJ), Romeu Zema (MG) e Fátima Bezerra (RN). Esta última é quem mais vai penar para arrumar a casa porque nunca administrou nada na vida.

A varrição – Dos 54 senadores que disputaram a reeleição, apenas 8 conseguiram salvar-se, entre eles dois craques da política: Renan Calheiros (MDB-AL) e Jáder Barbalho (MDB-PA). Jarbas Vasconcelos (MDB) já foi lançado por Humberto Costa (PT) para presidir o Senado.

Sem receita – O TCE tem orientado prefeitos pernambucanos a cobrar os impostos de sua competência, mas eles fazem ouvidos de mercador. A prefeitura de Brejão em 2015 arrecadou apenas R$ 5.996,75 de IPTU e R$ 180,83 de cobrança da dívida ativa.

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Fogo Cruzado – Por Inaldo Sampaio

Candidato com perfil para unir o país seria Geraldo Alckmin não fosse um político provinciano

Nem o mais arguto político mineiro seria capaz de prever que 54 anos depois do golpe militar de 64 um legítimo e sincero defensor daquele movimento, que interrompeu a democracia em nosso país durante 21 anos, seria eleito presidente da República ontem por mais de 50 milhões de brasileiros. O próprio Bolsonaro tinha dúvidas sobre suas chances porque sempre fez parte do baixo clero na Câmara Federal, não tinha por trás de si um grande partido e até o convite que fez ao PR para fazer parte de sua coligação foi recusado. Obrigou-se a convidar para vice o general da reserva Hamilton Mourão, filiado ao PRTB, única alternativa que lhe restou para conseguir fechar a chapa. O presidente eleito já provou na prática que não tem propriamente formação democrática, mas foi ajudado pelo fato de 70% dos eleitores brasileiros não terem conhecimento do que se passou no país nos “anos de chumbo” e seu principal meio de informação ser as redes sociais, onde predominam notícias falsas (“fake news”). Daí poder-se dizer com alguma margem de certeza que um terço dos eleitores do capitão votaram em solidariedade às suas teses. Mas os outros foram votos antipetistas em protesto contra a volta do partido ao poder depois que seu principal líder foi parar na cadeira acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Bolsonaro prometeu na campanha que seria o presidente da “pacificação nacional”, mas isto provavelmente não ocorrerá devido à sua ojeriza aos “vermelhos” que deram mais de 40% dos votos a Fernando Haddad. Afinal, como unir o Brasil com um discurso excludente e contra determinados tipos de minorias? Candidato com perfil para pacificar o Brasil seria o tucano Geraldo Alckmin, não fosse um político mais paulista do que nacional e não tivesse sido obrigado a carregar nas costas o desgaste de Aécio Neves e a traição da cobra que ele próprio criou para mordê-lo depois (João Doria).

Empurrão na reforma política

A reforma política que o Congresso não fez, e não fará jamais, acabou sendo empurrada pela eleição presidencial. Bolsonaro terá no Congresso o apoio de todas as “direitas”, independente de siglas (ruralistas, evangélicos, bancada da bala, etc.), e a oposição de todas as “esquerdas” (PT, PCdoB, PSB, PDT, PSOL, PSTU, etc). Teremos na Câmara um bipartidarismo de fato.

Dor doída – Ciro Gomes prestou notável serviço à campanha de Haddad mesmo não tendo declarado apoio ao petista. Só ter pedido aos seus eleitores que não votassem em Bolsonaro já foi uma ajuda. Cobrar-lhe apoio ao PT depois da “rasteira” que levou de Lula seria demais.

As portas – Apenas 2 dos 25 deputados federais pernambucanos têm trânsito com Bolsonaro para não deixar Paulo Câmara sem canal com Palácio do Planalto: Luciano Bivar (PSL) e Pastor Eurico (Patriotas). Parte deles ainda vai aderir à bancada do governo, mas não agora.

O vácuo – O PSDB saiu destroçado em Pernambuco no 1º turno e ninguém ainda se habilitou para tentar reconstruí-lo. O presidente Bruno Araújo vai morar no DF e não quer mais saber do cargo. A prefeita Raquel Lyra (Caruaru) poderia exercer esse papel, mas não mostra vontade.

