
Depois da catastrófica participação na Copa do Mundo, a primeira coisa a se pensar foi a de realizar uma reforma profunda no futebol brasileiro. Foi-se embora Felipão e companhia para alívio de muita gente. Mas que assumiria o seu lugar? Era necessário alguém que tivesse o mesmo impulso do técnico anterior. Talvez outro gaúcho. Por que não? Então chamaram o turrão Dunga. Na semana seguinte ele já procurou acalmar os ânimos. Deu uma exclusiva à tevê Globo no Fantástico. Ali estava o Dunguinha paz e amor? Em parte sim. A ver.
Quem assistiu à entrevista, logo percebeu que o novo técnico e ex-capitão da Seleção não abriu de todo a guarda. Disse que em algum momento os jogadores precisam de privacidade. Isso foi indiretamente um breve recado à tevê dos Marinhos. Todos sabem do que falo, mas nunca é demais repetir que a Globo fez da Granja Comary uma extensão dos seus estúdios. Logo no início da Copa, escrevi aqui neste espaço que eu estava vendo a Copa da Alemanha se redesenhando. Foi exatamente isso que aconteceu. Só que agora o desfecho foi muito mais melancólico. Levamos sete.
Pois então… Voltamos a tal “reforma”. Incrível o mau-caratismo dos cartolas brasileiros! A CBF, os clubes e a Rede Globo mostram por que é tão difícil fazer a mudança que deveria ser realizada. Essas entidades se mobilizaram (ou fingiram fazê-lo) para deixar tudo como está, ou seja, razoável para elas e péssimo a jogadores, torcedores e jornalistas. A CBF não deixou dúvidas sobre o seu desprezo a respeito das críticas que se realizaram à seleção após o vexame sofrido na Copa.
O torcedor está cansado de apanhar e ser humilhado nos estádios. Somente a título de informação, em São Paulo o metrô do governador Alckmin está a serviço da Globo. A diretoria do Corinthians nem chegou a falar com os Marinhos. Buscou o governo do Estado que logo aceitou estender até mais tarde a circulação do metrô em dias de jogos. Há décadas que os horários das partidas transmitidas pela Vênus platinada massacram a vida daqueles que vão assistir aos jogos nos campos. Esse horário das 22h inexiste, por exemplo, em países civilizados como Inglaterra, Alemanha, França, etc, onde o futebol ainda é levado a sério. Aqui uma emissora de televisão é que dita as regras e segue arrojada.
Segundo o crítico de tevê Daniel Castro, nesta semana começaram reuniões com os vinte clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, tendo à frente a Globo. Ela vai exigir melhor qualidade do futebol e fará uma alerta: se os espetáculos não melhorarem e a audiência não subir, dentro de alguns anos o esporte deixará de ser interessante à TV aberta. Ainda segundo o jornalista, a emissora do Jardim Botânico fará uma série de reuniões a pedido dos próprios clubes.
As agremiações pediram o adiantamento das cotas pela transmissão e também reclamaram que a emissora paga muito a clubes como Corinthians e Flamengo, enquanto aos demais de menor torcida, pouco. Com isso a Globo tem nas mãos os times a ela presos. Ela exige investimentos no futebol pelas agremiações e que também se preocupem com a formação de jogadores. É no mínimo estranha essa preocupação. Aliás, quem realmente achou estranho mesmo foram os cartolas. Eles argumentam não ser do campo de atuação da Globo discutir a formação de jogadores.
A seguir assim, não veremos nenhuma transformação substancial na paixão nacional. Até o momento a CBF e a Globo têm apenas demonstrado que as investidas das duas atendem aos seus interesses escusos e não trazem melhoria aos torcedores e a seus clubes do coração.
Em tempo: segundo notícias que circulam na internet, a Globo vai deixar de transmitir a F1 em 2015. O ibope anda baixo. As coisas já não caminham como antes nas Organizações.