Ressaca eleitoral: Vamos transformar a frustração em resistência?

Por Michelle Silvestre

Tem dias em que a gente acorda depois da eleição com aquela sensação de ressaca. O resultado não foi o que esperávamos, algumas escolhas das urnas preocupam e bate aquela vontade de desligar tudo, parar de discutir política e seguir a vida.

Mas é justamente aí que mora o perigo.

A frustração não pode nos afastar da política quando ainda temos um segundo turno pela frente. Se o cenário preocupa, é justamente agora que precisamos estar mais atentos, mais informados e mais dispostos a conversar.

Porque o que está em disputa não termina nos nomes que aparecem na tela da urna. Existem projetos políticos diferentes para o país, e as consequências dessas escolhas podem alcançar direitos que foram conquistados depois de muita mobilização social.

Direitos das mulheres, da população negra, das pessoas LGBTQIAPN+, dos trabalhadores e das pessoas em situação de vulnerabilidade social não podem ser tratados como algo garantido para sempre. Direitos também podem avançar, ser ampliados ou sofrer retrocessos dependendo das decisões políticas que serão tomadas.

Por isso, o segundo turno não é hora de lavar as mãos. É hora de conversar com quem está ao nosso redor. De sair da bolha. De perguntar: que país queremos construir? Que direitos queremos proteger? Que projeto de sociedade está sendo apresentado? E, principalmente, o que está por trás dos discursos que chegam até nós pelas redes sociais?

Não precisamos transformar cada conversa em briga. Precisamos transformar informação em consciência e consciência em participação.Se o primeiro turno trouxe frustração, que ela não nos paralise.

Que ela nos desperte.Porque democracia também se defende quando o resultado das urnas nos desafia. E resistência não significa apenas protestar depois que uma decisão foi tomada. Significa participar enquanto ainda temos a possibilidade de escolher.

O segundo turno está diante de nós.

Ainda dá tempo de conversar, refletir, questionar e fazer valer a nossa voz.

A ressaca eleitoral passa. As consequências das escolhas políticas podem durar muito mais.

Por isso, não desista agora.Participe. Converse. Informe-se. Questione.

E exerça o seu direito de escolha com consciência!

Michelle Silvestre é Assistente Social e Podóloga. Através da escrita, propõe reflexões sobre os direitos das mulheres, saúde emocional e os desafios enfrentados pelas mulheres no cotidiano.

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