A política pernambucana mostrou neste primeiro fim de semana de agosto que a corrida eleitoral de 2026 promete ser intensa e marcada por rápidas mudanças de cenário. O sábado (1º) foi marcado por articulações, reviravoltas e novos desdobramentos.

O dia começou com um dos movimentos mais aguardados do tabuleiro político. O ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), anunciou a retirada de sua pré-candidatura ao Senado e, em seguida, divulgou um vídeo reafirmando apoio à governadora Raquel Lyra (PSD). A decisão fortaleceu a indicação do deputado federal Eduardo da Fonte (PP) para ocupar a segunda vaga ao Senado na chapa governista.
Quando o cenário parecia caminhar para uma definição, surgiu um novo capítulo. Durante sua convenção estadual, o União Brasil aprovou apenas a chapa de candidatos proporcionais e informou que não deliberou sobre coligação para os cargos de governador e senador. A posição foi divulgada por meio de nota oficial e ampliou o debate político, principalmente porque o partido integra a Federação União Progressista ao lado do PP, legenda que segue compondo a chapa de Raquel Lyra.
Para compreender esse cenário, é importante lembrar que uma federação partidária permite que os partidos mantenham suas identidades, mas obriga a atuação conjunta por, no mínimo, quatro anos. Em Pernambuco, essa composição colocou Miguel Coelho e Eduardo da Fonte disputando espaço na mesma chapa ao Senado.
Enquanto o União Brasil divulgava sua posição oficial, outras movimentações também ganharam força. O senador Fernando Dueire (MDB) divulgou uma nota após ficar fora da composição da chapa majoritária e desejou boa sorte aos candidatos que permaneceram na disputa.
Paralelamente, a candidata ao Senado Marília Arraes (PDT) iniciou novas articulações para definir a composição de sua candidatura. Segundo matéria publicada pelo Diário de Pernambuco, Marília convidou o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) para ocupar a primeira suplência de sua candidatura ao Senado. Ainda de acordo com o jornal, interlocutores ligados ao grupo político da família Coelho receberam o convite de forma positiva. Como Fernando Bezerra Coelho é filiado ao MDB, partido que integra a coligação liderada por João Campos (PSB), a composição é considerada possível dentro da legislação eleitoral.
Outro fato que chamou atenção foi a posição do deputado federal Fernando Rodolfo (PRD). Apesar de a Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, ter oficializado apoio à candidatura de João Campos ao Governo de Pernambuco, o parlamentar declarou que manterá seu apoio pessoal à reeleição da governadora Raquel Lyra. O episódio evidencia que, em alguns casos, posicionamentos individuais de lideranças podem divergir da orientação adotada pela federação partidária.
Também repercutiu a postura do prefeito de Araripina, Evilásio Mateus (PDT). Horas após a confirmação de Eduardo da Fonte como candidato ao Senado na chapa governista, o prefeito participou da convenção da Frente Popular usando um boné com o nome de Miguel Coelho. O gesto repercutiu nos bastidores políticos e foi interpretado por integrantes do meio político como um sinal de insatisfação de parte do grupo político de Petrolina com a definição da composição da chapa.
Após ter o nome confirmado para disputar o Senado, Eduardo da Fonte afirmou que a prioridade é manter a unidade do grupo político. Durante a convenção do PP, declarou: “Isto não é um resultado, é uma conquista coletiva de todos que estão de mãos dadas com o povo de Pernambuco. O papel de Miguel Coelho é fundamental nesta vitória da governadora e deste conjunto político.”

Ainda no sábado (1º), a Frente Popular de Pernambuco realizou sua convenção no Clube Internacional do Recife e oficializou João Campos (PSB) como candidato ao Governo do Estado. A chapa foi formada por Carlos Costa (Republicanos) como candidato a vice-governador e por Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) para as duas vagas ao Senado. O evento reuniu representantes de mais de dez partidos e contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB).
Em seu primeiro discurso como candidato ao Governo de Pernambuco, João afirmou que pretende inaugurar “um novo tempo” no estado, com mais oportunidades e investimentos para a população. “Nós vamos inaugurar um tempo de realizações. Vamos ampliar o Embarque Digital, investir em novas estradas, fortalecer a saúde no interior e fazer um governo que cuide de verdade das pessoas.”

Já neste domingo (2), foi a vez da convenção da governadora Raquel Lyra, realizada no Parador, no Bairro do Recife.
O encontro confirmou Raquel como candidata à reeleição, Priscila Krause como candidata a vice-governadora e Túlio Gadêlha como um dos candidatos ao Senado. Com a retirada de Miguel Coelho da disputa, Eduardo da Fonte passou a ocupar a segunda vaga da chapa. Durante o discurso, Raquel agradeceu o apoio de diversas lideranças políticas e fez referências ao grupo político dos Coelho, ao presidente da República, Lula, e a ministros do Governo Federal.
“Eu aprendi que uma candidatura à reeleição só faz sentido quando faz sentido para o povo.” destacou Raquel.
Também neste domingo (2), a Federação PSOL/Rede oficializou a candidatura de Ivan Moraes ao Governo de Pernambuco.

Durante entrevista coletiva após a convenção, o candidato afirmou que pretende apresentar uma alternativa à disputa entre Raquel Lyra e João Campos, defendendo que o eleitorado tenha mais opções na eleição estadual. Ivan informou que seu plano de governo será protocolado nesta segunda-feira (3) e destacou entre suas principais propostas a implantação da tarifa zero no transporte público nas regiões metropolitanas do Recife, Caruaru e Petrolina, além da criação de uma política estadual voltada ao conceito de “lixo zero”, com incentivo à reciclagem, compostagem e fortalecimento das cooperativas de catadores. As informações foram divulgadas pelo Diário de Pernambuco.
O primeiro fim de semana de agosto demonstrou que, embora as convenções tenham oficializado as candidaturas, as articulações políticas continuam influenciando o cenário eleitoral. Em um contexto marcado por federações partidárias, alianças amplas e diferentes interesses, cada novo movimento pode alterar o rumo da disputa pelo Governo de Pernambuco e pelas duas vagas ao Senado.
Texto elaborado pela redação do Bezerros Hoje com base em informações divulgadas oficialmente por partidos, candidatos e reportagens publicadas na imprensa pernambucana, incluindo o Diário de Pernambuco. As informações refletem os fatos conhecidos até o momento da publicação e poderão ser atualizadas caso ocorram novos desdobramentos, mantendo o compromisso com a imparcialidade, a transparência e o interesse público.