A tradição – Desde 1998, quando a reeleição foi introduzida do Brasil por emenda de Mendonça Filho (DEM), nenhum governador do RS foi reeleito. O atual, Ivo Sartório (MDB), que encontrou o Estado quebrado, vai devolvê-lo ao ex-prefeito de Pelotas, Eduardo Leite (PSDB), um pouco melhor, mas ainda quebrado.

Reduto forte – Haddad, que é paulista, viu nessas eleições o quanto Lula ainda é forte no Nordeste. Foi nesta região onde aconteceram os maiores comícios de sua campanha: Natal, Fortaleza, São Luís, Recife, João Pessoa e Salvador. Mesmo derrotado, foi um belo consolo.

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Coluna Fogo Cruzado – por Inaldo Sampaio

Os brasileiros voltarão às ruas neste domingo (28) para escolher o seu presidente da República. Mais uma vez, estamos diante de dois caminhos, a mudança com Jair Bolsonaro ou a volta do governo petista com Fernando Haddad. Havia outras opções de mudança bem mais palatáveis ao país como Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Álvaro Dias. Mas a maioria dos eleitores levou ao segundo turno um candidato assumidamente de direita e outro que é o “mais tucano” dos petistas, segundo definição do ex-presidente Lula. Bolsonaro lidera as intenções de votos em todas as pesquisas e continua sendo o favorito para ganhar a eleição, apesar do seu passado homofóbico, racista, totalitário, saudosista da ditadura militar, e de sua idolatria pelo falecido coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o único brasileiro que o judiciário reconheceu até hoje como torturador. Ele soube capitalizar como competência o voto “antipetista” que é palpável em todas as classes sociais, dando uma pitada de “segurança” ao seu discurso, prometendo enfrentar os marginais com mão de ferro e tratar o MST como “movimento terrorista”. Já Haddad prometeu aos brasileiros um governo desenvolvimentista como o do ex-presidente Lula, que lançou vários programas sociais que beneficiaram a população mais pobre como o Bolsa Família, por exemplo. Neste final de semana, Haddad se animou com a “virada” em São Paulo, onde Bolsonaro venceu com folga no primeiro turno. Mas ainda não se sabe se esta onda vai contaminar o resto do país. Seja qual for o vencedor, o Brasil terá dias difíceis a partir de janeiro. Se der Bolsonaro, como as pesquisas indicam, ele terá uma oposição raivosa e enfurecida tanto no Congresso Nacional como fora dele. E se o vitorioso for Haddad, os bolsonaristas podem ressuscitar a tese de que as urnas eletrônicas não são confiáveis e partir para aquilo que o deputado Eduardo Bolsonaro (1,8 milhões de votos em São Paulo no primeiro) prometeu em Curitiba três meses atrás: fechar o Supremo Tribunal Federal com apenas um cabo e dois soldados.

Uma despedida aquém do esperado

Foi fraco o último programa eleitoral dos dois candidatos a presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). Repetiram imagens e falas de programas anteriores. O último programa deveria ter sido utilizado apenas com a imagem dos dois candidatos falando ao “coração” dos brasileiros, mas passaram batido.

O aniversário – Neste domingo, o Aeroporto de Petrolina estará completando 37 anos de administração pela Infraero. Ele se tornou um dos principais modais de distribuição de frutas do Vale do São Francisco, segundo maior produtor de frutas do país. Entre janeiro e agosto deste ano, foram exportadas 1.069 toneladas de frutas para o exterior.

Vapt-vupt – O ministro Raul Jungmann (Segurança Pública) desembarcará neste sábado no Recife apenas para votar em Fernando Haddad (PT). Assim que cumprir este compromisso ele voltará imediatamente a Brasília para coordenar a central de segurança das eleições.

A Resolução – O TCE publicou em seu Diário Oficial Eletrônico no último dia 24 Resolução TC nº 37/2018 relativa à execução de serviços contábeis de natureza permanente. A Resolução se originou de uma representação do Ministério Público de Contas devido à contínua prática de contratação temporária de contadores e escritórios de contabilidade, não respeitando a natureza técnica e contínua dos serviços.

Dinheiro no bolso – Mesmo com o prefeito Lula Cabral (PSB) preso, a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho pagou nesta sexta-feira o salário de seus servidores aposentados e pensionistas. Aliás, desde que voltou à prefeitura, o prefeito sempre pagou em dia o salário do seu pessoal.

