Mulheres e sobrecarga emocional: os desafios da dupla jornada
A rotina de muitas mulheres é marcada por uma jornada que vai muito além do trabalho remunerado. Mesmo após cumprir suas obrigações profissionais, muitas ainda precisam assumir responsabilidades dentro de casa, cuidar dos filhos, organizar a rotina familiar e atender às necessidades de outras pessoas. Essa realidade, conhecida como dupla jornada, pode provocar não apenas cansaço físico, mas também uma intensa sobrecarga emocional.
A divisão das tarefas domésticas ainda é, em muitos lares, desigual. Mesmo quando algumas atividades são compartilhadas, frequentemente cabe à mulher a responsabilidade de planejar e organizar tudo o que precisa ser feito. É ela quem lembra dos compromissos, das compras, das consultas médicas, das atividades escolares e de diversas outras necessidades da família. Esse trabalho, muitas vezes invisível, também exige tempo e energia, mas nem sempre é reconhecido como uma forma de trabalho.
Além disso, existe uma cobrança social para que as mulheres consigam conciliar diferentes papéis sem demonstrar cansaço. Espera-se que sejam boas profissionais, mães, companheiras, filhas e donas de casa, enquanto também encontram tempo para cuidar de si mesmas. Quando não conseguem atender a todas essas expectativas, muitas acabam enfrentando sentimentos de culpa, frustração e incapacidade.
A sobrecarga emocional também pode afetar a qualidade de vida e os relacionamentos. A falta de tempo para descansar, desenvolver atividades pessoais ou simplesmente não ter responsabilidades por algumas horas pode fazer com que o descanso se torne algo raro. Dessa forma, cuidar de si passa a ser visto como um privilégio, quando deveria ser uma necessidade básica.
Nesse contexto, discutir a dupla jornada não significa apenas falar sobre a quantidade de tarefas realizadas pelas mulheres, mas questionar como essas responsabilidades são distribuídas dentro da sociedade e das famílias. A divisão mais equilibrada das tarefas domésticas e do cuidado é fundamental para que as mulheres não precisem carregar sozinhas o peso de manter uma casa e uma família funcionando.
Portanto, enfrentar a sobrecarga emocional feminina exige uma mudança de comportamento e de pensamento. É necessário compreender que cuidar da casa, dos filhos e da família é uma responsabilidade coletiva, e não uma obrigação exclusivamente feminina. Mais do que dividir tarefas, é preciso dividir responsabilidades, permitindo que as mulheres tenham também tempo, liberdade e espaço para cuidar de si mesmas.

Psicóloga | CRP 02/32872. Natascha Fernanda é psicóloga clínica, com atuação fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Acredita que acolhimento e ciência caminham juntos, oferecendo um espaço seguro de escuta, cuidado e desenvolvimento emocional. Seu trabalho é voltado para adolescentes, adultos, mães e pessoas neurodivergentes, respeitando a singularidade de cada história e promovendo saúde mental com ética, empatia e responsabilidade.