É tolice barulhenta

Segundo a enciclopédia livre, Reinaldo Azevedo é um jornalista brasileiro. Ele também se aventura a ser colunista da Folha de São Paulo. Notadamente é um sujeito inserido no campo da direita liberal democrática, como costuma se declarar. Percebe-se pelos textos que escreve. Desde a primeira linha até a última, dispara sua metralhadora em direção aos políticos do PT. Toda pessoa é um ser político. Pode escolher esse ou aquele partido pelo qual nutre uma certa admiração. A escolha é quase sempre ideológica, sabemos. Tem todo o direito de fazê-lo.

foto jornal
Vital B. Pontual é jornalista e autor do livro Escobar Júnior e a Cobertura da VEJA aos Atentados

Em seu blog, hospedado no sítio da revista Veja, costuma atirar insultos a tudo e a todos. Ao longo de sua curta carreira, já acumulou (e há de seguir acumulando) muitos desafetos. O homem late pela boca e transborda pelos cotovelos. Não se está aqui a dizer que o jornalista que um dia pertenceu à “esquadra abriliana”, não possa escrever aquilo que lhe dê na telha, contudo é sempre bom usar um pouco da urbanidade. Afinal, quem assina o jornal dos Frias, geralmente é a gente intelectualizada. Esse pessoal não gosta de ter os ouvidos feridos e detesta quem trata mal o vernáculo.

Na sua última coluna na Folha, soltou frases odiosas contra a presidenta Dilma, aliás, como costumeiramente faz quando escreve. Nota-se que o rapaz redige seus textos com extremo desejo de esganar os membros do partido que se autoafirma ser de esquerda. Digo isso porque vejo que o PT hoje não tem quase nada da esquerda. Se é que algum dia teve em sua essência algo que lhe merecesse esse qualificativo. Contudo, ainda sigo enxergando que o Partido dos Trabalhadores com todos os defeitos que traz consigo, é o menos letal aos brasileiros. Vejo na presidenta uma mulher honesta, embora ainda inexperiente politicamente.

Reinaldo é um seguidor de Olavo de Carvalho. Ultraconservador ao extremo. Não é à toa que foi contratado pelo jornal paulistano para destilar sua raiva visceral contra os petistas. Recentemente em sua coluna, fez questão de dizer que Dilma é a responsável pela baderna atual no país, entre outros impropérios. O leitor percebe facilmente que lhe falta discernimento para dissertar sobre questões que de uma maneira ou de outra afrigem o Brasil. O homem está ensandecido. Quer porque quer que o PT deixe o poder. Conservadorismo demais acaba nisso.

É até compreensível que o colunista da Folha e ex-integrante do “jornalismo” de Veja se expresse com esse ímpeto. Como já disse, é um indivíduo conservador e até preconceituoso. Quem lê seus textos sabe do que estou falando. A crítica é sempre bem-vinda e deve fazer parte do pluralismo político e prevalecer em qualquer seguimento de uma sociedade que quer avançar. Sem ela não haveria progresso no campo das ideias. Ela está aí e deve ser exaltada com equilíbrio e boa-fé.

Mas ele não se encontra sozinho nessa empreitada. Ao lado dele, no mesmo jornal, está outro fiel escudeiro, cujo principal objetivo é espinafrar o governo dos companheiros. Ele se chama Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana e especialista em política internacional, segundo a Folha. Foi ele que, quando da vitória de Dilma, disse que ela foi eleita pelos votos dos nordestinos. Obtuso rapaz!

É do mesmo naipe do católico Reinaldo. Contém-se um pouco mais quando escreve. Os dois se equivalem. Sabe-se apenas que o jornal para o qual escrevem está bem servido. Porque afinal, é “um jornal a serviço do Brasil”.

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