À educação – O deputado federal eleito Tulio Gadelha (PDT-PE), namorado da apresentadora Fátima Bernardes, pretende dedicar seu mandato à causa da educação. Ele fez uma visita ao senador não reeleito Cristovam Buarque (PPS-DF), que faz desse tema sua razão de viver.

Tese errada – Do prefeito de Itapetim, Adelmo Moura (PSB) sobre opinião do diretor-presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, de que eleitor de estado que já elegeu seu governador não tem o mesmo interesse na eleição presidencial: “É falso. Eleição no interior é uma festa e aqui em Itapetim o povo da zona rural bota a melhor roupa para vir votar”.

De palavra – Paulo Câmara (PSB) cumpriu integralmente seu acordo com o PT celebrado nessas eleições. Empenhou-se na reeleição do senador Humberto Costa (PT) e deu a alma pela eleição de Fernando Haddad (PT), quando governadores do próprio PT desaceleram suas militâncias.

As críticas – Jarbas Vasconcelos (MDB) continua recebendo críticas pelas redes sociais por ter declarado voto em Fernando Haddad (PT). Porém, mesmo sendo crítico histórico do PT, ele alega que não tinha outra alternativa: ou ficava com a “civilização”, mesmo corrupta, ou com a “barbárie”, marcada pelo autoritarismo.

O azar – Assessores de Bolsonaro não gostaram da fala dele dizendo que já está como a “mão na faixa”. Lembram que em 1985 o então candidato a prefeito de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso, sentou na cadeira, antes do tempo, a pedido de revista “Veja”, e perdeu a eleição para Jânio Quadros. Essas antecipações costumar dar azar.

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FOGO CRUZADO – POR INALDO SAMPAIO

Pai de Chico Buarque foi quem primeiro escreveu que o brasileiro seria um “homem cordial”   

Há precisamente 82 anos, o historiador alagoano Sérgio Buarque de Holanda ao estudar o caráter do brasileiro definiu-o como “um homem cordial”. Durante muitas décadas isso foi interpretado como homem cordato, gentil. Mas os fatos da atualidade desmentem na prática esse conceito, o que levou o historiador a explicar, posteriormente, que “homem cordial” não era “homem gentil” e sim aquele que age sob os impulsos do “coração”. Basta lembrar em que 2017 foram assassinadas no Brasil mais de 60 mil pessoas e cada um desses crimes teve como causa, óbvio, uma “ação cordial”, ou seja, proveniente do coração. Isso fez com que numa entrevista recente à TV Nova o romancista pernambucano Raimundo Carrero tenha sustentado a contratese de que não somos um “povo cordial” no sentido de povo lhano, e os fatos também lhe dão razão. Como sustentar a tese da “cordialidade” se na presente campanha presidencial o tema central da disputa foi a violência, a tortura, a liberação da compra de armas e a definição do MST como “movimento terrorista” que deve ser enfrentado na base da pistola? Talvez preocupada com esse quadro de radicalismo, a cúpula das Forças Armadas reuniu-se em Brasília na última quarta-feira para defender que o próximo presidente da República, seja ele quem for, trabalhe pela pacificação do país. A tese dos militares está correta. Mas a provável vitória de Bolsonaro não aponta em direção à conciliação tanto por causa dos “radicais” dele como também pelos “radicais” que desejam fazer-lhe oposição.

O desprestígio do STF

O jornalista paraibano José Nêumanne Pinto, radicado em SP, ratifica a tese do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de que se algum ministro do STF for preso ninguém sairá às ruas para protestar. Ele diz que quem desmoraliza o STF são seus próprios membros, citando nominalmente Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Celso de Melo, Lewandowski e Dias Toffoli.

A fusão – Bolsonaro desistiu da tese de fundir o Ministério da Agricultura com Meio Ambiente se porventura for eleito no próximo domingo. Mas a fusão do Ministério do Planejamento com o da Fazenda continua de pé, assim como o da Educação com o da Cultura e o do Esporte.

Sem visita – Lula Cabral (PSB), prefeito de Santo Agostinho, não quer ser visitado por amigos e colaboradores da prefeitura enquanto estiver preso no Cotel. Só abriu exceções até agora para a mulher, os filhos e seu advogado Ademar Rigueira. Quem insistir em ir lá perderá tempo.

