Encerramos nesta edição nossas matérias sobre o que vimos durante o nosso itinerário na 24ª Fenearte, afinal, foram quase duas semanas trazendo conteúdo sobre a maior feira de artesanato da América Latina. E aproveitamos para encerrar esse roteiro com conteúdos referente a cultura e artistas de nossa cidade que abrilhantaram o evento. Acompanhe!

O DESTAQUE DOS BOLOS E DOCES DE BEZERROS

Enganou-se quem pensou que apenas o artesanato brilhou na 24ª Fenearte – Feira Nacional de Negócios do Artesanato. O stand dos “Bolos e Doces de Bezerros” foi sucesso absoluto! Em nosso último giro pela feira, visitamos o stand 295, localizado na Rua 11, e administrado pelo popular bezerrense e artesão, Antônio Alexandre. O espaço com as famosas iguarias bezerrenses foi muito visitado, chegando a formar fila pelo grande número de pessoas à procura dos apetitosos produtos de Bezerros.

Na ocasião de nossa visita, Antônio declarou: “eu vim com o stand representando o bolo e o doce de Bezerros, comercializando bolos de várias padarias e de fabricantes de fundo de quintal, representando também os fabricantes de nego bom, pé de moleque, beiju com coco, beiju simples, rapadura, mariola, rapadura batida, lanche com doce, mel de abelha da Serra Negra, muitos produtos que representam a cultura de consumo dos bezerrenses, e levando renda para os pequenos empreendedores e também para as padarias maiores, já que estamos vendendo os produtos de 26 fabricantes.

A diversidade de produtos produzidos em Bezerros e disponível no stand, entre bolos, biscoitos, doces e outros produtos comestíveis, chamou a atenção dos consumidores que ficaram encantados com tantas opções, tipos e sabores, o que garantiu o sucesso de vendas do empreendimento.

SIMPLICIDADE QUE BRILHA

Durante mais uma edição da Fenearte fomos visitar o stand da Associação dos Artesãos de Bezerros, que é presidida pelo artesão bezerrense, José Pedro, popularmente conhecido como “Zé Pedro da Associação”, que nos recebeu com sua enorme simplicidade e simpatia durante os dias que visitamos o stand, e que de forma sempre alegre e espontânea recebeu carinhosamente o público visitante. O espaço reuniu várias peças e diversos souvenirs, máscaras, enfeites, porta-moedas, chaveiros, imãs de geladeiras, peças de decoração, entre outros, em sua maioria temáticos ao ilustre papangu de Bezerros, com cores, brilhos e variados tamanhos e formatos.

O stand da Associação dos Artesãos de Bezerros na Fenearte é de grande importância para muitos artesãos e artesãs bezerrenses, pois o espaço expõe e comercializa as obras e produtos de vários artistas de nossa cidade que não tiveram ainda como participar da feira com stand próprio.

E estar na feira, mesmo dividindo o espaço com muitos outros artesãos no mesmo stand, e mesmo com uma limitação na quantidade e variedade de mercadorias para que o espaço dê para abarcar os produtos de todos os associados, não deixa de oportunizar a divulgação do trabalho de cada artesão, como também a comercialização das obras. A visibilidade que a Fenearte promove para os artesãos é imensa, e não apenas para um público pernambucano, mas sim para o Brasil e para o mundo.

O MESTRE DAS MÁSCARAS

Um dos artistas bezerrenses que foi destaque e brilhou novamente na Fenearte este ano, foi o nosso artesão Amaro Arnaldo do Nascimento, “Patrimônio Imaterial de Pernambuco”, o nosso ilustre “Mestre Lula Vassoureiro”.

Famoso por suas máscaras tradicionais que cultiva e dissemina a cultura do papangu, Lula Vassoureiro é o mais antigo artesão a manter viva a confecção de máscaras artesanais produzidas a base de papel machê, jornais, colê e outros materiais reciclados.

Em nossa passagem pela Alameda dos Mestres, não podíamos deixar de passar no stand do nosso “Mestre das Máscaras”, Lula Vassoureiro, e nem vamos deixar de ressaltar aqui a sua alegria e receptividade ao Bezerros Hoje+, como também a todo veículo de imprensa que lhe visitou. O nosso “Patrimônio Vivo” da cultura pernambucana, falou com nossa redação sobre a sua experiência e satisfação na 24ª Fenearte.

