Causa Animal em Foco

Atropelamento de cães e gatos: você sabe o que fazer nos primeiros minutos?

Um portão aberto, um momento de distração ou um animal que vive nas ruas. Em poucos segundos, um atropelamento pode acontecer.

Diante de uma cena como essa, é natural querer ajudar imediatamente. Porém, o desespero e algumas atitudes tomadas na tentativa de socorrer podem colocar em risco tanto o animal quanto a pessoa que está tentando ajudá-lo.

Nos primeiros minutos, saber o que fazer e principalmente o que não fazer pode fazer toda a diferença. Antes de tocar no animal, tenha cuidado: Um cão ou gato ferido pode estar assustado, desorientado e sentindo muita dor. Mesmo animais normalmente dóceis podem tentar morder ou arranhar como uma reação de defesa. Por isso, aproxime-se devagar, evite movimentos bruscos e observe a reação do animal.

Além disso, antes de iniciar qualquer socorro, certifique-se de que o local é seguro. Em uma via movimentada, por exemplo, tentar ajudar sem atenção ao trânsito pode provocar outro acidente.

Evite movimentar o animal desnecessariamente

Após um atropelamento, podem existir fraturas, lesões na coluna e traumatismos internos que não são visíveis externamente. Por isso, não levante o animal pelas patas e não tente fazê-lo caminhar para descobrir se “quebrou alguma coisa”. Quando for necessário retirá-lo do local, tente movimentar o corpo o mínimo possível. Uma superfície firme, como uma tábua ou outro material rígido disponível, pode auxiliar no transporte de animais com suspeita de trauma importante. Uma manta ou toalha resistente também pode ajudar em algumas situações, sempre com cuidado para evitar movimentos excessivos.

Existe sangramento?

Se houver uma hemorragia externa, utilize uma gaze ou pano limpo e faça pressão direta e contínua sobre o local enquanto busca atendimento. Evite ficar retirando o pano repetidamente para verificar se o sangramento parou, pois isso pode desfazer o coágulo que está começando a se formar. E não aplique álcool, água oxigenada, pó de café ou outras receitas caseiras sobre o ferimento.

Nem todo problema aparece por fora

Esse é um dos pontos mais importantes após um atropelamento. Um animal pode levantar, caminhar e aparentemente estar bem e, mesmo assim, apresentar hemorragias internas, contusões pulmonares, pneumotórax, lesões em órgãos ou outros traumatismos. Algumas alterações podem se manifestar somente algum tempo depois do acidente.

Respiração difícil ou acelerada, gengivas muito pálidas, fraqueza, abdômen aumentado, sangramento, desorientação, dificuldade para ficar em pé ou perda de consciência são sinais especialmente preocupantes.

Mas a ausência desses sinais não garante que esteja tudo bem. Todo animal vítima de atropelamento deve ser avaliado por um médico veterinário o mais rápido possível.

E se houver uma fratura? Não tente colocar o osso “no lugar”.

Manipular uma possível fratura sem conhecimento técnico pode aumentar a dor, provocar sangramentos e agravar lesões existentes. Fraturas expostas também não devem ser empurradas de volta para dentro da pele. O mais importante é reduzir a movimentação e transportar o animal com segurança para atendimento veterinário.

Não ofereça medicamentos por conta própria, na tentativa de aliviar a dor, algumas pessoas oferecem medicamentos que possuem em casa. Isso pode piorar a situação. Medicamentos utilizados por seres humanos podem ser tóxicos para cães e gatos, e até medicamentos veterinários podem ser inadequados dependendo do tipo de trauma e das condições do paciente.

Também evite oferecer comida ou grande quantidade de água antes da avaliação, pois o animal pode precisar de sedação, anestesia ou cirurgia.

Chegando ao atendimento veterinário

Em um paciente traumatizado, a prioridade nem sempre será a fratura que conseguimos enxergar. Primeiro, é necessário avaliar aquilo que representa maior risco imediato à vida: vias aéreas, respiração, circulação e presença de hemorragias, além do estado neurológico e de outras possíveis lesões. Somente depois da estabilização é possível avançar na investigação de fraturas e outros traumatismos por meio do exame clínico e, quando indicados, exames de imagem e laboratoriais. Por isso, em uma emergência, estabilizar o paciente vem antes de “consertar o osso”.

E se eu encontrar um animal desconhecido atropelado?

Se for possível ajudar sem colocar sua própria segurança em risco, sinalize o local para evitar um segundo atropelamento e procure auxílio para realizar o transporte. Lembre-se de que um animal desconhecido, assustado e com dor pode reagir de maneira imprevisível. A solidariedade é fundamental, mas o resgate também precisa ser feito com responsabilidade.

Dica do Veterinário

Após um atropelamento, não avalie a gravidade apenas pelo que consegue enxergar. Um animal caminhando não significa necessariamente um animal fora de perigo. Movimente-o o mínimo possível, controle sangramentos externos com pressão direta, não ofereça medicamentos e procure atendimento veterinário rapidamente. Em situações de trauma, os primeiros minutos podem ser decisivos.

Até a próxima sexta!

Na próxima edição da Causa Animal em Foco, teremos uma matéria especial em homenagem ao Dia do Médico Veterinário, celebrado em 9 de setembro.

Muito além de cuidar dos pets: você conhece as áreas de atuação do médico veterinário?

Vamos mostrar como o profissional atua não apenas dentro das clínicas e hospitais, mas também na saúde pública, no controle de zoonoses, na segurança dos alimentos, na produção animal, na preservação da fauna, no bem-estar animal e em diversas outras áreas fundamentais para toda a sociedade.

Dr. Edvaldo Montenegro
Médico Veterinário – CRMV-PE 7431

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