Os erros – O ex-prefeito de São Lourenço, Ettore Labanca (PSB), admite que cometeu erros nessas eleição, sendo o maior deles ter aconselhando o filho, Vinicius, a trocar o PSB pelo PP. Calculava que Cleiton Collins seria o “grande puxador” de votos do PP, o que não ocorreu. E que não haveria “puxador” de votos no PSB. Resultado: Gleide Ângelo se elegeu e arrastou três.

A queda – Assessores de Cleiton Collins também avaliam que o maior erro dele foi preocupar-se mais com a eleição de Paulo Câmara (PSB) para o Governo do Estado do que a dele para a Assembleia Legislativa. Esperava reeleger-se com 300 mil votos e obteve apenas 106 mil.

As vaias – Mesmo tendo apoiado a reeleição do senador Humberto Costa (PT), Paulo Câmara (PSB) ainda não foi assimilado pela militância do PT, que já o havia vaiado na passeata com Haddad na Praça Maciel Pinheiro, e o vaiou novamente ontem no largo da Igreja do Carmo. Haddad pousou no Recife feliz. A diferença que o separa de Bolsonaro caiu para 12 pontos.

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Fogo Cruzado -por Inaldo Sampaio

Almir Reis, Alexandre Vasconcelos e Flávio Bonfim debateram a reforma previdenciária

A campanha eleitoral se encerra hoje, pelo menos no rádio e na TV, sem que os dois candidatos a presidente tenham apresentado à nação o que propõem para enfrentar seu mais grave problema na atualidade, talvez até mais grave que o desemprego: a reforma previdencária. Isso vale também para os estados, onde os candidatos eleitos e não eleitos passaram ao largo dessa questão. Alega-se que é um tema “impopular” e que quem tocasse nele perderia votos. Pode ser. Porque o PT demonizou essa reforma dizendo que ela tiraria direitos dos trabalhadores. Porém, nada é mais popular e urgente do que um debate em torno de um problema que diz respeito à vida de todos os brasileiros. Adiar o enfrentamento do problema, aí sim, obrigar o governante de plantão, seja ele quem for, a tomar medida duras, pois o dinheiro do OGU não pode ser integralmente destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões. Essa reforma não foi debatida em Pernambuco nem por Paulo Câmara nem por Armando Monteiro, pelo menos com a profundidade que merecia. E foi tratada superficialmente por Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Enquanto isso, ela foi debatida ontem nos estúdios da Rádio CBN, com objetividade, profundidade e seriedade por três especialistas em Direito Previdenciário – Almir Reis, Alexandre Vasconcelos e Flávio Bonfim. Os dois presidenciáveis teriam tirado bom proveito se porventura tivessem assistido ao debate, travado em alto nível do início ao fim.

A favor da democracia

Historicamente antipetistas, os ex-governadores Jarbas Vasconcelos (PE) e Alberto Goldman (SP) decidiram votar em Haddad neste 2º turno da eleição presidencial. Alegam que o outro candidato, Jair Bolsonaro, é uma “ameaça à democracia”. Goldman é um dissidente no PSDB de SP. Votará em Márcio França (PSB,) e não em Doria (PSDB), com quem brigou em 2016.

A costura – Deve-se aos três senadores de Pernambuco o acordo celebrado com as bancadas da Bahia na Câmara e no Senado que permitiu a prorrogação, até 2025, dos incentivos fiscais às montadoras instaladas no Nordeste. Sem eles, Pernambuco poderia perder a Fiat e, a Bahia, a Ford.

O diálogo – O ministro Dias Toffoli, presidente do STF, chamou para uma reunião hoje em Brasília os ministros do TCU e todos os presidentes de Tribunais de Contas. O de Pernambuco, Marcos Loreto, viajou ontem. Toffoli deseja aproximar o STF dos órgãos de controle.

Bodas de prata – Batizada com o nome de Joaquim Arcoverde, a Inspetoria do TCE localizada em Arcoverde completa hoje 25 anos de fundação. Joaquim Arcoverde, nascido na vila de Cimbres, então município de Pesqueira, foi o primeiro cardeal da América Latina.
A gratidão – Reeleito deputado estadual com mais de 60 mil votos, Lucas Ramos (PSB) começou a visitar seus municípios para agradecer os votos recebidos. O primeiro foi Surubim, onde foi majoritário, após 35 dias de campanha, com apoio da prefeita Ana Célia Farias (PSB).

