Olhar feminino, por Michelle Silvestre

Você sabe por que existe o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha?

O dia 25 de julho se aproxima e traz uma importante oportunidade de reflexão. Nessa data é celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, uma homenagem que vai muito além de uma simples comemoração. Mas você sabe como essa data surgiu e por que ela é tão importante?

A história começa em 1992, quando mais de 300 mulheres negras de 32 países da América Latina e do Caribe se reuniram em Santo Domingo, na República Dominicana, para o 1º Encontro de Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas. O objetivo era discutir problemas que, apesar das diferenças entre os países, eram comuns à realidade dessas mulheres: o racismo, a desigualdade, a violência, a exclusão social e a dificuldade de acesso a direitos básicos.

Ao final do encontro, elas decidiram instituir o dia 25 de julho como uma data internacional de mobilização e reflexão. Mais do que uma homenagem, o dia passou a representar o compromisso de dar visibilidade às contribuições das mulheres negras para a sociedade e fortalecer a luta por igualdade de direitos e oportunidades.

No Brasil, o dia 25 de julho também é celebrado como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, em homenagem à líder quilombola que viveu no século XVIII e se tornou símbolo de resistência, coragem e liderança na luta contra a escravidão.

Celebrar essa data não significa criar diferenças entre as mulheres, mas reconhecer que nem todas vivenciam as mesmas oportunidades. As mulheres negras ainda enfrentam desafios históricos relacionados ao racismo, ao machismo, à violência, à desigualdade salarial e à menor representatividade em espaços de poder. Por isso, o dia 25 de julho convida toda a sociedade a refletir sobre justiça social, equidade e respeito à diversidade.

Também é um momento para reconhecer o protagonismo das mulheres negras na construção do Brasil. Elas estão presentes na educação, na saúde, na assistência social, na cultura, na ciência, na política, no empreendedorismo e em tantas outras áreas que ajudam a transformar a realidade de suas comunidades.

Mais do que recordar uma luta histórica, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha nos lembra que uma sociedade verdadeiramente democrática se constrói quando todas as pessoas têm seus direitos respeitados, suas vozes ouvidas e suas histórias valorizadas.Afinal, conhecer a origem dessa data é compreender que ela não nasceu para dividir pessoas, mas para lembrar que igualdade só existe quando ninguém é deixado para trás.

Michelle Silvestre é Assistente Social e Podóloga. Através da escrita, propõe reflexões sobre os direitos das mulheres, a saúde emocional, a cidadania e os desafios enfrentados pelas mulheres no cotidiano, contribuindo para o fortalecimento do diálogo, da informação e da promoção da igualdade.

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