“Tudo de bom foi a Fenearte para mim, nas vendas e no contanto com o público. Há 24 anos estou expondo na feira, que é uma grande oportunidade para a divulgação do nosso trabalho, e agradeço especialmente ao Centro de Artesanato de Pernambuco – Bezerros, na pessoa de Murilo Albuquerque e Vera Lúcia, que prestaram um apoio de qualidade a mim e a todos os artesãos bezerrenses que lá estavam, fazendo com que esses dias fossem muitos gratificantes. Já estou ansioso pela próxima Fenearte”, declarou o artesão.

UM MESTRE DE MUITAS ARTES

Um bezerrense arretado, radicado em Recife, e cheio de grandes talentos que somam um currículo multicultural admirável: poeta, cordelista, xilógrafo, mamulengueiro, compositor e artesão. Eis o nosso Mestre da Cultura Pernambucana, Davi Teixeira da Silva, que mais um ano abrilhantou a Fenearte na Alameda dos Mestres, com um acervo de obras que vão desde cordéis, mamulengos, artigos de decoração, lembrancinhas, a TV Mamulengo, entre outros.

Apesar de Davi Teixeira não residir em Bezerros há muitos anos, o artista leva o nome da nossa cidade atrelada a sua arte, e diga-se de passagem, que ele produz com muita maestria.

Autodidata, e adepto dos folguedos populares desde muito novo, Davi Teixeira é membro fundador da  Unicordel – União dos Cordelistas de Pernambuco, e como cordelista, em suas obras aborda sempre temáticas com fundamento social, político e educativo, evidenciando através de seus personagens os elementos e contextos da cultura nordestina, como lugares, o cangaço, frevo, futebol, e outra pluralidade de temas. Criador da TV Mamulengo, projeto que envolve cultura, artesanato e consciência ambiental, esse artista também se dedica a confecção de mamulengos, que lhe remete destaque por suas criações criativas e originais. Em nossa visita ao seu stand, Davi nos contou um pouco da sua história, da infância sofrida, das grandes dificuldades e desafios de sua vida antes de começar a trabalhar com a arte, e nos falou da sua experiência na 24ª Fenearte: “eu agradeço demais ao Governo do Estado e a Prefeitura de Bezerros pela oportunidade de estar aqui, porque a Fenearte é uma porta para o mundo, para divulgar o nosso trabalho. Eu já exponho na feira desde 2006, mas no Salão dos Mestres desde 2018, e espero está mais tempo ainda, para poder mostrar muitas novidades para o nosso povo e aos turistas.”

FILHO DO MESTRE

Infelizmente, por motivos de saúde, nessa 24ª edição da Fenearte o mais famoso e ilustre xilógrafo do Brasil, o Mestre J. Borges, não se fez presente na feira.

Na Alameda dos Mestres, espaço reservado aos “Mestres da Cultura Pernambucana”, o stand do artesão bezerrense J. Borges foi muito visitado, e muita gente foi em busca de encontrar com o ícone da xilogravura, bem como jornalistas e veículos de imprensa de várias partes do país se mantiveram na expectativa de que o artista pudesse chegar durante algum dia do evento.

Mas embora o artesão xilógrafo não pôde estar presente, o seu filho, também muito reconhecido como artesão da mesma arte, Pablo Borges, representou seu pai durante os 12 dias da feira no stand mais representativo da arte da xilogravura.

Pablo Borges, que demonstrou interesse pela arte desde muito cedo, fez a sua primeira xilogravura quando tinha apenas 7 anos, e desde então vem atuando na arte que inspira a sua família e os mantém no cenário cultural como referência de uma das artes mais antigas sobre o processo artesanal de ilustração e comunicação visual.

Durante todo o período da Fenearte, Pablo se mostrou muito carismático e atencioso para com o público e a imprensa, que frequentemente foi ao stand para entrevistá-lo e fazer reportagens sobre o acervo das obras expostas, e sempre muito sereno, qualidade que lhe faz parecer muito com o seu pai J. Borges.

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