O comício – Haddad encerrará sua campanha hoje, no Recife, no mesmo local em que se realizou em 1989 o maior comício da história da cidade nos últimos 50 anos, quando se enfrentaram Lula e Collor. Lula, estrela do comício, tinha o apoio de Arraes, então governador.

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FOGO CRUZADO -POR INALDO SAMPAIO

CUIDADO COM A DEMOCRACIA

Autor do já consagrado Como as democracias morrem, o cientista político norte-americano Steven Levitsky, professor da Universidade de Harvad, numa entrevista dada ao repórter desta Folha, Renato Raposo, faz um alerta aos brasileiros para preservarem a democracia, que não estaria totalmente sólida em nosso país mesmo depois do advento da Constituição de 88. O livro trata da ascensão de líderes autoritários ao poder, pelo voto popular, citando casos como o de Hugo Chavez, na Venezuela e de Rodrigo Duterte, nas Filipinas, os quais depois de eleitos não manifestaram o menor apreço pelo regime democrático. Mas não inclui ainda o brasileiro Jair Bolsonaro, que está na iminência de tornar-se presidente do maior e mais influente país da América do Sul com os votos de pelo menos 50 milhões de brasileiros. Bolsonaro é um fenômeno eleitoral a ser estudado pelos politólogos e historiadores depois de sua provável vitória no próximo dia 28. Ele nunca se destacou na Câmara como deputado federal e de repente tornou-se a opção de milhões de brasileiros que se desencantaram com os dois principais partidos que se revezaram no poder entre 1995 e 2016: o PSDB e o PT. E o que é pior: sem nunca ter demonstrado apreço pela democracia, que sempre tratou como mercadoria de segunda classe. A facada que ele levou em Juiz de Fora pode até tê-lo tornado mais conhecido, mas não foi determinante para sua vitória no primeiro turno. É mais um “case” a ser estudado pelo professor Levitsky, a fim de ser incluído na próxima edição de Como as democracias morrem.

Não é hora de neutralidade

Levitsky disse também em sua entrevista que “não se defende a democracia com neutralidade”, citando especificamente o ex-presidente FHC que não pretende votar em Haddad e muito menos em Bolsonaro. Ocorre que o “voto branco” é também uma posição política. É dado pelo eleitor que não se identifica com nenhum dos dois candidatos, como parece ser o caso de FHC.

A pobreza – O Senado terá uma série de senadores inexpressivos a partir de 2019. Poderia ter uma composição melhor do ponto de vista político se o povo tivesse elegido César Maia (RJ), Requião (PR), Suplicy (SP), Mendonça Filho (PE), Garibaldi Alves (RN) e Dilma (MG).

O time – É natural que Paulo Câmara queira montar um “governo novo” com os quadros do anterior, até porque as opções para o secretariado nos partidos políticos são raras. Tanto que Eduardo Campos montou parte de seu time com técnicos do TCE e da Secretaria da Fazenda.

O fim – Como as coligações proporcionais não poderão mais existir a partir de 2020, há muita inquietação na Câmara Municipal do Recife, onde a maioria dos vereadores se elegeu por partidos que não superaram a cláusula de barreira. Muitos deverão migrar para partidos grandes.

A desculpa – Ao declarar numa palestra que o STF pode ser fechado por apenas “um soldado e um cabo”, o deputado federal reeleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) disse exatamente aquilo que pensa. Ele pediu desculpas à Suprema Corte, mas continua pensando do mesmo jeito.

A bobagem – O propaganda de Haddad diz na TV que Bolsonaro não é o “candidato do povo” e sim dos “milionários”. Bobagem. O capitão teve votos dos milionários, sim, mas também da classe média e das classes baixas. Não fosse assim, como teria vencido no Recife, Olinda, Jaboatão, Cabo, Paulista e Caruaru. Será que essas cinco cidades só têm milionários?

