Saúde Mental em Foco

Ansiedade: quando a preocupação deixa de ser normal?

A ansiedade é uma resposta natural do organismo que nos prepara para lidar com situações percebidas como importantes ou desafiadoras. Com isso é normal sentir-se ansioso ou preocupado diante de situações específicas, como o primeiro dia de trabalho, uma apresentação importante ou a espera por uma notícia.

Em situações como essas, a ansiedade desperta em nós uma preocupação com aquilo que está por vir. Isso acontece porque a ansiedade está diretamente relacionada à antecipação do futuro. Quando percebemos uma situação como importante ou incerta, nosso cérebro começa a imaginar possibilidades, prever cenários e buscar maneiras de se preparar. É nesse processo que surge a preocupação.

Essa preocupação também é natural. Afinal, ela nos ajuda a nos preparar para enfrentar desafios e tomar decisões. Mas quando esse processo deixa de ser apenas uma reação esperada? Quando a preocupação deixa de ser normal?

É diferente ficar preocupado na véspera de uma entrevista de emprego e passar semanas imaginando, repetidamente, todos os cenários negativos possíveis, sem conseguir controlar esses pensamentos.

A diferença está na intensidade, na frequência e no impacto que essa preocupação causa. Quando ela permanece mesmo sem um motivo proporcional, quando é difícil controlá-la e começa a interferir na rotina, no sono, no trabalho, nos estudos ou nos relacionamentos, a ansiedade pode estar deixando de cumprir sua função de proteção e passando a gerar sofrimento. Isso não significa que toda ansiedade seja um transtorno.

Sentir ansiedade faz parte da vida. O importante é perceber quando ela deixa de nos preparar para o futuro e passa a nos impedir de viver o presente.

Reconhecer essa diferença é um dos primeiros passos para cuidar da saúde mental e buscar ajuda quando necessário.

Psicóloga | CRP 02/32872

Natascha Fernanda é psicóloga clínica, com atuação fundamentada na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Acredita que acolhimento e ciência caminham juntos, oferecendo um espaço seguro de escuta, cuidado e desenvolvimento emocional. Seu trabalho é voltado para adolescentes, adultos, mães e pessoas neurodivergentes, respeitando a singularidade de cada história e promovendo saúde mental com ética, empatia e responsabilidade

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