
Na abertura da Copa na Arena do Corinthians em São Paulo, a presidente Dilma foi vaiada por uma minoria que ocupava, segundo relatos da imprensa, a área VIP do estádio. Quem estava ali? Provavelmente pessoas de poder aquisitivo alto da elite cafona paulista. Aquela que sempre almoça e janta no Fasano, “símbolo gastronômico orgiástico” dos abastados. Como se sabe, a elite de São Paulo é a pior do país.
O que está em discussão talvez não sejam efetivamente as vaias, mas sim as palavras de baixo calão com que a representante do País foi recebida. Isso mostra o quanto somos inferiores em relação a outras civilizações mais avançadas. O pior é saber que tudo isso partiu de pessoas que receberam “educação” e o mais entristecedor é que elas se vangloriam agindo dessa maneira. Estamos muito distante de uma verdadeira Educação.
Mais aberrador ainda é ver que parte da mídia parece deleitar-se com o acontecido. É bem provável que alguns jornalistas, aqueles que gritam quando escrevem, pensem como os trogloditas endinheirados da Arena corintiana. Muitos dos escribas da imprensa nativa gostariam de fazer o mesmo e com certeza teriam o apoio de seus patrões. Como diz o sábio Mino Carta, jornalista no Brasil é pior do que seus empregadores.
Nada desfavorável ao direito de protestar contra esse ou aquele governante. Afinal, estamos em um país democrático de direito, no qual as pessoas têm a liberdade de ir e vir e também expressar seu pensamento. O que se discute, na verdade, é a maneira quase selvagem como se realizaram os insultos contra a presidenta Dilma quando da partida entre Brasil e Croácia. É disso que estamos falando e ponto.
Os menos informados dirão que toda essa celeuma em torno dessa questão parte exclusivamente dos petistas de carteirinha; equivocam-se. Houve reação de gente que se sabe não ter qualquer apreço pelo PT e sobretudo pelo governo da presidenta. Independentemente do governo que ali estivesse e a qual partido ele pertencesse, mereceria o respeito pelo menos ao cargo que ocupa.
A Folha de São Paulo, que se diz “um jornal a serviço do Brasil”, utilizando-se quase sempre de um jornalismo rasteiro e pouco edificante, levou a seus cada vez mais minguados leitores, uma matéria sobre o episódio. Apropriou-se de foma inadequada do poema “Viva Vaia” do poeta concretista Augusto de Campos, que imediatamente mandou uma carta ao jornal demonstrando seu descontentamento com a iniciativa pouco cuidadosa dos Frias. Até o momento em que se escreve esse artigo, não se tem notícia de que houve algum pedido de desculpas ao autor.
Um notável colunista dessa mesma Folha (a cada dia o nosso jornalismo está prestes a cair no abismo), esta semana, em um voo do Rio a São Paulo, entrevistou um sósia de Felipão. O obtuso jornalista jurava de pé junto que se tratava do técnico da Seleção Brasileira. Somente quando publicou a “exclusiva” caiu na real e imediatamente o jornal retirou a publicação do site. Isso é que é jornalismo. Vladimir Palomo, sósia de Felipão, está rindo até agora. Estamos bem servidos, leitores.
Em tempo: a propósito do jogo do Brasil esta semana frente à equipe do México, precisamos mudar e muito. A continuar jogando assim, não passaremos das oitavas. Se isso acontecer, vai ser triste e vexaminoso.