Artesanato tradicional do Agreste pernambucano ganha proteção que valoriza a origem, o trabalho dos artesãos e a identidade cultural do município

A tradicional Renda Renascença de Poção, no Agreste de Pernambuco, foi reconhecida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) como Indicação Geográfica (IG). A conquista fortalece a identificação do artesanato com o território onde é produzido e busca agregar valor ao trabalho desenvolvido por gerações de rendeiros e rendeiras.
O reconhecimento foi concedido cerca de quatro meses após o protocolo do pedido e resulta de uma iniciativa desenvolvida pelo Sebrae Pernambuco e pela Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), em conjunto com os produtores locais.

Conhecida como Capital da Renda, Poção mantém uma tradição que atravessa gerações e tem forte participação na economia e na identidade cultural do município. Em julho deste ano, a Renda Renascença também recebeu o reconhecimento de Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC).
O que significa a Indicação Geográfica?
Na prática, a IG identifica produtos ou serviços que possuem características, reputação ou tradição relacionadas ao seu local de origem. No caso de Poção, o reconhecimento ajuda a proteger e valorizar o saber-fazer desenvolvido pelos artesãos da cidade.
O processo incluiu a organização dos produtores e a elaboração de um Caderno de Especificações Técnicas, que estabelece características, padrões e regras para utilização da indicação.
A gestão ficará diretamente ligada à Associação dos Artesãos e Artesãs, Rendeiros e Rendeiras de Poção (Renascença), responsável por representar os produtores e acompanhar o cumprimento das regras estabelecidas.
Tradição que atravessa gerações
Produzida artesanalmente com linha, agulha e lacê, a Renda Renascença possui uma longa história. A técnica chegou a Poção na década de 1930, quando Maria Pastora, que havia aprendido o ofício com freiras francesas, transmitiu o conhecimento para Elza Medeiros, conhecida como Lala.
A partir de um pequeno grupo de mulheres, a atividade se espalhou pelo município. Especialmente durante períodos de seca, tornou-se uma importante alternativa de geração de renda para diversas famílias.
Com o passar das décadas, as peças produzidas no Agreste chegaram a diferentes mercados e também passaram a integrar trabalhos destinados a marcas e grifes.
Para os artesãos, o reconhecimento representa não apenas proteção da origem do produto, mas também uma oportunidade de ampliar a visibilidade de quem mantém a tradição.
Além da Renda Renascença de Poção, Adepe e Sebrae/PE trabalham no processo de reconhecimento de outras 18 Indicações Geográficas em Pernambuco, envolvendo produtos e tradições como o artesanato em barro do Alto do Moura, o bordado de Passira, o queijo coalho do Agreste, o bolo de rolo e o bolo Souza Leão.
Fonte: Sebrae/PE