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Fogo Cruzado – Por Inaldo Sampaio

  1. Candidato do PSB ao governo do Amapá foi assessor especial de Miguel Arraes

Sob o comando do pernambucano Carlos Siqueira, o PSB elegeu três governadores no primeiro turno e está no segundo em quatro estados. Elegeu Paulo Câmara em Pernambuco, Renato Casagrande no Espírito Santo e João Azevedo na Paraíba. Casagrande já tinha sido governador entre 2011 e 2014, mas foi derrotado na reeleição por Paulo Hartung, a quem agora sucederá. E Azevedo foi o candidato do governador Ricardo Coutinho, que está concluindo seu segundo mandato com grande prestígio político na Paraíba. Neste segundo turno, o partido vai perder no Distrito Federal (o governador Rodrigo Rollemberg será derrotado pelo advogado Ibaneis Rocha) e em Sergipe (o deputado Valadares Filho está perdendo nas pesquisas para o governador Belivaldo Chagas). Mas pode ganhar no Amapá e em São Paulo, onde a disputa está empatada no limite da margem de erro. No Amapá, o candidato pessebista é o senador João Capiberibe, que já trabalhou em Pernambuco como assessor especial do governo Miguel Arraes e tem como adversário o pedetista Waldez Goes. E em São Paulo o candidato do PSB é o governador Márcio França, que foi tesoureiro do partido nas gestões de Arraes e de Eduardo Campos e tem como opositor o ex-prefeito da capital, João Doria, filiado ao PSDB. Eventual vitória do PSB em São Paulo dará ao partido um poder político e econômico que nunca teve e fará de França o principal líder nacional da legenda, cargo ocupado hoje por Paulo Câmara.

Relatores setoriais

Os relatores setoriais do Orçamento estadual de 2019 já foram escolhidos pela Assembleia Legislativa. O deputado Romário Dias (PSD) ficou responsável pelas áreas de Defesa Social, Justiça e Direitos Humanos, e Fazenda. A Lei Orçamentária Anual começou a tramitar no último dia 4 e a votação do relatório final está prevista para ocorrer em novembro próximo.

Só a Justiça – Haddad pode não ter em Pernambuco a votação que a Frente Popular espera por falta de transporte no dia da eleição. Os prefeitos gostariam de colocar transporte à disposição dos eleitores, mas isto é vedado pela Lei Etelvino Lins. Só a Justiça é que pode fazer isto.

Apoio crítico – O Brasil inventou essa história de “apoio crítico”, que possivelmente não existe em nenhum outro lugar do mundo. Primeiro foi Ciro Gomes (PDT) e agora Marina Silva (Rede) declarando “apoio crítico” à candidatura de Haddad, só para marcar posição contra Bolsonaro.

Cadê Geraldo? – O deputado estadual e federal eleito Sílvio Costa Filho (PRB) reclama a ausência do prefeito Geraldo Júlio (PSB) nas manifestações pró Fernando Haddad (PT). Ele acha que isso só está ocorrendo porque Bolsonaro deve vencer de novo na capital neste 2º turno.

Os erros – Bruno Ribeiro, presidente regional do PT, ainda crê numa “virada” de Haddad até o dia 28. Diz que as pesquisas erraram no RJ e em MG ao não prever a chegada ao 2º turno dos candidatos Wilson Witzel (PSC) e Romeu Zema (Novo). E podem errando novamente agora.

A adesão – Mendonça Filho (DEM) e Bruno Araújo (PSDB) mergulharam de corpo e alma na campanha de Bolsonaro, mas o senador Armando Monteiro (PTB), não. A impressão é que o petebista pretende fazer como José Serra e FHC: nem Haddad (PT) e nem Bolsonaro (PSL).

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OPERAÇÃO ABISMO RESPINGA EM BEZERROS; PREFEITO DEMONSTRA-SE INDIGNADO

A operação da Polícia Federal Abismo, que apurou fraudes praticadas no Município do Cabo de Santo Agostinho, onde mais de R$ 92 milhões dos recursos da previdência dos servidores foram desviados por meio de aplicações em títulos podres, culminando com a prisão do prefeito Lula Cabral, respingou em Bezerros e Gravatá.

Na operação, a Polícia Federal apurou que vários municípios pernambucanos estariam sendo assediados pela quadrilha presa na semana passada. A interceptação de diálogos realizados em dezembro de 2017 revelou diversos municípios da Paraíba e de Pernambuco no foco dos desvios, com previsão de que arrecadassem, somente em janeiro de 2018, pelo menos R$ 50 milhões, inclusive apontando percentuais de propinas.

