Pernambuco escolhe dez novos Patrimônios Vivos; Família Vitalino está entre os selecionados

Dez artistas, mestres e grupos culturais foram escolhidos, nesta quinta-feira (6), como os novos Patrimônios Vivos de Pernambuco. A eleição foi realizada pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).

Foram selecionados Teco de Agamenon, de Triunfo; Terreiro de Mãe Amara, do Recife; Mestre João Paulo, de Nazaré da Mata; Barracão de Mãe Nadja, do Recife; Gres Preto Velho, de Olinda; Maracatu Cruzeiro do Forte, do Recife; Mestra Di, de Olinda; Família Vitalino, de Caruaru; Mestre Zé Negão, de Camaragibe; e Juliana Pankararu, de Jatobá.

Com os novos selecionados, Pernambuco passa a contar com 125 Patrimônios Vivos. A entrega oficial dos títulos acontecerá no dia 17 de agosto, durante a abertura da 19ª Semana Estadual do Patrimônio Cultural de Pernambuco.

Segundo o presidente do CEPPC, Antiógenes Viana, o processo de escolha envolveu a análise das candidaturas, a participação de pareceristas e a escuta dos concorrentes.

“Este processo envolveu a escuta dos candidatos e da comissão de pareceristas. Um exame detalhado de todas as candidaturas neste que é o concurso mais importante para a premiação da cultura popular de Pernambuco”, afirmou.

Ao todo, 205 candidaturas foram inscritas nesta edição, o maior número já registrado no concurso. Anualmente, podem ser eleitos até dez Patrimônios Vivos.

Criado em 2002, o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco busca reconhecer e valorizar pessoas e grupos responsáveis pela preservação e transmissão de conhecimentos ligados à cultura popular do estado.

Os selecionados recebem uma bolsa vitalícia. Atualmente, o valor mensal informado é de R$ 2.479,41 para pessoas físicas e de R$ 4.958,85 para grupos culturais.

Como contrapartida, os Patrimônios Vivos participam de ações de ensino e aprendizagem organizadas pelo Governo de Pernambuco, por meio de órgãos como a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), a Secretaria Estadual de Cultura e a Secretaria de Educação.

O edital de 2026 apresentou mudanças relacionadas à acessibilidade. Uma das possibilidades foi a inscrição em formato semi-oral, permitindo que os candidatos apresentassem e defendessem suas trajetórias por meio de vídeo, sem a obrigatoriedade de produzir um texto escrito.

A defesa das candidaturas também pôde ser realizada de forma presencial ou on-line, de acordo com a escolha de cada participante.

Agamenon Gonçalves Lima Filho, conhecido como Teco de Agamenon, participa da tradição dos Caretas de Triunfo desde 1965. Além de brincar durante as festividades, confecciona máscaras, chapéus, relhos e vestimentas tradicionais. O artesão também realiza oficinas e repassa seus conhecimentos para crianças e jovens em escolas, projetos e atividades culturais.

Formada por descendentes diretos de Mestre Vitalino, a Família Vitalino atua há mais de seis décadas no Alto do Moura, em Caruaru. O grupo preserva conhecimentos relacionados à produção de peças em barro, incluindo a preparação da matéria-prima, a modelagem, a pintura e a queima das obras que retratam o cotidiano e a cultura do povo agrestino.

José Manoel dos Santos, conhecido como Mestre Zé Negão, nasceu em 1950 e iniciou sua trajetória na cultura popular ainda na adolescência. Com atuação em manifestações como samba, Cavalo Marinho, ciranda e coco de roda, o mestre desenvolve trabalhos ligados ao Coco de Senzala. Também criou projetos culturais e comunitários em Camaragibe, município onde reside desde 1978.

Juliana Maria da Silva, conhecida como Juliana Pankararu, vive no Território Indígena Aldeia Saco dos Barros, em Jatobá, no Sertão pernambucano. Ela atua como benzedeira, raizeira e parteira tradicional, preservando conhecimentos transmitidos por sua mãe, avó e tias sobre o uso de plantas em chás, banhos e outros preparos da medicina tradicional indígena.

Adriana Luz do Nascimento, a Mestra Di, nasceu em Olinda e iniciou sua trajetória na capoeira aos 13 anos. Reconhecida como Mestra de Capoeira Angola, também teve atuação internacional. Em 1997, tornou-se a primeira mulher brasileira a ensinar Capoeira Angola na Europa, com atividades realizadas em países como Alemanha e Itália.

Fundado em 1929, o Maracatu Cruzeiro do Forte surgiu no bairro dos Torrões, no Recife, e mantém a tradição do Maracatu de Baque Solto. Atualmente sediado no bairro do Cordeiro, o grupo também realiza atividades de formação, ensinando jovens e adultos a confeccionar figurinos, adereços e golas utilizados nas apresentações.

A escola de samba Preto Velho foi fundada em 1974 e está localizada no Alto da Sé, em Olinda. Além das apresentações, o grupo desenvolve atividades comunitárias de percussão, dança, produção de indumentárias e formação cultural para crianças, jovens e adultos.

Fundado em 1996, no bairro do Ibura, no Recife, o Terreiro Kaiangu Kia Itembu, conhecido como Barracão de Mãe Nadja, atua na preservação de conhecimentos do Candomblé de Nação Angola. A transmissão dos saberes acontece por meio da oralidade, da observação, das práticas religiosas, da convivência entre gerações e das atividades comunitárias.

Mestre João Paulo nasceu em Vicência e vive em Nazaré da Mata. Ele possui mais de 40 anos de atuação no Maracatu de Baque Solto. É fundador, presidente e mestre do Maracatu Leão Misterioso, criado em 1990, e desenvolve atividades de formação relacionadas à poesia, ao improviso e à produção dos adereços utilizados pelos brincantes.

Fundado em 1945, no bairro de Dois Unidos, no Recife, o Terreiro de Mãe Amara atua há mais de 80 anos na preservação e transmissão da tradição nagô em Pernambuco. O espaço também participa de projetos culturais e sociais, incluindo atividades ligadas à música, dança, formação comunitária, fortalecimento da liderança feminina e combate ao racismo religioso.

Texto adaptado pela redação do Bezerros Hoje com base em informações encaminhadas pela assessoria de comunicação da Secretaria de Cultura de Pernambuco e da Fundarpe.

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