O blog da Noeli Brito, que trouxe as informações à tona, teria consultado os Portais da Transparência dos Municípios de Gravatá e Bezerros e constatou que em ambos inexistem informações sobre as aplicações dos recursos da Previdência de seus servidores, “…não sendo possível, ainda, confirmar se naqueles Municípios foram efetivadas as mesmas fraudes que foram perpetradas no Cabo de Santo Agostinho. Entretanto, a falta de transparência quanto a essas informações já é motivo suficiente para que o TCE/PE e o MPPE com atuação naqueles Municípios entrem em ação para obrigá-los a cumprir a legislação que impõe às prefeituras obrigação de transparência com relação a esse tipo de informação”, conclui a reportagem.

O prefeito Branquinho conversou com a reportagem a respeito da denúncia e demonstrou-se indignado com a acusação. Ele prometeu acionar o blog na justiça no tocante a informação de que dados do IPREBE não constam no Portal da Transparência, o que, segundo ele, não procede. O prefeito afirmou ainda que o município tem saldo devedor para com o IPREBE e que dividiu em parcelas dentro da lei. Por fim, fez um desabafo quanto as acusações injustas ‘que só estimulam homens de bens a se afastarem da política’.  A assessoria de Comunicação do Município divulgou nota  refutando as acusações.

 SIGA LINK NOTA DE REPÚDIO

A reportagem completa do Blog da Noeli Brito você acessa aqui

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COLUNA FOGO CRUZADO – POR INALDO SAMPAIO

Partido de Bolsonaro ficará apenas com 10% das cadeiras da Câmara Federal

O presidenciável Jair Bolsonaro disse em entrevista à Rádio Folha que não gostaria de que o pernambucano Luciano Bivar fosse candidato à presidência da Câmara na eleição que se realizará em fevereiro próximo. Bivar é filiado ao mesmo partido dele (PSL) e isso poderia estreitar sua eventual base de sustentação política naquela Casa. Sendo assim, entende que o substituto de Rodrigo Maia não deve pertencer ao mesmo partido do presidente da República. Foi a primeira decisão correta do candidato líder nas pesquisas, cujo partido elegeu apenas 52 deputados federais – 10% do total de cadeiras da Câmara, perdendo apenas para o PT que elegeu 56. O PSL, sendo o maior partido da coalizão bolsonarista, poderia muito bem reivindicar a presidência e Bivar tinha a primazia por ser o mais antigo no partido e já ter sido o seu presidente nacional. Além disso, foi o responsável pela entrada de Bolsonaro nos quadros da legenda. Porém, Bolsonaro é deputado e sabe que o presidente da República precisa do apoio de pelo menos 308 deputados para aprovar reformas constitucionais, e abrindo mão da presidência da Câmara pode construir com mais facilidade essa maioria. Bivar tem o apoio dele para fazer parte da mesa diretora, mas o sonho de presidir a Casa está adiado em nome da governabilidade.

Visita protocolar

Deputado estadual eleito, Fabrízio Ferraz (PHS), que chegará à Assembleia Legislativa com apenas 17.729 votos, já foi recebido em Palácio por Paulo Câmara, a quem comunicou que fará parte da futura bancada governista. Ele foi acompanhado pelo prefeito de Floresta, Ricardo Ferraz (PRP) e o secretário de Projetos Especiais da PCR, João Guilherme Ferraz.

A menor – Fabrízio Ferraz obteve menos votos que 10 deputados que não foram reeleitos: Socorro Pimentel (PTB), Zé Humberto (PTB), Augusto César (PTB), Dr. Valdi (PP), Vinicius Labanca (PP), Beto Acyoli (PP), João Eudes (PP), Zé Maurício (PP), Eduíno (PP) e Ricardo Costa (PP).

A maior – Dos 25 deputados federais eleitos em Pernambuco, o que teve menos votos foi Fernando Rodolfo (PHS): 52.824. Tiveram mais votos do que ele, mas não foram reeleitos, os deputados João Fernando Coutinho (PROS), Kaio Maniçoba (SD) e Zeca Cavalcanti (PTB).

A decepção – Tiveram menos de 1/3 dos votos que esperavam os deputados federais não reeleitos Adalberto Cavalcanti (37.369), Marinaldo Rosendo (36.367) e Betinho Gomes (20.026). O candidato André Carvalho (PPS), diretor da Rádio Maranata, obteve apenas 25.223.

Sem deputado – Ainda não foi desta vez que o Sertão do Araripe conseguiu eleger um filho da terra para a Câmara Federal. O presidente do CREA, Evandro Alencar (PRTB), de tradicional família de Araripina, não conseguiu sensibilizar os conterrâneos. Obteve apenas 9.112 votos.

A troca – Uma das apostas do PT nessas eleições era o deputado estadual Odacy Amorim, que pleiteou uma vaga na Câmara Federal. Ele obteve apenas 40.050 votos. Já sua mulher, Dulcicleide (PT), elegeu-se para a Assembleia Legislativa com apenas 22.359 votos.

Na multidão – O ex-deputado José Genoíno, que já foi presidente nacional do PT, foi visto anteontem em Fortaleza no grande comício realizado por Haddad na Praça do Ferreira.

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GRAVATÁ: Governador reuniu prefeitos e lideranças em encontro pró-Haddad

Reeleito no primeiro turno em Pernambuco, o governador Paulo Câmara (PSB) reuniu, na tarde de sexta-feira (19), um grande conjunto de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, deputados e lideranças políticas pernambucanas para reafirmar o apoio ao presidenciável Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições 2018. Cerca de mil líderes de todas as regiões do Estado lotaram o Centro de Convenções do Hotel Canariu’s, em Gravatá, no Agreste, para confirmar que estão ao lado de Paulo e Haddad para garantir dias melhores no Brasil.

Durante o encontro, Paulo fez um agradecimento às lideranças pelo apoio dado no primeiro turno em Pernambuco e pediu que a mobilização se repita na campanha de Haddad, sobretudo nesta reta final que antecede o pleito. “O desafio que nós temos até dia 27 é importante e necessário. O Brasil já está dando passos para trás e a gente não pode deixar dar passos mais largos ainda. Vamos em frente nesta última semana. Vocês viram no primeiro turno que na última semana aconteceu muita coisa. Não vamos desistir do Brasil e vamos mostrar essa resistência em Pernambuco”, afirmou.

O socialista destacou que a força do Nordeste será primordial para garantir resultados expressivos em favor de Haddad e lembrou os avanços promovidos na gestão do ex-presidente Lula, sobretudo na região. “O caminho de Lula de diminuir desigualdade sociais e regionais, de gerar emprego e renda são valores que não podemos deixar escapar de maneira nenhuma. Falar nisso é falar de futuro. O que a gente já conhece e sabe que dá certo. Haddad representa isso. Ele teve pouco tempo de mostrar na campanha e está se esforçando no segundo turno. As fake news estão espalhadas e com grupos poderosos por trás disso, como foi noticiado. Mas a verdade sempre estará na frente”, defendeu o governador.

Eleita vice-governadora, a presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos, destacou que a eleição de Bolsonaro representa uma ameaça ao Brasil e que é preciso dialogar com a população e mostrar o melhor projeto presidencial. “Ele representa o que há de pior na política. Precisamos, portanto, fazer o debate de ideias. A primeira semana após o primeiro turno foi de violência política. Esta candidatura (de Bolsonaro) está fazendo caixa dois e financiamento eleitoral. É a junção de crimes cometidos com as fake news. Pernambuco vai demonstrar que tem altivez. Vamos garantir a vitória do que representa o legado do melhor presidente que já tivemos, que foi Lula”, declarou.

O senador reeleito Humberto Costa (PT) e Dani Portela (PSol) destacaram, respectivamente a disparidade entre os projetos representados por Fernando Haddad e Jair Bolsonaro, risco que o o candidato oposto apresenta para o Brasil e a união realizada na segunda etapa do pleito em favor de Haddad.

Já o chefe executivo de Afogados da Ingazeira, José Patriota (PSB)n, representando mais de 100 prefeitos pernambucanos que participarm do encontro, reforçõu reforçou a necessidade de cada liderança municipal no pleito que se aproxima. Ele também falou da importância da vitória de Haddad para garantir as parcerias entre Pernambuco e o Governo Federal. “Não podemos baixar a cabeça e nos omitir. Esta é a hora de demonstrarmos força, coragem e autonomia. Eleição se ganha no dia com o voto. Vamos trabalhar e mostrar a liderança de Paulo Câmara garantindo uma vitória expressiva de Haddad”, pontuou.

Blog do Magno

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